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Assepsia Cirúrgica

Os procedimentos de assepsia importantes para evitar a contaminação dos tecidos durante as intervenções cirúrgicas. Esses procedimentos são compostos pelas manobras de esterilização, desinfecção e antissepsia.

1. Esterilização

A esterilização é a eliminação, em OBJETOS INANIMADOS (roupas, instrumentos) completa de TODOS os microrganismos, patogênicos ou não, em suas formas vegetativas ou em esporos. Pode ser realizada através de métodos físicos ou químicos, de acordo com a melhor conveniência da rotina hospitalar.
Métodos físicos

  • calor
    • úmido
      • autoclavagem: é um método efetivos e causa poucos danos ao instrumental, permite o uso de ciclos rápidos. Pode ser utilizado a 121 graus durante 15 minutos, ou 126 graus durante 10 minutos, ou 134 graus durante 5 minutos
      • água em ebulição: não é um método efetivo para todos os microrganismos e para esporos, deve ser evitado ou só deve ser utilizado em emergências
    • seco
      • flambagem: não é eficiente, diminui a vida útil do instrumental, pode ser uma opção em uma emergência
      • estufa: confere boa esterilização, mas é um processo demorado. Deve-se utilizar uma temperatura de 170 graus, durante 120 a 150 minutos. O forno só deve ser aberto na temperatura de 40 graus.
      • incineração: apesar de ser um método muito efetivo, é destrutivo para o instrumental e para as roupas
  • radiação
    • UV: apresenta baixa penetração, pode ser utilizado em equipamentos já embalados como cateteres e seringas. age no DNA dos microrganismos
    • Gama: os raios Gama são produzidos por uma bomba de cobalto 60
  • filtração: remove microrganismos de gases e líquidos

 

Figura: autoclave (Fonte: www.medvet.com.br)
Métodos químicos

  • gasosos
    • formaldeído: agente muito irritante aos tecidos vivos, elimina vírus, bactérias e esporos
    • óxido etileno: elimina bactérias, esporos e quase todos os fungos. É inflamável e explosivo, irritante, teratogênico e carcinogênico. Atua por alquilação, bloqueando reações metabólicas dos microrganismos.
  • líquidos
    • glutaraldeído: não é corrosivo, é comumente utilizado em instrumental delicado, como o material para endoscopia. O instrumental deve permanecer imerso em solução a 2%, durante 10 minutos para eliminar bactérias, ou uma hora para eliminar esporos. Deve ser removido com solução salina a 0,9% antes da utilização nos tecidos vivos.

 

Validade da esterilização

Ao esterilizar o material cirúrgico, deve-se anotar a data do procedimentos, pois cada embalagem oferece um tempo de validade diferente:

  • embalagem de papel: 10 dias
  • embalagem de tecido: 15 dias
  • plástico: 6 meses
  • caixa metálica: 30 dias

 

2. Desinfecção

A desinfecção é a remoção dos microrganismos, não necessariamente dos esporor, de superfícies como móveis, paredes, salas e baias.
  • Desinfetantes de 1o grau: glutaraldeído e formaldeído, realizam esterilização
  • Desinfetantes de 2o grau: iodo, álcool, compostos fenólicos, desnaturam proteínas dos microrganismos, mas não destoem os esporor
  • Desinfetantes de 3o grau: compostos com amônia quaternária ou mercúrio, não eliminam vírus ou esporos

 

3. Anti-sepsia

A anti-sepsia é a destruição ou a inibição dos microrganismos com agentes que podem ser utilizados sobre tecidos vivos, como a pele do paciente ou da equipe cirúrgica.
Antissépticos são agentes químicos que destroem ou inibem o crescimento dos microrganismos patogênicos. É um termo reservado para agentes utilizados para o corpo do paciente
Na pele, encontramos bactérias:
  • transitórias: são removidas mecanicamente
  • residentes: formam uma população estável e são eliminadas pelas soluções antissépticas

 

Assim, a antissepsia das mãos realiza
  • uma remoção mecânica das sujidades e da oleosidade da pele
  • diminui a contagem de microrganismos transitórios para quase zero
  • realiza um efeito depressor de longo prazo na microflora das mãos e do antebraço

 

A escovação é realizada:

  • 30 escovadas nas unhas
  • 20 nas 4 faces dos dedos
  • 20 nas regiões interdigitais
  • 20 nas regiões palmares e dorsais da mão
  • 20 para cada um dos 4 lados do antebraço, dividido em 3 alturas

 

4. Roupa cirúrgica

A roupa cirúrgica é uma barreira oclusiva, mas não impermeável. Deve ser confortável e durável e evitar apresentar fiapos. A máscara tem o papel de cobrir completamente o nariz e a boca para proteger o paciente das gotículas de saliva. Os propés ou calçados cirúrgicos protegem o ambiente do bloco cirúrgico dos microrganismos hospitalares. Os calçados devem ser leves, impermeáveis, laváveis, resistentes e não devem ser trançados.
Os aventais são uma barreira entre a pele do cirurgião e o paciente, seu sangue e outras secreções. Não deve ser utilizado em trânsito entre áreas estéreis e não estéreis. Deve ser confortável, não inflamável, econômico, resistente à fricção, estiramento e pressão. As luvas são importantes para impedir a contaminação do campo cirúrgico e da equipe de cirurgia.