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Instrumental

1. Exérese

Bisturi

Os cabos de bisturi são encontrados nos tamanhos : nº3 e nº4. O primeiro recebe lâminas em menores e destinadas a atos cirúrgicos delicados, enquanto o segundo tem um encaixe maior para lâmina, para atos cirúrgicos gerais As lâminas de bisturi estão determinadas pelo formato e a aplicabilidade.

  • O Cabo nº 3 - Utiliza lâminas menores (nº 10, 1, 12, 15), destinados a incisões mais críticas, delicadas.
  • Cabo nº 4 - Utiliza lâminas maiores,(nº 20, 21, 2, 23, 24, 25). são mais usados em procedimentos de cortes maiores

 

Figura: Cabos de bisturi números 3 e 4 e lâminas número 10, 11, 12, 15 e 20. (FOSSUM, 2007)

Geralmente o bisturi é utilizado com a empunhadura de làpis

Figura: Empunhadura de lápis. (FOSSUM, 2007)

Tesouras

As tesouras, são instrumentos de corte, podem ser curvas ou retas, fortes ou delicadas e em diversos tamanhos. Podem apresentar lâmina simples ou serrilhada e pontas rombas ou ponteagudas ou uma combinação das duas. Assim podemos ter tesouras Romba-Romba, Romba-Ponta, Ponta-Ponta. Enquanto a tesoura  reta é mais utilizada pelo auxiliar para o corte de fios, as curvas são mais utilizadas pelo cirurgião.

Esses instrumentos de diérese separam os tecidos por esmagamento, entre as duas lâminas que os compõem. Quanto mais crítico for o contato entre as duas bordas, menor será o trauma. As tesouras podem ser usadas para diérese incruenta, ou seja, a divulsão dos tecidos, quando introduzidas fechadas nos tecidos e em logo serão retiradas aberta.

Figura: tesouras de Mayo e Metzenbaum, da esquerda para a direita.

As tesouras METZENBAUM são indicadas para a diérese mais delicada de tecidos, podem ser utilizadas em cavidades, introduzindo-as a fundo.  É indicada para adiérese de tecidos orgânicos por ser considerada menos traumática, pois apresentar sua porção cortante mais curta que a não-cortante.

As tesouras de MAYO, são muito empregadas na rotina cirúrgica, principalmente na versão R, para tecidos mais grosseiros, em superfícies ou em cavidades, e corte de fios. É considerada mais traumática que a de Metzenbaum, por apresentar a porção cortante proporcional à não-cortante.

As tesouras são empunhadas pelas falanges distais dos dedos anular e polegar nas argolas. O dedo indicador proporciona precisão ao movimento e o dedo médio dá estabilidade à mão.

Figura: empunhadura da tesoura.

2. Hemostasia

Hemostasia é um conjunto de manobras manuais ou instrumentais para deter ou prevenir uma hemorragia ou impedir a circulação de sangue em determinado local em um período de tempo.

As hemorragias podem ser de origem arterial, venosa, capilar ou mista. Podem trazer ameaça à vida do paciente ou a sua pronta recuperação; retardam a cicatrização; favorecem a infecção e podem dificultar a visualização das estruturas durante a cirurgia.

Os instrumentais utilizados são as pinças hemostáticas de vários modelos e tamanhos. Apresentam formato semelhante ao da tesoura, diferindo-se delas pela presença da cremalheira entre as duas argolas, que permite o fechamento do instrumental de forma auto-estática com diferentes níveis de pressão de fechamento.

Figura: cremalheira das pinças hemostáticas.

As pinças Kelly e Crile apresentam ranhuras transversais na face interna de suas pontas, que podem ser retas ou curvas. As pinças retas, ou pinças de reparo, são utilizadas para pinçamento de material cirúrgico como fios e drenos. As pinças curvas são utilizadas para pinçamento de vasos e tecidos delicados.

As pinças de Crile apresentam ranhuras em todas face interna, enquanto as Kelly apresentam ranhuras apenas até a metade de sua face interna. Por esse motivo, a escolha do tipo de pinça determina a segurança da hemostasia a ser realizada.

Figura: Detalhe da pinça Crile e Kelly (da esquerda para a direita).
Figura: O tamanho da Pinça de Halsted (ou Mosquito) comparado com o tamanho de uma pinça hemostática.

3. Síntese

Síntese é o conjunto de manobras manuais e instrumentais destinadas a restituir a continuidade anatômica e funcional dos tecidos que foram separados na cirurgia ou por traumatismo.

Figura: Detalhe da face interna do porta-agulha permite identificá-lo rapidamente.

4. Especiais

As pinças de campo têm por finalidade fixar os campo, fenestrados ou não, à derme do paciente, impedindo que a sua posição seja alterada durante o ato cirúrgico. Sua extremidade é aguda, curva para a preensão do campo e da pele do paciente. As mais comuns são as pinças de Backhaus.

No grupo dos afastadores encontram-se variados tipos de afastadores, tais como “Gosset”, “Finochietto”, “Farabeuf”, e outros.. Os afastadores estáticos são aqueles que utilizamos para a visibilidade no campo cirúrgico.O afastador de “Gosset” é utilizado a fim de manter exposta a cavidade abdominal, e o “Finochietto”, para a cavidade torácica. Quando queremos facilitar o ato cirúrgico, o auxiliar deve lançar mão dos afastadores dinâmicos tais como o “Farabeauf”, utilizado para a parede abdominal.

Figura: Pinças Backhaus, utilizadas para fixação dos panos de campo; Afastadores de Farabeauf (da esquerda para direita).

O instrumental destinado à preensão estão todos direcionados a função de prender e segurar vísceras e órgãos, estão nestes grupos: as pinças “Babcock”, “Allis”, “Collin”, “Duval”, e outros. As pinças Allis são geralmente utilizadas para a fixação da musculatura e não devem ser utilizadas na pele.

Figura: Pinças Allis.

As pinças de Foester são úteis para a etapa de anti-sepsia do paciente.

Figura: Pinça Foester
Montagem da mesa de instrumental
Figura: montagem da mesa de instrumental de acordo com tempos cirúrgicos