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Suco de Laranja

O mercado de frutas cítricas no Brasil tem a necessidade de explorar, com maior intensidade, tanto a demanda potencial interna para o escoamento da produção de laranja in natura como das diferentes variedades de suco de laranja. Entre essas variedades destacam-se, o concentrado congelado (obtido pelo processo de retirada da água), o reconstituído (proveniente da diluição do suco concentrado em água), o integral (fabricado pelo processo de pasteurização), e o fresco (obtido pela extração do suco, sem nenhum processo de transformação ). O não-desenvolvimento desse mercado deveu-se, sobretudo, ao crescimento da indústria processadora no país, devido ao controle exercido por ela, dando prioridade ao plantio de espécies especificas para extração de suco tipo exportação, destinando pequena parcela do volume de laranja produzido ao mercado doméstico de frutas frescas. Dessa forma, tornou o país em um especialista na produção e exportação de suco de laranja concentrado.

Na década de 90, entretanto, a perda do dinamismo do comércio internacional dessa commodity, e a estabilidade econômica alcançada pelo Brasil com a implantação do plano real, voltaram os olhos da industria e dos citricultores para o mercado interno, que aumentou o consumo de suco de laranja pronto para beber (reconstituído, fresco e integral) de 24,2 milhões de litros, em 1993, para 117,5 milhões de litros em 1996, o que corresponde a um aumento de 385%, em apenas quatro anos.

Com todo esse potencial, as primeiras fábricas de suco de laranja reconstituído e integral iniciaram suas atividades em 1992, na sua grande maioria empresas que já atuavam no setor de alimentos, especialmente laticínios, o que lhes permitia menor necessidade de investimentos, por possuírem redes de distribuição estruturadas e aptas a receber novos produtos. Já o comércio de citros, na forma de suco natural fresco, vem se desenvolvendo basicamente, mediante a instalação de máquinas extratoras em supermercados, padarias, lanchonetes, lojas de conveniência, bares e outros, com a aquisição da matéria prima por meio de atacadistas.

Quanto ao mercado doméstico de laranja in natura, verificou-se também na década de 90, crescimento considerável de sua capacidade de absorção, com o consumo interno da fruta chegando a dobrar. Contudo, vários problemas como a falta de cultivares típicos de mesa e o direcionamento da indústria ao cultivo de espécies apropriadas ao processamento, aliado a falta de paking houses mais modernos, e ausência de um sistema eficiente de padronização dos frutos e das embalagens, entre outros, juntamente com o baixo consumo per capita, contribuem para o fraco aproveitamento do mercado interno para o escoamento da produção de laranja, o que dificulta a adaptação do setor a nova realidade do mercado externo.

No que diz respeito ao processo de industrialização, o maior custo de produção é a aquisição da fruta, o qual, corresponde à cerca de 50% a 70% dos gastos gerais do processo de produção do suco de laranja, seu principal produto. Entretanto, a cadeia citricola brasileira tem vantagem sobre a internacional devido a laranja nacional ser ofertada a preços mais baixos.

Nesse contexto, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial dos produtores de suco, com 54% do total produzido no mundo, conforme pode ser visualizado na Tabela 3.

Tabela 3 – Principais produtores de suco de laranja – 1998/1999.

País

Produção (t)

%1

Brasil

1.258.000

54,06

EUA

900.000

38,68

México

38.000

1,63

Itália

32.319

1,39

Espanha

30.000

1,29

Total mundial

2.326.973

100,000

1-Participação relativa na produção mundial – Fonte: FNP e USDA

Uma boa laranja para a produção de suco industrial precisa ter qualidades bem definidas, como cor, equilíbrio entre açúcares e ácidos, rentabilidade, produtividade. Os fabricantes fazem "blends", como se estivessem fabricando uísques, para tentar obter o máximo de uniformidade no produto. Tudo, porém, depende da qualidade da fruta e das características das variedades.

A imensa maioria da produção de suco de laranja de São Paulo depende de apenas quatro variedades: a Hamlin, precoce; a Pêra, de meia-estação; e a Valência e a Natal, tardias. Para as condições do norte do Estado de São Paulo, para processamento precoces são as laranjas que produzem em julho e agosto, de meia-estação as que dão frutos de julho a outubro e tardias as que podem ser colhidas de setembro a janeiro. Em 1998, os dados da produção de São Paulo e de parte do Triângulo Mineiro indicavam que 38,02% do suco vinha de laranjas Pêra, 25,58% de Natal, 17,32% de Valência e 6,79% de Hamlin.