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Principais Estados Produtores

O cultivo do trigo no Brasil está caracterizado por cinco etapas distintas. Na primeira etapa a triticultura foi iniciada no Sul do País, no século XVII, e por muito tempo teve grande expansão, mas condicionada pela ocorrência de anos bons e ruins que determinavam oscilações na área de cultivo. No início do século XIX a produção foi reduzida drasticamente devido ao aparecimento da ferrugem (Tomasini, 1980) mas voltou a expandir-se quando da chegada dos imigrantes alemães e italianos. Com os trabalhos de pesquisa nas décadas de 1930 a 1940, iniciou-se a segunda etapa quando obtiveram-se melhores variedades e técnicas de cultivo e houve um grande aumento de área na década de 1950. Nesta ocasião o Rio Grande do Sul respondia por mais de 90% da produção e área do Brasil. A expansão desordenada, sem preparo e planejamento adequados, aliada a incidência de moléstias, levou a um declínio na produtividade e área de cultivo no final da década de 1950 e década de 1960 chegando-se, em 1962, a cultivar apenas 258.000 ha em todo o Brasil.

Em 1969 a cultura voltou a se expandir iniciando nova etapa (terceira) atingindo áreas de cultivo só conseguidas no triênio 1956-1958. Desde então aumentaram a área e a produção total chegando-se, em 1980, a uma área estimada de 4.000.000ha.

Esta fase da triticultura foi mais ordenada do que a anterior e os fatores que contribuíram  para isto foram:

1. Os trabalhos de pesquisa geraram um grande número de variedades mais tolerantes às moléstias, de melhor capacidade de produção e menos sensíveis às freqüentes variações ambientais.

2. O agricultor recebeu a par de novas variedades, melhores informações de técnicas de cultivo, como densidades e épocas de semeaduras corretas, etc.

3. As sementes disponíveis ao agricultor eram de melhor qualidade.

4. Houve o aumento acentuado de insumos disponíveis ao agricultor, a preços razoáveis, que lhe permitia utiliza-los em larga escala. Destacaram-se aqui os corretivos, fertilizantes e defensivos.

5. O parque de máquinas ampliou-se sobremaneira possibilitando o trabalho de grandes extensões de terra.

6. Estabeleceu-se garantia de preço mínimo pelo governo, que comercializa toda a produção.

7. Houve financiamento de custeio a taxas reduzidas e por um longo período e também subsídios a vários insumos como adubos e calcário.

8. A abertura de novas áreas tritícolas, destacando-se São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, em especial, este último Estado.

A ampliação da fronteira agrícola na região Centro-Sul do País propiciou maior estabilidade de rendimento, em nível nacional. Até o início da década de 1970, o Rio Grande do Sul respondia  pela  maior  parte  da produção nacional e as variações de produtividade neste Estado refletiam-se acentuadamente nas médias brasileiras. Com a entrada do trigo no Paraná, em regiões com épocas de semeadura diferentes das do Rio Grande do Sul, os insucessos que ocorriam em um Estado nem sempre ocorriam nos outros. Exemplo típico é o do ano de 1979 em que o Paraná teve produtividade média de 1019 kg/ha e 39% da área cultivada e o Rio Grande do Sul, 441 kg/ha e 53% da área cultivada. A média nacional, naquele ano, foi de 693 kg/ha.

As variações anuais da produtividade no Rio Grande do Sul são decorrentes da instabilidade dos fatores meteorológicos,  inconstantes de ano para ano. As frustrações de safra redundavam em reduções de área de cultivo nos anos subseqüentes e, por isto, as oscilações de área no País foram muito grandes, até a década de 1970. A partir de então estabilizou-se a área de cultivo que de 1969 a 1978 variou entre 1.000.000 a 1.800.000 ha e só em 1979 ultrapassou os 2.000.000 ha. Um fato relevante, na década de 1970, foi o de que os rendimentos médios aproximaram-se e, as vezes, ultrapassaram 1.000 kg/ha demonstrando um nítido aumento decorrente daqueles fatores anteriormente enumerados, embora as frustrações de safra em 1972, 1975, 1977 e 1979.

O aumento da produtividade poderia ser maior se alguns fatores de produção fossem melhor controlados. A extensa área de cultivo tem certos efeitos negativos pois facilita a difusão e o aparecimento de novas raças dos patógenos. Igualmente, o uso continuado das áreas com o cultivo do trigo, sem rotação cultural, facilita a difusão de moléstias. Outro aspecto negativo é a utilização de terras impróprias ao cultivo do trigo, como as depressões ou áreas declivosas. O rendimento em tais locais é baixo, mesmo utilizando a melhor tecnologia de produção.

No Estado de Santa Catarina o cultivo do trigo é tradicional como no Rio Grande do Sul mas tem pouca expressão, com área variando de 20.000 a 100.000ha, restrita a zona Centro-Oeste. A produtividade é baixa, raramente atingindo 800 kg/ha.

quarta etapa foi iniciada quando a fronteira do trigo foi levada ao Norte do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No Paraná houve a maior expansão de trigo nos últimos anos. Até o final da década de 1960, o cultivo do trigo estava restrito a zonas abaixo do paralelo 24 devido ao conceito, predominante na época, de que este era o limite norte para a expansão da cultura e, também, da predominância da cultura do café. Na década de 1970, com a erradicação dos cafezais e a entrada da soja nas áreas de solos de alta fertilidade, a lavoura de trigo expandiu-se a ponto de, nos últimos anos, ultrapassar a 1.000.000 ha. As condições climáticas são diferentes das do Rio Grande do Sul caracterizadas, principalmente, pela baixa precipitação nos meses de inverno, mas também muito variáveis de ano para ano, determinando grandes oscilações de rendimento.

São Paulo passou a integrar as estatísticas como produtor de trigo a partir de 1971 e, de lá até 1976, houve um aumento da área de cultivo que atingiu o máximo ao redor de 180.000 ha. A zona de cultivo está situada na região Sudoeste do Estado. A semeadura geralmente é realizada em março e a colheita é feita já na estação seca. Preiodicamente ocorrem secas durante o ciclo, que podem prejudicar o desenvolvimento dos grãos.

Paralelo com a expansão da triticultura no Paraná houve também o aumento do cultivo no Mato Grosso do Sul. A área se manteve estável ao redor de 30.000 ha até 1978 quando então expandiu-se consideravelmente. O trigo é cultivado em áreas levemente onduladas e de solo de boa fertilidade. A estação de cultivo é relativamente seca (meses de junho, julho e agosto) o que diminui a incidência de moléstias mas que prejudica eventualmente a cultura pela falta de umidade do solo.

quinta etapa na expansão do trigo, abrindo uma terceira região tritícola, inicia-se nos tempos atuais em que se procura adaptar a cultura nas zonas altas do Planalto Brasileiro. São áreas situadas a 600 a 1000m de altitude de latossolos de cerrado e relevo relativamente plano, principalmente nos Estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. Os solos caracterizam-se por serem bastante intemperizados, de baixa fertilidade natural e apresentam teores variáveis de alumínio. A precipitação é muito variável de uma região a outra, geralmente ocorrendo uma estação seca e outra chuvosa. O cultivo do trigo tem sido testado na estação da seca, sob irrigação. O cultivo neste sistema é feito em pequena escala e ampla utilização ainda demandará algum tempo. Outra opção para estas áreas é cultivar trigo em sequeiro nas áreas altas e de precipitação mais ou menos regular. Há áreas bastantes extensas com esta característica e que oferecem boas perspectivas futuras.

A possibilidade de expansão em grande escala da área de trigo é limitada no Rio Grande do Sul,  Santa  Catarina  e Paraná, embora haja disponibilidade de terra.

No entanto, grandes áreas ainda podem ser cobertas em São Paulo e Mato Grosso do Sul e, num futuro próximo, no Planalto Central.