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ALCAR Sul: pesquisadores e estudantes unidos pela defesa da democracia nos 50 anos do AI5

ALcar Sul 2018

A Universidade Federal de Santa Maria recebeu nos dias 25 e 26 de outubro, no auditório Imembuí, pesquisadores, professores e estudantes que destacaram, durante o 7º Encontro Regional Sul de História da Mídia, a importância da pesquisa histórica neste momento de polarizações políticas e de ações que parecem ir contra o estado democrático de direito no país. O encontro deste ano teve como tema: Comunicação, História e Cidadania: os 30 anos da Constituição Cidadã x 50 anos do AI5. 

O Encontro recebeu para sua solenidade de abertura o coral de trombones e tubas da UFSM e, logo após a apresentação musical, a mesa de abertura foi composta pela presidente da Alcar, Ana Regina Rêgo (UFPI), pela coordenadora local do evento, Sandra Rúbia da Silva (UFSM), pelo Pró-reitor de extensão da universidade, Flavi Lisboa e pelo coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM, Cássio Tomaim. 

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Na Conferência de abertura, na noite de 26 de outubro, a pesquisadora Cicília Peruzzo (UAM) trouxe o tema “Movimentos Sociais e Cidadania Comunicacional: da imprensa alternativa dos anos da ditadura militar ao midiativismo da atualidade”. Em sua fala, Cicília destacou que, historicamente, as experiências midiáticas de resistência passaram por vários formatos desde a ditadura militar. Elas conformaram o que se chama de midiativismo, ou seja, o ativismo nos meios de comunicação. Se hoje as mídias sociais são o principal canal de expressão da crítica, os jornais impressos e as rádios piratas foram instrumentos de denúncia durante a ditadura militar brasileira, segundo a professora da Universidade Anhembi Morumbi. “Se hoje temos o cyberativismo, ontem tínhamos o panfleto”, afirmou. Na oportunidade, destacou ainda que o midiativismo é um fenômeno coletivo, de cunho político, contestador, horizontal e intenso.

Para ela, o jornalismo alternativo não pode ser comparado a qualquer tipo de manifestação que se encontra fora do circuito hegemônico, mas deve ser pensado como uma oportunidade de exercício da cidadania. “Devemos lembrar que a própria internet é muitas vezes palco de debates públicos baseados em notícias falsas e o quanto isso pode ser maléfico à sociedade”. Cicília Peruzzo falou ainda que os movimentos sociais são as forças que ajudam a transformar e a qualificar o papel do cidadão em contextos de luta pela liberdade e igualdade.

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No turno vespertino foram realizadas diversas oficinas com os temas gênero, documentário, telejornalismo, publicidade, redes sociais e jornalismo institucional. As atividades aconteceram dia 25 de outubro, das 14h às 16h, e foram ministradas por profissionais com expertise nas áreas contempladas.

 No segundo dia do encontro, o destaque foi para as mesas redondas. A primeira rodada de debates da Alcar Sul 2018 trouxe os diferentes contextos históricos em que a comunicação se desenvolveu nos países da América do Sul. As pesquisas realizadas pela professora Virgínia Pradelina da Fonseca (UFRGS), pelo professor Carlos García da Rosa (Universidad Nacional de Misiones – Argentina) e pelo professor João Ivo Puhl (UNEMAT) mapearam as fases da imprensa na Argentina, no Brasil e na Bolívia ao longo das últimas três décadas. A pesquisadora da UFRGS dividiu o jornalismo brasileiro em dois modelos: o industrial, a partir da década de 1950, e o pós-industrial, a partir da última década do século XX. “Se na primeira fase o jornalista tinha o controle da notícia, os novos gatekeepers hoje são os algoritmos das plataformas de mídias sociais”, afirma. O argentino Carlos García Rosa acredita que o mercado é quem tem regulado a vida pública na maioria do continente americano e ressalta o efeito nocivo dos conglomerados midiáticos. O historiador João Ivo Puhl lembrou que a imprensa local presente na fronteira entre o Brasil e a Bolívia corrobora com a invisibilidade de povos indígenas que habitam a região, como os Chiquitos, adotando a visão dos fazendeiros sobre a posse da terra. “Os Chiquitos bolivianos conquistaram reconhecimento territorial e político desde 1992. No Brasil, eles ainda lutam para ser reconhecidos como indígenas”, destacou.

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Ainda na manhã do dia 26 houve a segunda rodada de debates do 7º Encontro Regional Sul de História da Mídia, no salão Imembuí na Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pesquisar sobre a história presente é um imperativo no contexto político atual, assegurou Norma Alvares, professora de história da Universidad de Misiones, na Argentina.  A pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Cárlida Emerim, ao falar da relação entre a televisão e o AI5 no Brasil, lembrou uma frase do jornalista Alberto Dines: “os anos de chumbo têm sido insuficientemente estudados na academia”.  Emocionada, a pesquisadora ressaltou a importância de se contribuir para uma sociedade democrática de direito e prestou homenagem à professora da Unipampa, Mara Regina Rodrigues Ribeiro, que faleceu no último dia 14. “Mara Regina vive, Mariele vive, Vladmir Herzog vive!”.

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Após a conferência, a professora Ada Cristina Machado da Silveira (UFSM) preparou uma homenagem em memória a professora Mara Regina, com a presença do Pró-Reitor de Extensão da UFSM, Flavi Lisboa, dos palestrantes, do orientador de doutorado de Mara, professor Marcelo Rocha (UNIPAMPA), amigos e familiares.

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Os trabalhos apresentados nos grupos temáticos, na tarde do dia 26/10, fortaleceram as leituras e as pesquisas sobre a história do jornalismo no Brasil. Diversos artigos apresentaram informações sobre o desenvolvimento da imprensa e do jornalismo, e a forma como determinados acontecimentos e assuntos passaram a ser representada nas páginas dos periódicos nacionais.

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O evento foi marcado pela presença de diversos estudantes dos cursos de relações públicas, publicidade, jornalismo e história da UFSM, de diversas instituições do país, extrapolando os limites da região sul.

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