Um Estudo das Representações Religiosas sobre Doações de Órgãos e Sangue e Influência da Definição do Momento da Morte.


morte e religião/Knauth

Profa. Daniela Knauth (Depto. de Medicina Social/UFRGS e NUPACS/UFRGS) e
acadêmicos da Faculdade de Medicina da UFRGS.


FUNDAMENTAÇÃO: Tendo em vista que o transplante de órgãos tem sido alvo de muita polêmica, especialmente agora com a regulamentação da nova lei n. 9.434 de fevereiro de 1997, onde ficou estabelecida a doação presumida de órgãos tornou-se particularmente importante discutir a questão com várias esferas da sociedade. Sendo o Brasil um país de grande misticismo com uma alta variedade de cultos e doutrinas religiosas, consideramos pertinente realizar uma pesquisa com líderes e fiéis de diversas religiões.

OBJETIVOS: Avaliar a relação ou a influência entre práticas e crenças religiosas e adesão a determinadas práticas médicas tais como doação de sangue, transfusão e transplante. Um dos temas da pesquisa é a concepção de morte e vida que é de fundamental importância no entendimento da mobilização para as doações.

MÉTODOS: Dividimos a pesquisa em duas fases, a primeira, que estamos finalizando, refere-se a abordagem dos líderes religiosos, a segunda fase diz respeito aos fiéis. A metodologia utilizada com os líderes religiosos tem sido de entrevistas abertas, onde focalizamos primeiramente a trajetória do líder religioso, num segundo momento, abordamos os fundamentos gerais de cada religião e finalmente o posicionamento da religião sobre questões relativas a saúde e mais especificamente a doação de sangue e órgãos. Com os fiéis partiremos do método de pesquisa etnográfica com a observação participante e posteriormente selecionaremos alguns fiéis para entrevistar.

RESULTADOS: A análise preliminar de 15 (quinze) entrevistas mostra uma grande diversidade das religiões sobre o entendimento do momento de morte, embora sendo ainda muito comum relacionar a morte física e ou o desligamento espiritual, com o momento da parada dos batimentos cardíacos.

CONCLUSÕES: Apesar de haver uma forte recorrência por parte dos líderes religiosos em afirmarem-se favoráveis a doações de sangue e órgãos, durante o desenrolar de suas falas, observamos inúmeras contradições e mesmo exceções. Assim podemos concluir que para a maioria das religiões estudadas o transplante de cadáver não é visto como muito positivo pois causaria uma interferência negativa no desligamento do espírito do corpo. Com relação ao momento da morte, a maioria das religiões acredita que ela está vinculada à parada do coração. Além disso predomina a crença de que o espírito permanece por vários dias ligado ao corpo e a retirada de órgãos seria traumática para o espírito.

Trabalho apresentado na 17a. Semana Científica do HCPA (1997) e publicado na Revista HCPA 1997;15(2).


Programa de Educação Continuada em Bioética
Textos sobre Morte e Morrer
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