Projeto Art'Escama surpreendeu os visitantes

Quem passou pelo térreo do prédio Anexo da FABICO durante o Alcar 2015 dificilmente não notou a banca do projeto Art’Escama. São 25 artesãs da Ilha da Pintada (situada no Guaíba em Porto Alegre) que estão xpondo bijuterias e acessórios feitos com escamas e couro de peixe. Roberta Petry,  que trabalha no Bar da Fabico, comprou brincos na banca e  afirma: “conheci o trabalho delas aqui na exposição que estão fazendo durante o Alcar 2015. Gostei muito, porque as peças são lindas, bem feitas e com um acabamento detalhado”.

Foto: Leonardo Moraes

Há mais de 13 anos, a iniciativa gera renda para as famílias através do desenvolvimento sustentável, além de ensinar a técnica de confecção de biojoias, bolsas, echarpes e até mesmo vestidos de noiva bordados com escamas. Convidada pelas próprias artesãs, a UFRGS auxilia o projeto desde 2012, através de seu programa extensão. A interação entre universidade e comunidade é ressaltada pela Profª Ana Maria Dalla Zen, coordenadora dos bolsistas da Museologia participantes do projeto: “além dos alunos de Museologia, há bolsistas de Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Relações Públicas, Administração, Design e Contabilidade. Todos trabalhando nesse empreendimento coletivo e solidário, no qual se empoderam as mulheres e se ajuda na autogestão do Art’Escama”.

Resgatando uma técnica originária do arquipélago de Açores (Portugal), as mulheres da Ilha da Pintada trabalham artesanalmente todo o processamento das escamas e do couro. Depois da lavagem do material, passam-se as escamas pelo tingimento com produtos naturais, como erva-mate, casca de cebola, beterraba, café, entre outros tingidores orgânicos. Os suportes usados para as peças são folheados a ouro e prata. “Uma echarpe, por exemplo, leva dois dias para ser produzida”, conta a artesã e presidenta da Art’Escama, Elisabete Araújo. . Além de Elisabete, 8 das artesãs trabalham desde o começo do projeto.

A técnica, como conta a Irmã Marinice Sartori, é utilizada desde o século 18,  especialmente no bordado de vestimentas de padres e artefatos religiosos. A Irmã conta que, voluntariamente, dá aulas de trabalhos manuais para as artesãs desde o início da iniciativa: “isso representa muito para mim, realizo-me fazendo esse trabalho, porque a minha contribuição ajuda as mulheres a produzirem e terem sua renda própria. Eu vi elas crescerem na vida” IrA religiosa, que trabalha na Ilha da Pintada desde 1981, diz ainda que o Art’Escama fez o convívio na comunidade melhorar, unindo mais as pessoas.

O trabalho das artesãs, que venceu o prêmio Santader Universidade Solidária em 2014, já foi exposto em diversas feiras e em países como França e China. Uma nova coleção de biojoias será lançada no início de agosto de 2015, além de uma nova logomarca e de uma estante virtual para vender os produtos. Atualmente, eles podem ser comprados na loja principal, que fica na Ilha da Pintada, no Centro Histórico de Porto Alegre (Rua Vigário José Inácio, 299) e nas feiras em que o grupo participa. As peças também podem ser encomendadas pelo blog do projeto artescama.blogspot.com.br.

 

Por Karine Menoncin

Jornalistas responsáveis: Ângela Camana e Débora Gallas

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