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EXPEDIÇÃO 2008/2009 

EXPEDIÇÃO "DESERTO DE CRISTAL"

Cientistas brasileiros realizarão a primeira expedição nacional ao interior da Antártica

 

    Pesquisadores do PROANTAR (Programa Antártico Brasileiro) partem no dia 19 de novembro de 2008 para a primeira expedição científica nacional ao interior da Antártica. A missão terá seu acampamento base localizado a 2.000 km ao sul da Estação Antártica Comandante Ferraz, já sobre o espesso manto de gelo que cobre o continente.

    Do acampamento base, parte do grupo avançará mais 400 km em uma das regiões mais isoladas da Antártica, o Monte Johns (79°37' S, 91°14' W), onde serão realizadas perfurações do gelo para investigar as variações do clima e da química da atmosfera ao longo dos últimos 500 anos.

    Durante o período de 40 dias, o grupo viverá em barracas, acampados sobre as geleiras e enfrentando temperaturas de menos 35°C (trinta e cinco graus centígrados negativos) e locomovendo-se por aviões com esquis e motos de neve. O grupo, constituído por 3 pesquisadores gaúchos, 3 cariocas, 1 mineiro e 1 chileno, será liderado pelo glaciólogo Jefferson Cardia Simões, da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Simões já participou de 18 expedições no Ártico e na Antártica e foi o primeiro brasileiro a atravessar o manto de gelo e a atingir o Pólo Sul Geográfico via terrestre, no verão de 2004/2005, em uma missão chilena.

    A expedição permitirá ao Brasil explorar cientificamente o interior de um continente de 13,6 milhões de km2 que tem importante papel como controlador do clima do país. Até o momento, a presença brasileira na Antártica tem ficado restrita às proximidades da região da Península Antártica. Esta expedição é parte das ações brasileiras no Ano Polar Internacional (http://www.ipy.org; http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/49533.html ).

     A expedição é financiada pelo PROANTAR, por ações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), contando ainda com apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

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Figura 1. Rota para o Acampamento

Local do acampamento base da expedição "Deserto de Cristal" (Patriot Hills, 80° S). A seta marca a rota do avião que transportará a equipe entre Punta Arenas (Chile) e Patriot Hills e em verde, o extremo norte da Península Antártica, região onde o Brasil tradicionalmente atua.

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Figura 2. Mapa do Continente Antártico

Note as três áreas:
(1) Área tradicional de atuação do Programa Antártico Brasileiro;
(2) Área de atuação da expedição "Deserto de Cristal" no verão de 2008/2009, a 2.000 km da Estação Antártica Comandante Ferraz;
(3) Área provável da expedição brasileira a ser realizada no verão de 2009/2010.
Note que o continente é 99,5% coberto por um manto de gelo com espessura média de 2,0 km e máxima de 4,8 km.

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Figura 3. Acampamento

Acampamento típico nas geleiras antárticas. A equipe viverá e trabalhará durante 40 dias em barracas polares como na fotografia ao lado, usando aviões com esquis.

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Figura 4. Comparação Antártica/Brasil 

      Esta figura ilustra a p roporção da área Antártica/área Brasil que é de 1,6 vez. Espessura média do gelo antártico se distribuído 2.983 m homogeneamente por todo o Brasil. Distância Brasília -Estação Antártica Comandante Ferraz 5.207 km Distância Estação Antártica Comandante Ferraz -Pólo Sul Geográfico 3.115 km. Porto Alegre (RS) -Estação Antártica Comandante Ferraz 3.600 km Porto Alegre (RS) -Manaus (AM) 3.100 km.


OS LIMITES DA REGIÃO POLAR ANTÁRTICA

       Os geógrafos usam dois limites para a Região Antártica: 1) Um político, que incluí toda a área do planeta Terra ao sul do paralelo 60° S. Esta é a área para a qual se aplica o Tratado da Antártica; 2) Um ambiental (oceanográfico) que incluí toda a área ao sul da Frente Polar Oceânica (atualmente, é mais correto falar em Zona da Frente Polar), que separa as águas gélidas circumpolares das mais amenas vindas do norte. Este limite muda ao longo do ano e com a latitude, podendo atingir os 50° S, mas em média é ao redor dos 58° S. Este é um limite útil pois coincide aproximadamente com a isoterma de 10 °C para o mês mais quente do ano (fevereiro).
       Pólo Sul Geográfico (latitude 90° S, não se dá a longitude pois todos os meridianos convergem neste pólo) É onde passa o eixo imaginário de rotação da Terra. Olhando para o céu na noite polar o observador verá as estrelas dando um giro completo de 360 graus sobre si em aproximadamente 23 horas e 56 minutos (o período de rotação da Terra). Este pólo não migra!
       Pólo Sul Magnético (em 2005 estava em 64,5° S, 137,8° E) É para onde a agulha da uma bússola aponta e onde o campo magnético é vertical. Este pólo pode migrar até 15 km por ano! Está atualmente no oceano Austral, ao sul da Austrália.
       Pólo Sul Geomagnético (em 2005 estava em 79,7° S, 108,2°E) O campo magnético terrestre é representado aproximadamente por um dipolo posicionado no centro do planeta. Onde o eixo desse dipolo corta a superfície do planeta é o pólo geomagnético.
       Os limites do Oceano Austral Definição oceanográfica: Área ao sul da Frente Polar Oceânica (31,8 milhões de km2 ). Definição oficial da Organização Hidrográfica Internacional: Área ao sul do paralelo 60° S (20,4 milhões de km2 ).

DADOS BIOGEOGRÁFICOS

 

Número de espécies de pingüins: 7 

ATENÇÃO: A vida antártica basicamente é restrita ao oceano Austral e a costa. Após algumas dezenas de quilômetros da costa, no interior do manto de gelo, só são encontrados alguns liquens e musgos nos raros afloramentos rochosos.

DADOS GEOGRÁFICOS ANTÁRTICOS

Área da Região Antártica

(Continente+Oceano Austral)                                                                                                 45,6 milhões de km2

Área coberta pelo Tratado da Antártica

(região ao sul do paralelo 60° S)                                                                                            34,2 milhões de km2

 CONTINENTE     
 ÁREAS     
 Área incluindo as plataformas de gelo    13,829,430 km2  
 Área excluindo as plataformas de gelo    12,272,800 km2  
 Área livre de gelo    44,890 km2  
 (menos de 0,4% da Antártica não é coberta por neve e gelo)     
 EXTENSÃO     
 Península Antártica    1,339 km  
 Montanhas Transantárticas    3,300 km  
 Extensão da costa    45,317 km  
 ELEVAÇÃO     
 Elevação média    1,958 m  
 (incluindo as plataformas de gelo)     
 Montanha mais alta (Maciço Vinson 78°35' S, 85°25' W)   4,892 m  
 Ponto mais alto na Península Antártica (Monte Jackson)    3,184 m  
 Ponto mais alto do manto de gelo (Domo A, 81° S, 77° E)    4,093 m  
 GELO     
 Espessura média (incluindo as plataformas de gelo)    1,829 m  
 Espessura máxima    4,776 m  
 Volume total    25,4 milhões km3  
 Nas plataformas de gelo    0,7 milhão km3  
 Na Península Antártica    0,1 milhão km3  
 Proporção do continente coberto por gelo    99,6%  
 Proporção do gelo do planeta na Antártica    90%  
 Proporção de água doce do planeta na forma de gelo antártico    70%  
 OCEANO AUSTRAL    
 Área ao sul da Frente Polar Oceânica    31,8 milhões de km2  
 Área mínima média coberta por mar congelado    3 milhões de km2  
 (gelo marinho)    
 Área máxima média coberta por mar congelado    18 milhões de km2  
 (gelo marinho)    
 TEMPERATURAS    
 Média na Estação Antártica Comandante Ferraz    -2,8 °C  
 Média no platô Antártico (Antártica Oriental)    -50 °C  
 Mínima absoluta (Estação Vostok, 78°28’ S, 106°48’ E)    -89,2 °C  
 PRECIPITAÇÃO    
 Nas ilhas Shetlands do Sul    120 cm de água por ano  
 Na estação Vostok    2 cm de água por ano  


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Figura 5. pesquisador lider da expedição Jefferson C. Simões

       Jefferson Cardia Simões é o primeiro glaciólogo brasileiro e dedica-se a estudar as variações do clima e da química da atmosfera a partir de amostras de neve e gelo andinos e antárticos, bem como o impacto das mudanças do clima nas geleiras e as possíveis conseqüências para o nível dos mares.
       Ele é um dos pesquisadores líderes do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) e já participou de 18 expedições no Ártico e na Antártica.
       Em novembro de 2004 foi o primeiro brasileiro a atravessar o continente antártico em uma expedição chilena, atingindo o Pólo Sul Geográfico por via terrestre.
       Simões obteve seu PhD em Glaciologia, em 1990, no Instituto de Pesquisa Polar Scott (Scott Polar Research Institute) da Universidade de Cambridge (Inglaterra). Seu pós-doutoramento foi realizado no Laboratoire de Glaciologie et Géophysique de l'Environnement du Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS (Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Ambiente do Centro Nacional de Pesquisa Científica) em Grenoble, França.
       Atualmente é professor de Geografia Polar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também orienta alunos de mestrado e doutorado.
       É pesquisador Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e membro de várias instituições nacionais e internacionais, entre elas o Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
       É consultor de vários grupos e instituições internacionais, a destacar a divisão de Programas Polares da Fundação Nacional de Ciências do EUA (NSF - National Science Foundation). Recentemente, participou como revisor de capítulos do Quarto Relatório do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças do Clima – IPCC da ONU, organização que em 2007 ganhou o prêmio Nobel da Paz.
       Simões, 50 anos, vive com a esposa Ingrid e dois filhos adolescentes em Porto Alegre/RS.

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Figura 6. Testemunhos de Gelo 

Pesquisador mostra os testemunhos de gelo após a coleta dos mesmos.