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movimento_foss
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movimento_foss [2008/03/28 00:36] (atual)
root criada
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 +<html>
 +<HEAD>
 + <META HTTP-EQUIV="CONTENT-TYPE" CONTENT="text/html; charset=utf-8">
 + <TITLE></TITLE>
 + <META NAME="GENERATOR" CONTENT="NeoOffice 2.0 Aqua Beta 3  (Unix)">
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 +</HEAD>
 +<P ALIGN=CENTER STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=4 STYLE="font-size: 16pt"><B>A
 +<I>rede de movimento</I> pol&iacute;tico-inform&aacute;tica: </B></FONT></FONT>
 +</P>
 +<P ALIGN=CENTER STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=4 STYLE="font-size: 16pt"><B>a
 +constitui&ccedil;&atilde;o do movimento de software livre no Brasil</B></FONT></FONT></P>
 +
 +<P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"><BR>
 +</P>
 +<P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"><BR>
 +</P>
 +<P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"><BR>
 +</P>
 +<OL>
 + <LI><P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></FONT></FONT></P>
 + <P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%"></P>
 +</OL>
 +<P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Existe
 +um recente conflito social em curso que diz respeito ao trabalho
 +sobre a informa&ccedil;&atilde;o   (por exemplo, a produ&ccedil;&atilde;o
 +de programas de computador). Com a consolida&ccedil;&atilde;o da
 +internet como um artefato cultural de alguns grupos sociais,
 +sobretudo t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos, instaurou-se uma disputa
 +em torno do controle de ferramentas inform&aacute;ticas (que
 +significa a capacidade de trabalho sobre elas e a sua
 +utiliza&ccedil;&atilde;o/imposi&ccedil;&atilde;o sob certas condi&ccedil;&otilde;es
 +arbitr&aacute;rias).</FONT></FONT></P>
 +
 +<P ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> A
 +id&eacute;ia de <I>tecnopol&iacute;tica<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote1anc" HREF="#sdfootnote1sym"><SUP>1</SUP></A>
 +</I>de Pierre L&eacute;vy pode servir para ilustrar um aspecto
 +fundamental deste conflito pela produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o
 +e consumo de tecnologias com o argumento de que n&atilde;o existe uma
 +ess&ecirc;ncia neutra das ferramentas inform&aacute;ticas. E que,
 +portanto, elas s&atilde;o moldada por uma s&eacute;rie de confrontos
 +sociais. Em uma dada ordem de discurso<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote2anc" HREF="#sdfootnote2sym"><SUP>2</SUP></A>,
 +certos acontecimentos podem nos servir de ponto de partida para a
 +an&aacute;lise da disputa acerca do que <I>as tecnologias s&atilde;o</I>,
 +assim como <I>elas devem ser trabalhadas</I> e aquilo que <I>elas
 +dever&atilde;o vir a ser</I> no futuro. </FONT></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Em 1984, um manifesto
 +redigido por um <I>hacker</I> norte-americano (Richard Stallman,
 +especialista em computa&ccedil;&atilde;o), ent&atilde;o pesquisador
 +do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), deu in&iacute;cio
 +a um movimento internacional de produtores de software (Projeto GNU)
 +que propunha uma economia cujo meio circulante fosse a informa&ccedil;&atilde;o,
 +manipulada livremente, segundo o manifesto<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote3anc" HREF="#sdfootnote3sym"><SUP>3</SUP></A>,
 +de forma colaborativa. A ascens&atilde;o deste movimento em escala
 +global pode ser considerada um dos marcos fundamentais do processo de
 +luta pela modelagem de ferramentas inform&aacute;ticas, justamente
 +por colocar em jogo novas formas de trabalho em contraposi&ccedil;&atilde;o
 +ao modelo corporativo (dominado por empresas com a Microsoft, Dell,
 +Hewlett and Packard, entre outras).  </FONT></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Um acontecimento no
 +movimento de software livre que deitou ra&iacute;zes no Brasil trouxe
 +a tona (tornou vis&iacute;vel uma tem&aacute;tica em detrimento de
 +outras tantas poss&iacute;veis) um conflito bastante expressivo. Este
 +acontecimento<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote4anc" HREF="#sdfootnote4sym"><SUP>4</SUP></A>
 +colocou em rela&ccedil;&atilde;o direta a corpora&ccedil;&atilde;o
 +Microsoft (com seus representantes brasileiros), a chamada comunidade
 +de software livre e a corpora&ccedil;&atilde;o IBM diante do problema
 +da objetiva&ccedil;&atilde;o do trabalho sobre a informa&ccedil;&atilde;o.
 +Em outros termos, poder&iacute;amos afirmar que estes grupos disputam
 +entre si modelos de produ&ccedil;&atilde;o, licenciamento e
 +distribui&ccedil;&atilde;o de programas de computador, remetendo a
 +diferentes concep&ccedil;&otilde;es em torno da organiza&ccedil;&atilde;o
 +do trabalho e, em n&iacute;vel mais abstrato, &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es
 +entre tecnologias e sociedades, <I>sujeitos de tecnologia e sujeitos
 +da tecnologia</I>. As pol&iacute;ticas do ITI-BR (instituto de
 +tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o do governo federal brasileiro)
 +em favorecimento da implementa&ccedil;&atilde;o de software livre nos
 +
 +&oacute;rg&atilde;os do governo fez com que a Microsoft se
 +pronunciasse publicamente, reclamando ao governo “neutralidade”
 +para tratar de quest&otilde;es tecnol&oacute;gicas. Este evento
 +tornou p&uacute;blica e not&oacute;ria a oposi&ccedil;&atilde;o entre
 +estes agentes inform&aacute;ticos no Brasil: de um lado, o modelo de
 +uma economia de software livre nascente, de outro, a continuidade de
 +um modelo corporativo de venda de softwares fechados. </FONT></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> No entanto, o atual
 +estado da luta entre as l&oacute;gicas livre e corporativa tornou
 +nebulosa a fronteira entre as diferentes formas de discursivizar e
 +promover uma economia da informa&ccedil;&atilde;o (entendida aqui
 +especificamente como produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o
 +e consumo de ferramentas inform&aacute;ticas). Este ensaio tem por
 +objetivo esbo&ccedil;ar uma reflex&atilde;o acerca das formas de
 +organiza&ccedil;&atilde;o do movimento de software livre no Brasil e
 +perceber quais s&atilde;o as estrat&eacute;gias discursivas
 +mobilizadas para constituir/romper/manter os la&ccedil;os de
 +sociabilidade em rede do grupo. O movimento de software livre no
 +Brasil &eacute; entendido aqui como um ator coletivo heterog&ecirc;neo
 +fundamental no processo de consolida&ccedil;&atilde;o da sociedade da
 +informa&ccedil;&atilde;o no Brasil. A nossa hip&oacute;tese de
 +trabalho &eacute; a de que este movimento tornou-se  respons&aacute;vel
 +pela forma&ccedil;&atilde;o de uma cultura t&eacute;cnico-pol&iacute;tica,
 +ao estabelecer pontos de contato entre o mundo t&eacute;cnico-inform&aacute;tico
 +e o pol&iacute;tico profissional/institucional.</FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<BR>
 +</P>
 +<OL START=2>
 + <LI><P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 + <FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B>O movimento de
 + software livre como <I>rede de movimento</I></B></FONT></FONT></P>
 +</OL>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Os anos 70 marcam o
 +per&iacute;odo de <SPAN LANG="pt-BR">reavalia&ccedil;&atilde;o</SPAN>
 +
 +te&oacute;rica no dom&iacute;nio das discuss&otilde;es sobre a&ccedil;&atilde;o
 +coletiva. Esta reavalia&ccedil;&atilde;o foi feita no contexto de
 +“<I>forma&ccedil;&atilde;o de uma nova esfera de conflitos que
 +pertence especificamente &agrave;s sociedades p&oacute;s-industriais</I>”
 +(Melucci, 1989). A reformula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica deste
 +momento teve por objetivo acompanhar as modifica&ccedil;&otilde;es
 +ocorridas no padr&atilde;o organizacional dos movimentos, verificada
 +empiricamente:</FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> “<I>A situa&ccedil;&atilde;o
 +normal do 'movimento' hoje &eacute; ser uma rede de pequenos
 +grupos imersos na vida cotidiana que requerem um envolvimento
 +pessoal na experimenta&ccedil;&atilde;o e na pr&aacute;tica da
 + inova&ccedil;&atilde;o cultural [...] A nova forma
 +organizacional dos movimentos contempor&acirc;neos n&atilde;o &eacute;
 +<SPAN LANG="pt-BR">exatamente</SPAN> instrumental em seus
 +objetivos [...] A forma do movimento &eacute; uma mensagem, um
 +desafio simb&oacute;lico aos padr&otilde;es dominantes</I>”.
 + (Melucci, 1989: 62)</FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> A constata&ccedil;&atilde;o
 +feita por Melucci &eacute; a de que se faz necess&aacute;rio
 +reformular a estrutura te&oacute;rica de an&aacute;lise. E, neste
 +sentido, o autor prop&otilde;e que a categoria <I>movimento social
 +</I><SPAN STYLE="font-style: normal">seja redefinida como </SPAN><I>sistema
 +de a&ccedil;&atilde;o, </I><SPAN STYLE="font-style: normal">baseado
 +na solidariedade (o fato de os seus membros compartilharem de uma
 +mesma identidade, de um mesmo conjunto de s&iacute;mbolos e
 +significados), no conflito (na medida em que envolve agentes opostos
 +que lutam pelos mesmos recursos) e com vistas a romper os limites do
 +sistema em que ocorre a a&ccedil;&atilde;o coletiva. </SPAN></FONT></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><SPAN STYLE="font-style: normal"> A
 +id&eacute;ia de uma</SPAN><I> rede de movimento</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +utilizada pelo autor &eacute; particularmente interessante para o
 +nosso objeto de estudo, uma vez que o movimento de software livre
 +desenvolve suas a&ccedil;&otilde;es fundamentalmente atrav&eacute;s
 +da internet (grande parte de seus agentes trabalha desenvolvendo a
 +tecnologia infra-estrutural da rede mundial de computadores). </SPAN></FONT></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><SPAN STYLE="font-style: normal"> Melucci
 +tamb&eacute;m faz eco &agrave; proposi&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica
 +de Marshall McLuhan (</SPAN><I>o meio &eacute; a mensagem</I><SPAN STYLE="font-style: normal">)
 +atrav&eacute;s da met&aacute;fora de um movimento social que seria,
 +em si, um meio-mensagem-que-comunica. Isto &eacute; particularmente
 +
 +&uacute;til tamb&eacute;m para a nossa reflex&atilde;o sobre o
 +movimento de software livre brasileiro. Em suas pr&oacute;prias
 +pr&aacute;ticas de produ&ccedil;&atilde;o de ferramentas, ele informa
 +aos dom&iacute;nios pol&iacute;tico-<SPAN LANG="pt-BR">institucional</SPAN>
 +e empresarial um novo modelo de economia da informa&ccedil;&atilde;o,
 +baseado na </SPAN><I>perspectiva da d&aacute;diva</I><SPAN STYLE="font-style: normal">.
 +</SPAN> </FONT></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Faz-se necess&aacute;rio,
 +antes de avan&ccedil;armos na discuss&atilde;o das caracter&iacute;sticas
 +pertinentes ao movimento de software livre, nos interrogarmos sob que
 +condi&ccedil;&otilde;es esta efervesc&ecirc;ncia cultural de t&eacute;cnicos
 +em inform&aacute;tica, estudantes/professores e pol&iacute;ticos
 +profissionais constitui de fato um <I>movimento de software livre</I>
 +no Brasil. A este respeito, Melucci, com o objetivo de estudar
 +movimentos sociais em sociedades complexas (Melucci, 2001),
 +prop&otilde;e-nos alguns princ&iacute;pios que deveriam ser
 +satisfeitos para que um movimento “empiricamente verificado”
 +pudesse servir para um trabalho anal&iacute;tico. Fa&ccedil;amos,
 +pois, a discuss&atilde;o de cada um desses princ&iacute;pios. </FONT></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=LEFT STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B><SPAN STYLE="font-style: normal">2.1.</SPAN><I>
 +Um movimento social n&atilde;o &eacute; a resposta a uma crise, mas a
 +express&atilde;o de um conflito</I></B></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=CENTER STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Em uma franca oposi&ccedil;&atilde;o
 +a duas &ecirc;nfases tradicionais<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote5anc" HREF="#sdfootnote5sym"><SUP>5</SUP></A>
 +(estrutural/objetivista e “subjetivista/motivacional”), Melucci
 +procura afastar a id&eacute;ia de que os movimentos sociais seriam
 +manifesta&ccedil;&otilde;es de uma patologia social ou de uma
 +contradi&ccedil;&atilde;o inerente ao funcionamento do sistema
 +s&oacute;cio-econ&ocirc;mico. </FONT></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Existem lutas que s&atilde;o
 +travadas atualmente no &acirc;mbito da economia da informa&ccedil;&atilde;o
 +(entendida como produ&ccedil;&atilde;o, consumo e distribui&ccedil;&atilde;o
 +de tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o). O movimento de software
 +livre &eacute; composto por uma s&eacute;rie de subgrupos que est&atilde;o
 +engajados na disputa em torno do modelo de economia de informa&ccedil;&atilde;o.
 +Por exemplo, a Funda&ccedil;&atilde;o de Software Livre (FSF – Free
 +Software Foundation) est&aacute; na ra&iacute;z desta disputa contra
 +o modelo corporativo (cujo foco reside em um modo centralizado de
 +produ&ccedil;&atilde;o, altamente hierarquizado e organizado para a
 +constru&ccedil;&atilde;o de ferramentas a ser em <I>emprestadas<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote6anc" HREF="#sdfootnote6sym"><SUP>6</SUP></A></I>
 +
 +para os usu&aacute;rios mediante pagamento).  </FONT></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><I><B>2.2. Um movimento
 +social &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o coletiva cuja orienta&ccedil;&atilde;o
 +comporta solidariedade, manifesta um conflito e implica a ruptura dos
 +limites de compatibilidade do sistema ao qual a a&ccedil;&atilde;o se
 +refere</B></I></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3><FONT SIZE=3><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"> Ainda
 +sobre a FSF, a sua proposta de software livre est&aacute; em conflito
 +com o mercado de software corporativo vigente. Um elemento
 +fundamental distintivo dos dois modelos em disputa &eacute; o sistema
 +de licenciamento. A Microsoft, por exemplo, trabalha com a EULA (<I>end
 +user license agreement</I>) que pro&iacute;be o compartilhamento das
 +pe&ccedil;as de software com outras pessoas e impede a visualiza&ccedil;&atilde;o
 +do c&oacute;digo-fonte dos programas. A licen&ccedil;a de software
 +livre (GPL), pelo contr&aacute;rio, coloca-se na contram&atilde;o do
 +modelo corporativo ao fazer a defesa da livre circula&ccedil;&atilde;o
 +das informa&ccedil;&otilde;es e da necessidade de abertura e
 +publiciza&ccedil;&atilde;o dos c&oacute;digos dos programas.</FONT></FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Em termos mais amplos,
 +a solidariedade do movimento de software livre se manifesta na ades&atilde;o
 +de seus agentes a certos postulados b&aacute;sicos interdependentes,
 +sem se resumir a eles: 1) <I>o conhecimento deve ser livre</I>; 2)
 +<I>n&atilde;o se deve impedir as pessoas de terem acesso as
 +informa&ccedil;&otilde;es</I>; 3) <I>compartilhar <SPAN LANG="pt-BR">informa&ccedil;&otilde;es</SPAN>
 +serve para ajudar a seus vizinhos</I>; 4) <I>a quest&atilde;o moral
 +do compartilhamento de informa&ccedil;&atilde;o precede a quest&atilde;o
 +inform&aacute;tica</I>. Outros sinais de ades&atilde;o dos membros da
 +comunidade de software livre materializa-se em s&iacute;mbolos como o
 +
 +<SPAN LANG="pt-BR">ping&uuml;im</SPAN> do sistema operacional
 +GNU/Linux e o C invertido da licen&ccedil;a GPL (copyleft). Os
 +s&iacute;mbolos e significados em torno da <I>Liberdade</I> s&atilde;o
 +marcas distintivas do movimento, sinais de uma identidade
 +constantemente fabricada, visto que a todo momento ela est&aacute;
 +sendo acionada tanto para defender a causa do software livre como
 +para fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o de conjuntura, na qual
 +<I>lamenta-se</I> que <I>o presente</I> esteja dominado pela l&oacute;gica
 +corporativa e sugere-se que muitos esfor&ccedil;os deveriam ser
 +mobilizados para que <I>o futuro</I> viesse a ser <I>livre</I>. </FONT></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> Nos EUA, onde o
 +movimento de software livre nasceu e no Brasil, onde ele come&ccedil;ou
 +a ganhar express&atilde;o nacional, as correla&ccedil;&otilde;es de
 +for&ccedil;a as quais se submetem os agentes do movimento (ou <I>dos
 +movimentos</I>) s&atilde;o bastante diferenciadas. Uma caracter&iacute;stica
 +interessante do movimento de software livre no Brasil &eacute; o sua
 +penetra&ccedil;&atilde;o em &oacute;rg&atilde;os do governo federal,
 +e a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas
 +pr&oacute;-software livre<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote7anc" HREF="#sdfootnote7sym"><SUP>7</SUP></A>.
 +Este fato n&atilde;o ocorre nos Estados Unidos, onde as manifesta&ccedil;&otilde;es
 +p&uacute;blicas normalmente se endere&ccedil;am &agrave;s grandes
 +corpora&ccedil;&otilde;es inform&aacute;ticas e o contato com a
 +esfera pol&iacute;tica <SPAN LANG="pt-BR">institucional</SPAN> &eacute;
 +
 +raro.</FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B>2.3.</B> <B><I>O
 +campo anal&iacute;tico da a&ccedil;&atilde;o de um movimento social
 +depende do sistema de rela&ccedil;&otilde;es no qual tal a&ccedil;&atilde;o
 +coletiva se situa e a qual se refere</I></B></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3> A recomenda&ccedil;&atilde;o de Melucci neste item &eacute;
 +a de evitar analisar os movimentos sociais em suas manifesta&ccedil;&otilde;es
 +emp&iacute;ricas (lugares institucionais, protestos localizados,
 +etc.), para empreender um estudo das condi&ccedil;&otilde;es de
 +possibilidade destas manifesta&ccedil;&otilde;es empiricamente
 +constatadas. Ou seja, os sistemas de refer&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o
 +coletiva devem ser entendidos como estruturas anal&iacute;ticas, como
 +formas espec&iacute;ficas de rela&ccedil;&otilde;es sociais (Melucci,
 +2001:18). </FONT>
 +</P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3><FONT SIZE=3><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"> Para
 +retomarmos a discuss&atilde;o do fim do item anterior, a id&eacute;ia
 +de um <I>movimento </I><SPAN STYLE="font-style: normal">de software
 +livre no Brasil, a defesa, que parte dos pr&oacute;prios agentes
 +inform&aacute;ticos, da exist&ecirc;ncia de um </SPAN><I>movimento </I><SPAN STYLE="font-style: normal">&eacute;
 +sintoma da presen&ccedil;a de um elemento que estabelece a diferen&ccedil;a
 +entre a estrat&eacute;gia global (o movimento de software livre que
 +partiu dos Estados Unidos e se internacionalizou) e a constru&ccedil;&atilde;o
 +de t&aacute;ticas locais (a cria&ccedil;&atilde;o de grupos de defesa
 +do software livre no Brasil e em outras partes do mundo, como a
 +
 +&Aacute;frica). Quer dizer, no Brasil, o movimento, em suas diversas
 +facetas, estabelece liga&ccedil;&otilde;es com o governo federal,
 +governo dos estados e prefeituras, fato que revela a tend&ecirc;ncia
 +a uma hibridiza&ccedil;&atilde;o discursiva e pr&aacute;tica: s&atilde;o
 +mesclados os saberes e as pr&aacute;ticas informacionais dos </SPAN><I>hackers</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +e dos agentes governamentais em alguma medida. Em termos de
 +estrat&eacute;gia global, em contraste, o movimento de software livre
 +no Estados Unidos caracteriza-se por um forte apelo liberal (todas as
 +decis&otilde;es e o avan&ccedil;o do movimento se fazem para al&eacute;m
 +da inst&acirc;ncia pol&iacute;tico<SPAN LANG="pt-BR">-institucional;</SPAN>
 +
 +em alguns casos, a interfer&ecirc;ncia governamental n&atilde;o &eacute;
 +vista como positiva em se tratando de economia </SPAN><I>livre</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +de software<A CLASS="sdfootnoteanc" NAME="sdfootnote8anc" HREF="#sdfootnote8sym"><SUP>8</SUP></A></SPAN></FONT></FONT>).
 +Portanto, ter&iacute;amos duas tend&ecirc;ncias que n&atilde;o
 +coincidem: a da promo&ccedil;&atilde;o de software livre que prop&otilde;e
 +a agenda tecnol&oacute;gica do governo brasileiro e a tend&ecirc;ncia
 +global (norte-americana) que influencia as pr&aacute;ticas/os
 +discursos em diversas partes do mundo mas se revela como produto de
 +outro conjunto de rela&ccedil;&otilde;es sist&ecirc;micas.</FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3><FONT SIZE=3><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"> Em suma,
 +existiria um sistema de refer&ecirc;ncia b&aacute;sico a sustentar o
 +movimento de software livre em todas as suas manifesta&ccedil;&otilde;es
 +emp&iacute;ricas: o sistema mobilizador de uma <I>economia da d&aacute;diva</I>,
 +na qual o compartilhamento dos softwares garante a <I>status</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +dos agentes do grupo (aquele que fornece o pe&ccedil;a de software
 +mais importante, garante para si o lugar de maior prest&iacute;gio na
 +comunidade de produtores de software livre).</SPAN></FONT></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> </FONT></FONT></P>
 +<OL START=3>
 + <LI><P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 100%">
 + <FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B>A rede de movimento:
 + rede de discursos e pr&aacute;ticas</B></FONT></FONT></P>
 +</OL>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3> <SPAN STYLE="font-weight: medium">Ao longo dos anos 70
 +no Brasil, uma nova configura&ccedil;&atilde;o foi assumida pelos
 +movimentos sociais. Produto da crise das institui&ccedil;&otilde;es,
 +sindicatos burocratizados e o fechamento do Estado em fun&ccedil;&atilde;o
 +da ditadura militar, a “sociedade civil” foi revitalizada com a
 +emerg&ecirc;ncia de novos personagens pol&iacute;ticos. Eder Sader
 +foi o autor respons&aacute;vel pela investiga&ccedil;&atilde;o das
 +condi&ccedil;&otilde;es de surgimento das novas formas organizativas
 +que vieram a tona. </SPAN></FONT>
 +
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3> Como j&aacute; mencionamos sobre a contribui&ccedil;&atilde;o
 +de Melucci, os trabalhos te&oacute;ricos sobre a a&ccedil;&atilde;o
 +coletiva nos anos 80 j&aacute; n&atilde;o podiam utilizar-se dos
 +referenciais do per&iacute;odo anterior. As mudan&ccedil;as ocorridas
 +ao longo dos anos 70 transformaram o formato das organiza&ccedil;&otilde;es
 +pol&iacute;ticas de contesta&ccedil;&atilde;o em m&uacute;ltiplos
 +aspectos. No Brasil, o trabalho de Eder Sader revelou-se inovador
 +pela proposi&ccedil;&atilde;o de um novo caminho
 +t&eacute;orico-metodol&oacute;gico.</FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3> Parece-nos interessante reter do trabalho de Sader a
 +discuss&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre linguagem e
 +sociedade. A sua defini&ccedil;&atilde;o de matriz discursiva nos
 +permite investigar os processos de constitui&ccedil;&atilde;o/manuten&ccedil;&atilde;o
 +identit&aacute;ria a partir da filia&ccedil;&atilde;o dos agentes a
 +certas redes de enunciados (redes de discurso que
 +estabelecem/transformam/refor&ccedil;am as fronteiras sociais de um
 +grupo). </FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium; line-height: 100%">
 +
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3> “<I>O discurso que
 +revela a a&ccedil;&atilde;o revela tamb&eacute;m o seu sujeito. A
 + linguagem faz parte das institui&ccedil;&otilde;es culturais com
 +que nos encontramos ao sermos socializados. &Eacute; na verdade a
 +primeira institui&ccedil;&atilde;o cultural e que d&aacute; o
 +molde primordial atrav&eacute;s do qual daremos forma a qualquer
 +de nossos impulsos. Ela &eacute; condi&ccedil;&atilde;o tanto no
 +sentido de que nos “condiciona”, quanto no sentido de que
 +constitui um meio para alcan&ccedil;armos outras realidades,
 +ainda n&atilde;o dadas</I>” (p. 57 – Quando novos
 + personagens entram em cena)</FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<OL START=3>
 + <OL>
 + <LI><P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 100%">
 + <FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B>Posi&ccedil;&otilde;es
 + discursivas sobre a quest&atilde;o do software (livre e
 + propriet&aacute;rio)</B></FONT></FONT></P>
 + </OL>
 +</OL>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3> Com base na reflex&atilde;o sobre as matrizes
 +discursivas, organizamos um conjunto de textos a partir de um
 +acontecimento em que emergiu um conflito aberto entre a comunidade de
 +software livre e os representantes brasileiros da corpora&ccedil;&atilde;o
 +Microsoft. Poder&iacute;amos antecipar a an&aacute;lise destes textos
 +com a afirma&ccedil;&atilde;o de que se distribuem neles todos tr&ecirc;s
 +posi&ccedil;&otilde;es-sujeito b&aacute;sicas: a) a <I>comunit&aacute;ria</I>
 +
 +“livre” para a qual a quest&atilde;o da liberdade dos programas
 +de computador &eacute; condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade de um
 +trabalho sobre a informa&ccedil;&atilde;o; quer dizer, a determina&ccedil;&atilde;o
 +qualitativa “livre” &eacute; uma das regularidades que incidem
 +sobre os objetos discursivos desta posi&ccedil;&atilde;o; b) a
 +<I>corporativa-comunit&aacute;ria</I> (IBM) para a qual o modelo de
 +software livre &eacute; bom para os neg&oacute;cios pela sua
 +flexibilidade – o <I>software livre </I>como objeto em disputa
 +liga-se no discurso da IBM a uma outra rede de enunciados e dissipa a
 +regularidade da determina&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o
 +discursiva “livre”; c) e a <I>corporativa tradicional</I> para a
 +qual o software/programa de computador &eacute; <I>obviamente
 +
 +</I>propriet&aacute;rio, na <I>justa</I> medida em que &eacute;
 +produto de um trabalho que deve ser protegido. Estas tr&ecirc;s
 +posi&ccedil;&otilde;es centrais possuem deriva&ccedil;&otilde;es,
 +outras posi&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas desdobram-se a
 +partir da centralidade destas posi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas. </FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +
 +<FONT SIZE=3> Ao pensarmos nos lugares de enuncia&ccedil;&atilde;o
 +poss&iacute;veis, faz-se necess&aacute;rio descrevermos tamb&eacute;m
 +a que conjunto de pr&aacute;ticas (em um &acirc;mbito institucional)
 +eles correspodem. Vejamos alguns exemplos:</FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 150%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=LEFT STYLE="text-indent: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 +“<FONT SIZE=3><I>Como em livre empresa e livre discurso, o “livre”
 +(free, que em ingl&ecirc;s tamb&eacute;m quer dizer gr&aacute;tis)
 +em “software livre” refere-se a liberdade, n&atilde;o a
 +pre&ccedil;o. Isso significa que se tem a liberdade para estudar,
 +mudar e redistribuir o software que usa: o cidad&atilde;o ajuda a
 +si mesmo e aos outros e, assim, participa da comunidade”.
 +
 +</I><SPAN STYLE="font-style: normal">(Richard Stallman - Em Busca dos
 + Ideais da Independ&ecirc;ncia – 2000)</SPAN></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="text-indent: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 +<FONT SIZE=2> </FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="text-indent: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 + <FONT SIZE=3> </FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="text-indent: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 +“<FONT SIZE=3><I>Com certeza o movimento do software livre &eacute;
 +de grande import&acirc;ncia, pois afeta a estrutura da ind&uacute;stria
 +de software, e obriga a revis&atilde;o de algumas pr&aacute;ticas
 +comerciais de licenciamento. J&aacute; vemos claras mudan&ccedil;as
 +na pr&oacute;pria maneira como o software passa a ser distribu&iacute;do
 +e remunerado</I>”. (<FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR">Cezar
 +Taurion – IBM – entrevista em </SPAN></FONT></FONT></FONT><FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR">05/05/2005).</SPAN></FONT></FONT></FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="text-indent: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="text-indent: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 +“<FONT SIZE=3><I>Nossa perspectiva &eacute; a da neutralidade
 +tecnol&oacute;gica. Pensamos que o consumidor --nesse caso, os
 +diferentes &oacute;rg&atilde;os de governo-- tem a possibilidade
 +de colocar em disputa as diferentes ofertas de empresas, o que
 +dar&aacute; um melhor retorno aos investimentos do governo.
 +Pensamos que passar uma lei ou decreto que obrigue a compra de
 +software de um tipo ou de outro &eacute; algo que deixa de
 +beneficiar o governo e levar&aacute; a uma redu&ccedil;&atilde;o
 +da competi&ccedil;&atilde;o e, portanto, promover&aacute; custos
 +mais altos e solu&ccedil;&otilde;es inferiores do que se houvesse
 +mais empresas competindo</I>”. (Eugenio Beaufrand – Microsoft
 +Am&eacute;rica Latina – entrevista em <FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR">28/04/2005).</SPAN></FONT></FONT></FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3><FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR"> <SPAN LANG="pt-BR">Faz</SPAN>-se
 +necess&aacute;rio conceber as pr&aacute;ticas de discurso como
 +pr&aacute;ticas que sustentam outras a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas
 +e vice-<SPAN LANG="pt-BR">versa</SPAN> – com a id&eacute;ia
 +aproximada de que o <I>discurso &eacute; constitutivo do social. </I>Dos
 +tr&ecirc;s excertos acima, podemos deduzir tr&ecirc;s modelos de
 +trabalho sobre a informa&ccedil;&atilde;o que incidem sobre
 +diferentes objetiva&ccedil;&otilde;es do que <I>o software <SPAN LANG="pt-BR">&eacute;.</SPAN>
 +
 +</I>Quer dizer, para um grupo de agentes, os programas de computador
 +devem ser livres para circularem e estabelecerem la&ccedil;os
 +cooperativos entre seu grupo de produtores, para outro grupo, devem
 +servir para impulsionar um novo modelo de neg&oacute;cios em &acirc;mbito
 +corporativo <SPAN LANG="pt-BR">concorrencial</SPAN>, ou, ainda, para
 +outro grupo &eacute; preciso colocar em igualdade de termos todos os
 +modelos de software para equilibrar as disputas entre eles (atrav&eacute;s
 +de inst&acirc;ncias pol&iacute;tico-institucionais).</SPAN></FONT></FONT></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT COLOR="#000000"> </FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-left: 4.95cm; margin-bottom: 0cm">
 +
 +“<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><I>Essa id&eacute;ia
 +contrasta com o mais comum dos softwares propriet&aacute;rios, que
 +<SPAN LANG="pt-BR">mant&eacute;m</SPAN> usu&aacute;rios sem ajuda e
 +divididos: o trabalho interno &eacute; secreto, &eacute; proibido
 +compartilhar o programa com o vizinho. N&atilde;o podemos estabelecer
 +uma comunidade numa terra de software-propriet&aacute;rio, onde cada
 +programa tem um senhor</I> [...] <I>A Microsoft certamente quer os
 +benef&iacute;cios do nosso c&oacute;digo, sem as responsabilidades. E
 +tem um prop&oacute;sito mais espec&iacute;fico ao atacar o GNU GPL:
 +ela &eacute; mais conhecida pela imita&ccedil;&atilde;o do que pela
 +inova&ccedil;&atilde;o. Quando faz algo novo, seu prop&oacute;sito &eacute;
 +
 +estrat&eacute;gico – e n&atilde;o &eacute; aperfei&ccedil;oar a
 +computa&ccedil;&atilde;o para seus usu&aacute;rios, mas fechar
 +alternativas para eles</I>”. (Richard Stallman - Em Busca dos
 +Ideais da Independ&ecirc;ncia – 2000).</FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm"><BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-left: 5.03cm; margin-bottom: 0cm">
 +<FONT COLOR="#000000">“<FONT SIZE=3><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><I>Entendemos
 +que o modelo de software livre vai transformar a ind&uacute;stria de
 +software, mas n&atilde;o de maneira uniforme. Em nossa opini&atilde;o,
 +
 +<SPAN LANG="pt-BR">conviveremos</SPAN> sob ambos modelos, softwares
 +livres e propriet&aacute;rios, e cabe &agrave; ind&uacute;stria e aos
 +usu&aacute;rios extrair o melhor das alternativas dispon&iacute;veis
 +[...] Para a IBM, software livre &eacute; uma estrat&eacute;gia de
 +neg&oacute;cios aderente &agrave; vis&atilde;o <SPAN LANG="pt-BR">on</SPAN>-<SPAN LANG="pt-BR">demand.</SPAN>
 +
 +Todos os nossos hardwares <SPAN LANG="pt-BR">suportam</SPAN> Linux e
 +todos os principais softwares j&aacute; t&ecirc;m vers&atilde;o para
 +Linux</I>”. </FONT></SPAN></FONT></FONT></FONT><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L">(</FONT><FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L">Cezar
 +Taurion – IBM – entrevista em </FONT></SPAN></FONT></FONT></FONT><FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L">05/05/2005)</FONT></SPAN></FONT></FONT></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-left: 6.35cm; text-indent: 1.27cm; margin-bottom: 0cm">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-left: 4.97cm; margin-bottom: 0cm">
 +
 +<FONT COLOR="#000000">“<FONT SIZE=3><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR"><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><I>Fatos
 +sobre <SPAN LANG="pt-BR">Windows</SPAN> e Linux - companhias l&iacute;deres
 +e analistas independentes confirmam: o <SPAN LANG="pt-BR">windows</SPAN>
 +tem um custo total de propriedade menor do que o Linux, e um
 +desempenho superior. Microsoft – Softwares que agilizam neg&oacute;cios</I>”
 +(p&aacute;gina de internet  Microsoft Brasil -
 +<SPAN LANG="pt-BR">www.microsoft.com</SPAN>/<SPAN LANG="pt-BR">brasil</SPAN>/<SPAN LANG="pt-BR">technet</SPAN>/).
 +
 +</FONT></SPAN></FONT></FONT></FONT></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm"><BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3><FONT COLOR="#000000"><FONT FACE="Times New Roman, serif"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR"> Todas
 +estas manifesta&ccedil;&otilde;es discursivas <SPAN LANG="pt-BR">trabalham</SPAN>
 +com um conjunto de evid&ecirc;ncias pr&eacute;-constru&iacute;das
 +relacionadas com as <I>realidades pr&aacute;ticas</I> de cada grupo
 +de agentes que se faz sujeito das <SPAN LANG="pt-BR">discursividades</SPAN>
 +
 +em quest&atilde;o. Para o grupo comunit&aacute;rio, a quest&atilde;o
 +do “compartilhamento da informa&ccedil;&atilde;o” precede o
 +momento de mercado, de disputa entre as ofertas de software. Para os
 +grupos corporativos, a IBM, apostando no software livre, e a
 +Microsoft, negando o “compartilhamento de informa&ccedil;&atilde;o”,
 +est&aacute; em jogo o investimento em diferenciais competitivos que
 +<SPAN LANG="pt-BR">dizem</SPAN> respeito diretamente ao dom&iacute;nio
 +de pr&aacute;ticas sobre a informa&ccedil;&atilde;o. De um lado, o
 +software &eacute; “livre” <I>necessariamente</I> e por outro &eacute;
 +
 +“propriet&aacute;rio” <I>obviamente</I> – ou o trabalho se
 +organiza de forma <SPAN LANG="pt-BR">colaborativa</SPAN> guiado por
 +uma economia da d&aacute;diva, ou ele se organiza de acordo com uma
 +economia de mercado com vistas a acumula&ccedil;&atilde;o.</SPAN></FONT></FONT></FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<OL START=4>
 + <LI><P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 100%">
 +
 + <FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B>Considera&ccedil;&otilde;es
 + Finais</B></FONT></FONT></P>
 +</OL>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%">
 +<FONT SIZE=3><FONT SIZE=3><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><SPAN STYLE="font-style: normal"><B> </B><SPAN STYLE="font-weight: medium">No
 +atual estado da luta em torno do trabalho sobre a informa&ccedil;&atilde;o,
 +o processo mais evidente &eacute; o de </SPAN></SPAN><SPAN STYLE="font-weight: medium"><I>hibridiza&ccedil;&atilde;o</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +
 +dos grupos sociais em confronto. De forma embrion&aacute;ria no
 +Brasil, o movimento de software livre come&ccedil;ou a encaminhar
 +resolu&ccedil;&otilde;es de conflitos latentes. Durante o per&iacute;odo
 +que <SPAN LANG="pt-BR">antecedeu</SPAN> o &uacute;ltimo f&oacute;rum
 +de software livre (junho de 2005), o significante </SPAN><I>livre</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +bastou para <SPAN LANG="pt-BR">reativar</SPAN> os v&iacute;nculos
 +necess&aacute;rios no campo de mem&oacute;ria discursiva do
 +movimento, a saber, a necessidade de um software </SPAN><I>livre</I><SPAN STYLE="font-style: normal">,
 +para uma comunidade </SPAN><I>livre</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +
 +composta por </SPAN><I>hackers</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +livres. O momento atual, transcorridos seis anos desde o lan&ccedil;amento
 +da proposta de um movimento </SPAN><I><SPAN LANG="pt-BR">Open</SPAN>
 +<SPAN LANG="pt-BR">Source</SPAN></I><SPAN STYLE="font-style: normal">,
 +&eacute; o de uma profunda cis&atilde;o no interior do movimento
 +internacional de software livre. Agora, a quest&atilde;o da </SPAN><I>liberdade</I><SPAN STYLE="font-style: normal">
 +est&aacute; vinculada uma outra express&atilde;o que &eacute; sintoma
 +de uma nova orienta&ccedil;&atilde;o discursiva, a </SPAN><I>escolha.</I></SPAN></FONT></FONT></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; font-weight: medium; line-height: 150%">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><B> </B>Em rela&ccedil;&atilde;o
 +ao nosso caminho te&oacute;rico-metodol&oacute;gico, parece-nos que o
 +grupo (e os subgrupos) de agentes de software livre cumpre as
 +exig&ecirc;ncias te&oacute;ricas de Melucci para uma an&aacute;lise
 +de <I>movimentos sociais como categoria anal&iacute;tica</I>. No
 +entanto, para este ensaio, deixamos em suspenso uma s&eacute;rie de
 +questionamentos que nos levariam a problematizar e a aprofundar a
 +identifica&ccedil;&atilde;o que <SPAN LANG="pt-BR">fizemos</SPAN> dos
 +crit&eacute;rios de Melucci com as evid&ecirc;ncias que hav&iacute;amos
 +observados em campo. Desta primeira experi&ecirc;ncia de trabalho,
 +
 +<SPAN LANG="pt-BR">obtivemos</SPAN>, com certeza, uma maior clareza
 +dos contornos dos subgrupos que <SPAN LANG="pt-BR">comp&otilde;em</SPAN>
 +o movimento de software livre brasileiro. A escolha da abordagem
 +discursiva relacionada ao problema da an&aacute;lise de redes sociais
 +tamb&eacute;m revelou-se bastante produtiva. Com ela, <SPAN LANG="pt-BR">conseguimos</SPAN>
 +articular o dom&iacute;nio de pr&aacute;ticas sociais, no &acirc;mbito
 +do trabalho sobre a informa&ccedil;&atilde;o sob a perspectiva da
 +reciprocidade, e o dom&iacute;nio de pr&aacute;ticas discursivas que
 +tamb&eacute;m acenavam para redes de enunciados e significados (e,
 +por conseguinte, de sujeitos-agentes). Cumpre, pois, realizamos, em
 +um trabalho futuro, an&aacute;lises de maior f&ocirc;lego para
 +
 +<SPAN LANG="pt-BR">conteplarmos</SPAN> todas as facetas deste
 +fen&ocirc;meno da a&ccedil;&atilde;o coletiva para o qual esbo&ccedil;amos
 +apenas algumas descri&ccedil;&otilde;es de superf&iacute;cie.  </FONT></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 150%">
 +<BR>
 +</P>
 +<OL START=5>
 + <LI><P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; font-style: normal; line-height: 150%">
 + <FONT SIZE=3><B>Bibliografia</B></FONT></P>
 +
 +</OL>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=JUSTIFY STYLE="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%">
 +<BR>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=LEFT STYLE="margin-bottom: 0cm; font-weight: medium">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR">L&Eacute;VY</SPAN>,
 +<SPAN LANG="pt-BR">Pierre.</SPAN> <SPAN LANG="pt-BR"><I>Cibercultura</I>.</SPAN>
 +S&atilde;o Paulo: Editora 34,1998.</FONT></FONT></P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=LEFT STYLE="margin-bottom: 0cm"><FONT SIZE=3><SPAN STYLE="font-weight: medium"><FONT SIZE=3><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><SPAN LANG="pt-BR">MELUCCI</SPAN>,
 +Alberto. 2001. <I>A Inven&ccedil;&atilde;o do Presente: movimentos
 +sociais nas sociedades.<BR>complexas</I>. Petr&oacute;polis: Editora
 +Vozes, 2001.</FONT></FONT></SPAN></FONT></P>
 +
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=LEFT STYLE="margin-bottom: 0cm"><FONT SIZE=3><SPAN STYLE="font-weight: medium"><FONT SIZE=3><FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><SPAN STYLE="font-style: normal">__________.
 + </SPAN><I>Um objetivo para os movimentos sociais?</I> In Revista Lua
 +Nova, n&deg; 17, S&atilde;o Paulo: 1989.</FONT><FONT FACE="ae_Ostorah">
 +</FONT></FONT></SPAN></FONT>
 +</P>
 +<P LANG="pt-BR" ALIGN=LEFT STYLE="margin-bottom: 0cm; font-weight: medium">
 +<FONT FACE="Nimbus Roman No9 L"><FONT SIZE=3><SPAN LANG="pt-BR">SADER</SPAN>,
 +Eder. <I>Quando novos personagens entram em cena experi&ecirc;ncias,
 +falas e lutas dos trabalhadores da Grande S&atilde;o Paulo (1970-80)</I>.
 +S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, 1988,</FONT></FONT></P>
 +
 +<DIV ID="sdfootnote1">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote1sym" HREF="#sdfootnote1anc">1</A>Ver
 + <SPAN LANG="pt-PT">L&eacute;vy</SPAN>, Pierre. <FONT SIZE=2><B>Cibercultura</B>
 + (Editora 34, S&atilde;o Paulo, 1999, <SPAN LANG="pt-PT">tradu&ccedil;&atilde;o</SPAN>
 + de Carlos <SPAN LANG="pt-PT">Irineu</SPAN><BR>da Costa do original
 + em franc&ecirc;s publicado em 1997)</FONT>.</P>
 +
 +</DIV>
 +<DIV ID="sdfootnote2">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote2sym" HREF="#sdfootnote2anc">2</A>Este
 + conceito diz respeito &agrave; articula&ccedil;&atilde;o entre
 + pr&aacute;ticas de discurso e pr&aacute;ticas n&atilde;o-discursivas
 + trabalhadas por <SPAN LANG="pt-PT">Foucault</SPAN> em Arqueologia do
 + Saber (1969). Para uma defini&ccedil;&atilde;o do conceito, ver
 + Foucault, <SPAN LANG="pt-PT">Michel.</SPAN> <B>A Ordem do Discurso</B>.
 + S&atilde;o Paulo: <SPAN LANG="pt-PT">Loyola</SPAN>, 1998. A
 + defini&ccedil;&atilde;o de <I>matriz discursiva</I> utilizada por
 + Eder Sader ancora-se, em alguma medida, na discuss&atilde;o
 + <SPAN LANG="pt-PT">foucaulteana</SPAN> da <I>forma&ccedil;&atilde;o
 + discursiva</I>.</P>
 +
 +</DIV>
 +<DIV ID="sdfootnote3">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote3sym" HREF="#sdfootnote3anc">3</A><FONT SIZE=2>A
 + defini&ccedil;&atilde;o do software livre conforme o <SPAN LANG="pt-PT">website</SPAN>
 + do <SPAN LANG="pt-PT">projeto</SPAN> <SPAN LANG="pt-PT">GNU</SPAN>:
 + “<I>N&oacute;s mantemos esta defini&ccedil;&atilde;o do Software
 + Livre para mostrar claramente o que deve ser verdadeiro &agrave;
 +
 + respeito de um dado programa de software para que ele seja
 + considerado software livre. &quot;Software Livre&quot; &eacute; uma
 + quest&atilde;o de liberdade, n&atilde;o de pre&ccedil;o. Para
 + entender o conceito, voc&ecirc; deve pensar em &quot;liberdade de
 + express&atilde;o&quot;, n&atilde;o em &quot;cerveja gr&aacute;tis&quot;.
 + &quot;Software livre&quot; se refere a liberdade dos usu&aacute;rios
 + executarem, copiarem,  <SPAN LANG="pt-PT">distribuirem</SPAN>,
 + estudarem, modificarem e aperfei&ccedil;oarem o software. Mais
 + precisamente, ele se refere a quatro tipos de liberdade, para os
 + usu&aacute;rios do software: a liberdade de executar o programa,
 + para qualquer prop&oacute;sito (liberdade no. 0); a liberdade de
 + estudar como o programa funciona, e adapt&aacute;-lo para as suas
 + necessidades (liberdade no. 1); acesso ao c&oacute;digo-fonte: um
 + pr&eacute;-requisito para esta liberdade.  A liberdade de
 + redistribuir c&oacute;pias de modo que voc&ecirc; possa ajudar ao
 + seu pr&oacute;ximo  (liberdade no. 2); A liberdade de aperfei&ccedil;oar
 + o programa, e liberar os seus aperfei&ccedil;oamentos, de modo que
 + toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3)</I>”. <SPAN LANG="pt-PT">Acessado</SPAN>
 +
 + dia 13/05/2005: <SPAN LANG="pt-PT">http</SPAN>://<SPAN LANG="pt-PT">www.gnu.org</SPAN>/<SPAN LANG="pt-PT">philosophy</SPAN>/free-<SPAN LANG="pt-PT">sw.pt.html</SPAN></FONT></P>
 +</DIV>
 +<DIV ID="sdfootnote4">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote4sym" HREF="#sdfootnote4anc">4</A>Em
 + uma nota para a imprensa, S&eacute;rgio Amadeu, <SPAN LANG="pt-PT">diretor</SPAN>
 +
 + do <SPAN LANG="pt-PT">ITI</SPAN>-<SPAN LANG="pt-PT">BR</SPAN>, fez a
 + defesa do software livre em detrimento da implementa&ccedil;&atilde;o
 + de <SPAN LANG="pt-PT">softwares</SPAN> propriet&aacute;rios: “<EM>&quot;<I>Em
 + aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s demandas da imprensa nacional e
 + internacional, que se solidariza com o Governo Brasileiro nesse
 + momento sem precedentes na hist&oacute;ria, em que o dirigente de
 + uma importante institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deste Pa&iacute;s
 + sofre pessoalmente a <SPAN LANG="pt-PT">a&ccedil;&atilde;o</SPAN>
 +
 + daqueles interessados em manter um modelo <SPAN LANG="pt-PT">hegem&ocirc;nico</SPAN>,
 + venho, ap&oacute;s ouvir meus advogados e procuradores federais,
 + dizer que a provoca&ccedil;&atilde;o judicial movida contra minha
 + pessoa &eacute;, por si s&oacute;, t&atilde;o inusitada e descabida,
 + que n&atilde;o merece resposta. </I></EM><I>Por outro lado, gostaria
 + de registrar que a contrata&ccedil;&atilde;o de software preservando
 + os valores liberdade e abertura &eacute;, para o Governo Brasileiro,
 + uma quest&atilde;o ligada de forma indissol&uacute;vel ao princ&iacute;pio
 + democr&aacute;tico. E porque se percorreu um longo e doloroso
 + caminho para chegar ao est&aacute;gio <SPAN LANG="pt-PT">atual</SPAN>
 +
 + de desenvolvimento da democracia neste Pa&iacute;s, n&atilde;o
 + arrefeceremos em nossa luta</I>”. <SPAN LANG="pt-PT">Acesssado</SPAN>
 + dia 30/10/2004: http://<SPAN LANG="pt-PT">www.softwarelivre.org</SPAN>/<SPAN LANG="pt-PT">news</SPAN>/2532</P>
 +</DIV>
 +<DIV ID="sdfootnote5">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote5sym" HREF="#sdfootnote5anc">5</A>A
 + &ecirc;nfase estrutural pode ser pensada como uma desconsidera&ccedil;&atilde;o
 + da especificidade de um movimento social, na medida em que s&atilde;o
 + feitas remiss&otilde;es constantes do plano <SPAN LANG="pt-PT">fenom&ecirc;nico</SPAN>-emp&iacute;rico
 + para o plano estrutural com vistas <I>explicar</I> a a&ccedil;&atilde;o
 + a partir do estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o causal. A
 + outra &ecirc;nfase – das motiva&ccedil;&otilde;es individuais –
 + centra sua explica&ccedil;&atilde;o em uma an&aacute;lise das
 + estruturas de oportunidade de a&ccedil;&atilde;o, a&ccedil;&atilde;o
 + <SPAN LANG="pt-PT">acionada</SPAN> por uma c&aacute;lculo de custos
 + e benef&iacute;cios da mobiliza&ccedil;&atilde;o a ser realizado
 + pelos indiv&iacute;duos.</P>
 +
 +</DIV>
 +<DIV ID="sdfootnote6">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote6sym" HREF="#sdfootnote6anc">6</A>Existe
 + uma s&eacute;rie de restri&ccedil;&otilde;es aplicadas &agrave; pe&ccedil;a
 + de software distribu&iacute;da pela licen&ccedil;a EULA (<SPAN LANG="pt-PT">End</SPAN>
 + <SPAN LANG="pt-PT">User</SPAN> <SPAN LANG="pt-PT">License</SPAN>
 +
 + <SPAN LANG="pt-PT">Agreement</SPAN>, da Microsoft). Um estudo
 + detalhado da licen&ccedil;a pode ser encontrado aqui:
 + <A HREF="http://www.msversus.org/node/1">http://<SPAN LANG="pt-PT">www.msversus.org</SPAN>/<SPAN LANG="pt-PT">node</SPAN>/1</A>
 + – <SPAN LANG="pt-PT">acessado</SPAN> dia 21/06/2005</P>
 +</DIV>
 +
 +<DIV ID="sdfootnote7">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=LEFT><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote7sym" HREF="#sdfootnote7anc">7</A>Citamos
 + na introdu&ccedil;&atilde;o o caso do ITI-BR (instituto de
 + tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o do governo federal). A cidade
 + de S&atilde;o Paulo tamb&eacute;m teve um projeto de implementa&ccedil;&atilde;o
 + de tele-centros para a inclus&atilde;o digital com o uso de software
 + livre. O <SPAN LANG="pt-PT">objetivo</SPAN>, segundo o <SPAN LANG="pt-PT">site</SPAN>
 + do projeto, era a de “<I>consolidar-se como a porta de entrada das
 + comunidades &agrave; rede mundial de computadores e aos servi&ccedil;os
 + e informa&ccedil;&otilde;es prestados aos cidad&atilde;os por
 + <SPAN LANG="pt-PT">Prefeituras</SPAN>, Estados e Uni&atilde;o, al&eacute;m
 + de, incluir as pessoas das regi&otilde;es de maior exclus&atilde;o,
 + na luta pelos seus direitos e no exerc&iacute;cio de seus saberes
 + <SPAN LANG="pt-PT">coletivos</SPAN>, na busca de suas necessidades e
 + no desenvolvimento de habilidades e</I>.<I> compet&ecirc;ncias
 + necess&aacute;rias ao <SPAN LANG="pt-PT">cotidiano</SPAN> em
 + constante transforma&ccedil;&atilde;o. Quando foi criada em <SPAN LANG="pt-PT">janeiro</SPAN>
 +
 + de 2001 a <SPAN LANG="pt-PT">Coordenadoria</SPAN> do Portal e
 + Inclus&atilde;o Digital encontrou as &aacute;reas de exclus&atilde;o
 + social e <SPAN LANG="pt-PT">econ&ocirc;mica</SPAN> da cidade fora da
 + rede, com milh&otilde;es de exclu&iacute;dos digitais”</I>
 + (<A HREF="http://portal.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/coordenadoria_governo_eletronico/pid/0001">http://<SPAN LANG="pt-PT">portal.prefeitura.sp.gov.br</SPAN>/cidadania/<SPAN LANG="pt-PT">coordenadoria</SPAN>_governo_<SPAN LANG="pt-PT">eletronico</SPAN>/<SPAN LANG="pt-PT">pid</SPAN>/0001</A>
 +
 + – Acessado dia 14/05/2005).</P>
 +</DIV>
 +<DIV ID="sdfootnote8">
 + <P CLASS="sdfootnote" ALIGN=JUSTIFY><A CLASS="sdfootnotesym" NAME="sdfootnote8sym" HREF="#sdfootnote8anc">8</A>Durante
 + o &uacute;ltimo f&oacute;rum internacional de software livre,
 + ocorrido durante os dias 1,2,3 e 4 de <SPAN LANG="pt-PT">junho</SPAN>
 + em Porto Alegre, realizamos 30 entrevistas com vistas ao mapeamento
 + dos grupos que <SPAN LANG="pt-PT">atuam</SPAN> no movimento de
 + software livre brasileiro. Nesta ocasi&atilde;o, tivemos a
 + oportunidade de entrevistar <SPAN LANG="pt-PT">Eric</SPAN> <SPAN LANG="pt-PT">Raymond</SPAN>,
 + um dos nomes de grande <I><SPAN LANG="pt-PT">status</SPAN></I> no
 + movimento internacional <I>Open Source,</I> que se auto-intitulou um
 + <I>capitalista anarquista</I>. Dizia ele: “<FONT SIZE=2><FONT COLOR="#000000"><I>Eu
 + sou um libert&aacute;rio, Isto significa que eu acredito em mercados
 + livres, pouco governo ou nenhum governo, se voc&ecirc; me
 + compreende</I>”. </FONT></FONT>Para este trabalho, n&atilde;o
 + pretendemos analisar em profundidade estas cis&otilde;es internas do
 + movimento, no entanto, &eacute; importante ressaltar que as
 + considera&ccedil;&otilde;es que estamos fazendo est&atilde;o
 + ancoradas em um trabalho emp&iacute;rico pr&eacute;vio. Cumpre agora
 + desenvolver um trabalho anal&iacute;tico. A entrevista com Eric
 + Raymond pode ser visualizada neste endere&ccedil;o:
 + http://<SPAN LANG="pt-PT">www.noticiaslinux.com.br</SPAN>/nl1118191189.html</P>
 +
 +</DIV>
 +</BODY>
 +</html>
movimento_foss.txt · Última modificação: 2008/03/28 00:36 por root