O letrado norte-americano

Ralph Waldo Emerson
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Comentário: Pierre Monette (CEGEP - Montreal)

Tradução do comentário: Zilá Bernd (UFRGS)

Em 31 de agosto de 1837, em Cambridge, nos arrabaldes de Boston, a Universidade de Harvard celebra o começo : a entrega dos diplomas do ano escolar que termina. O acontecimento é paraninfado pela sociedade Phi Beta Kappa: uma fraternidade interuniversitária que reúne uma elite de alunos e de diplomados, cujo capítulo de Harvard está em atividade desde setembro de 1781 (1). O momento forte da cerimônia é a alocução que os societários solicitam a um homem de letras; ano após ano esta conferência tem geralmente por tema a vida intelectual nos Estados Unidos (2) . No âmbito da comemoração de 1837, a sociedade Phi Beta Kappa havia previsto conceder a palavra ao reverendo Jonathan Mayhew Wainwrght. Como ele desiste, lança-se mão, com algumas semanas de antecedência (3), aos serviços de um homem de 34 anos cuja celebridade começa apenas a transbordar de um círculo estreito de admiradores e que se associa para a ocasião com sua alma mater: Ralph Waldo Emerson.

Apesar do fato dele ter sido convidado na última hora, Emerson não é pego de surpresa. Como testemunham seus Diários, ele tinha há alguns anos a intenção de produzir um ensaio no qual se propunha a discutir a condição do intelectual : "I think I may undertake one of those days to erite a chapter on literary ethics or the Duty & discipline ofa Scholar", escreveu ele em data de 6 de agosto de 1835; dez meses mais tarde, em 30 de maio de 1836, uma outra nota evoca "that Sermon of literary man which I propose to make", projeto que Emerson designa igualmente sob as apelações de "the Sermon to Scholars" e, em 2 de junho, de "the scholar's sermon" (4).

No final de 1833, Emerson escrevia a respeito de seu diário pessoal, que ele mantinha desde 1820: "This book is my Savings Bank" (5). Ele se servia efetivamente de seus diários como de um talão de cheques intelectual, onde ele "depositava" seus rascunhos e de onde ele retirava esquemas a partir dos quais compunha suas conferências e ensaios. Assim, encontramos em seu diário de 1837, depois de ter aceito o convite da Phi Beta Kappa, um conjunto de esboços (redigidos entre 17 de julho e 19 de agosto) que serão retomados mais ou menos textualmente na alocução de 31 de agosto. Estas páginas apresentam entre outras duas alusões explícitas à conferência em preparação, nas quais Emerson define a amplitude de seu projeto. A primeira data de 29 de julho: "If the Allwise give me ligh, I shoud write for the Cambridge men a thory os the Scholar's office"; na segunda , datada de 18 de agosto, Emerson precisa que "The rope to arouse young man at Cambridge to a worthier view of their literatry duties prompts me to offer the theory of the Scholar's function". Afim de levar a termo a elaboração desta teoria da missão (office) e da função (function) do "scholar" (intelectual ou letrado, na tradução brasileira), Emerson pesquisou também nas notas mais antigas ("depositadas" em seu diário entre 29 de agosto de 1836 e 19 de maio de 1837) (6) , e que serão também elas quase integralmente reproduzidas no texto que entrará finalmente para a história sob o título "The American Scholar".

Várias pessoas que assistiram à apresentação desta alocução testemunharam sobre o impacto que ela teve sobre seus ouvintes. A reação mais imediata foi a do reverendo John Pierce. Durante 45 anos de 1803 a 1848, este último participou de todos as sessões inaugurais da sociedade Phi Beta Kappa de Harvard (salvo a de 1808), comentando cada uma das celebrações - fazendo entre outras coisas, sistematicamente relação do comprimento dos poemas e conferências que aí eram apresentadas, em seguida à apresentação! (7) E no que diz respeito mais especificamente à alocução de Emerson, as impressões do reverendo são pelo menos mitigadas:

Rev. Ralph Waldo Emerson gave an oration, of 1 ¼ hour, on The American Scholar. It was to me in the misty, dreamy, unintelligible style of Swendenborg, Coleridge and Carlyle. He professed to have method; but I could not trace it, except in his own annunciation. It was well spoken, and all seemed to attend, but how many were in my own predicament of making little of it have no means of ascertaining. Toward the close, and indeed in many parts of his discourse, he spoke severely of our dependence of british literature. Notwithstanding I much question wheter he himself would have written such an apparently incoherent and unintelligible adress, had he not been familiar with the writings of the authors abovenamed. (8)

Será necessário esperar trinta anos para que outros membros do auditório comecem finalmente a evocar sua lembrança do episódio. Tomando o cuidado de lembrar que os primeiros ecos desta conferência ficaram longe de ser unânimes (9), seus testemunhos terão um tom diferente do de Pierce. Em 1837, podia ser justificado colocar em dúvida a pertinência dos propósitos de Emerson quanto ao desenvolvimento próximo de uma literatura especificamente estadunidense; uma geração mais tarde, descobre-se um valor profético. Porque assistimos neste meio tempo à publicação, entre 1850 e 1855, de um conjunto de obras determinantes que F. O. Mathiessen foi o primeiro a reagrupar sob o nome de "American Renaissance": Representative Men , de Ralph Waldo Emerson, em 1850; The scarlet letter e The house of the seven gables , de Nathaniel Hawthorne, em 1850 e 1851; Moby Dick e Pierre de Herman Melville , em 1851 e 1852; Walden , de Henry David Thoreau, em 1852; e Leaves of Grass , de Walt Whitman, de 1855 (10). É à luz destas realizações que se pode reconhecer que "The american scholar" ocupava um lugar de importância primordial na história intelectual dos Estados Unidos.

O mais antigo destes testemunhos retrospectivos foi o de Amos Bronson Alcott. Amigo íntimo de Emerson, declarou em 1863":

"I had the good fortune to hear that adress, and I shal not forget the deligt with which I heard it, not the mixed confusion, surprise and wonder with which the audience listened to it. That, of course, is familiar to every person present this evenig.

In that we remenber his declaration that this country had been too much beholden to the old, that it was time for it to do its own thinking, that is was due to the american genius to declare itself. Has not the orator's conduct abundantly justified the assertions he then made?" (11)

Dois anos mais tarde, em 1865, James Russell Lowell também dá conta do acontecimento que presenciou, em um relato que é concluído com comparações elogiosas:

"His oration before the Phi beta Kappa Society at Cambridge , some thirty years ago, was an event without any former aprallel in our literary annals, a scene to be allaways treasured in the memory for its picturesqueness and its inspiration. What crowded and treathless aisles, what windows clustering with eager heads, what enthusiasm os approval, what grim silence of foregone dissent! It was our Yankee version of a lecture by Abelard, our harvard parallel to the last public appearances of Schelling." (12)

Mas o testemunho mais marcante é o que Oliver Wendel Holmes escreve em 1885 na biografia de Emerson que ele publica três anos após a morte do filósofo. Começa lembrando o significado do nome da Phi Beta Kappa Society:

"The Society known these three letters, long a mistery to the unitiated, but which, filled out and interpreted, sugnify that philosophy is the guide of life (13) is one of long standing, the annual meetings of which have called forth the best efforts of many distinguished scholars and thinkers. Rarely has any one of the annual addresses been listened to with such profound attention and interest."

Holmes cita então algumas linhas do texto de Lowell (14) antes de continuar com suas próprias palavras:

"Mr. Cooke says truly of this oration, that nearly all his leading ideas found expression in it. This was to be expected in an address delivered before such an audience. Every real thinker's world of thought has its center in a few formulae, about which they resolve as the planets cicles round the sun which cast them off. But those who lost themselves now and then in the pages of "Nature"will find their way clearly enough through those of "The american scholar". It is a plea for generous culture; for the development of all the faculties, many of which tend to become atrophied by the exclusive usuit of single objects."

"This grand Oration was our intellectual Declaration of independence. Nothing like had been heard in the halls of Harvard since Samuel Adams supported the affirmative of the question, "Whether if be lawful to trust the chief magistrate, if the commonwalth cannot otherwise be preserved". It was easy to find fault with an academic assembly was startled by the realism that looked for the infinite in "the meal in the firkin; the melk in the pan". They could understand the deep thougts suggested by "the meanest flower that blows", but these domestic illustrations had a kind of nursery homeliness about them which the grave professors and sedate clergymen were unused to expect on so stately occasion. But the young men went out from it as if a prophet had been proclaming to them "Thus saith the Lord". No listener ever forgot that Address, and among all the noble utterances of the speaker it may be questioned if one ever contained more truth in langage more like that of immediate inspiration." (15)

De todo este texto, só retemos a fórmula "nossa declaração intelectual de independência". Citada em quase todos os estudos consagrados à obra de Emerson, esta frase constitui a definição canônica do estatuto que a história da literatura dos Estados Unidos concede a "The american scholar" (16). Notemos que Holmes fala muito precisamente de uma "declaração intelectual de independência" e não de uma declaração de independência intelectual (17), para retomar as palavras que certos comentadores utilizam quando eles lembram da fórmula de memória (18). A distinção é importante, pois, apresentando “The american scholar" como "uma declaração intelectual de independência", Holmes faz deste texto o lugar de uma intelectualização da declaração de independência de 1776; quando se transforma a frase em uma declaração de independência intelectual, evacua-se esta filiação política.

Em sua integralidade, a fórmula de Holmes nos propõe ler "The american scholar" como uma integração intelectual da ruptura da relação de dependência em relação à metrópole européia realizada no plano político e econômico pela declaração de independência de 1776. A finalidade de Emerson não seria pois fazer como tal a independência intelectual, mas fazer subir a questão intelectual no trem já posto em marcha da independência política. Assim, a problemática da independência apresenta-se como espaço no seio do qual Emerson inscreve seu questionamento intelectual.

Esta é precisamente a estrutura argumentativa da conferência: não é a problemática da independência, mas a questão intelectual que constitui o pivô central de "The american scholar". Desde as primeiras linhas, Emerson escreve: "Our day of independence, our long apprenticeship of the lerning of other lands, draws to a close. The millions that around us are russing into life, cannot always be fed on the sere remains of foreign harvests"- idéia sobre a qual ele só voltará no último parágrafo da conferência quando escreverá: "We had listened too long to the courtly muses of Europe ". Por serem assim apresentadas apenas na abertura e no fechamento do texto, estas proposições são propriamente o contorno maior da demonstração de Emerson: a problemática da ruptura do laço com a Europa enquadra literalmente as idéias centrais desta alocução, que o próprio Emerson resume, mais ou menos na metade do texto, quando ele precisa que depois de ter falado de "the education of the scholar by nature, by books, and by action, (it) remains to say somewhat of his duties" (19) O principal objetivo do "The american scholar" não é pois o de provar que não podemos mais continuar a nos nutrir dos "sere remains of foreign harvests", ou que escutamos durante demasiado tempo "the courtley muses of Europe". É na medida em que esta idéia de ruptura parece ser admitida sem contudo ser inteiramente realizada que Emerson pretende explorar as questões da formação e dos deveres do scholar. Assim é forçoso constatar, como o faz Ralph l. Rusk que, "The nationalist note in the address, though often taken as the dominant one, was not dominant." (20) E Phillips Russel está sem dúvida mais próximo da verdade do que pensa ele próprio quando assinala que "His very first sentences revealed that his auditors wew not to be disappointed; for without preliminary he demanded the cultural independence of America " (21). Revela-se efetivamente que, nos dois enunciados citados, o conferencista não diz nada de mais a seus ouvintes do que aquilo que eles querem ouvir: como assinala Benjamin T. Spencer, o próprio tema da conferência faz com que Emerson "was risking reiteration of prophetic clichés which ofr a generation had been the staple of numerous Phi Beta Kappa addresses" (22). E é a estas idéias pré-concebidas (que Emerson evoca apenas de passagem, mas dando-lhe uma formulação senão definitiva, pelo menos memorável) que se reduz freqüentemente as proposições de "The american scholar". Como escreve Robert E. Burkholder, especificamente a respeito destas duas afirmações:

Those bold nationalistic statements (…) suggest that the nature of Emerson's speech is that of an american literary manifesto (..) These pronoucements are among the most memorable in "The american scholar", or they have at least burned themselves into the memories of generations of readers because they underwite the notion that Emerson's speech is principally one about literary nationalism. However, in their expression of the conventional idea of translation studii - the classical theory of the westward movement of civilization - these memorable nationalistic phrases represent the most hackneyed thougts in the entire oration. (it) is, alas, not the genuine Emerson we understand in these nationalistic phrases, only the mask of conventionality, providing the folks with what they came to hear by mouthing ideas that Sacvan bercovitch has traced to the firs Puritan settlers of New England and Kenneth Silverman establishes as stock college commencement rhetoric during the revolutionary years (23).

Note-se que a idéia de ruptura inscrita nestas duas frases se exprime de um modo que poder-se-ia qualificar como sendo o do desmame (noção que estamos justificados de evocar por causa da metáfora alimentar contida na primeira destas formulações : "fed on the sever remains of foreign harvests". Emerson afirma implicitamente a existência de um laço original entre os estados Unidos e a Europa. Ele postula contudo que esta relação se aproxima do fim (draws to a close) que durante demasiado tempo ouvimos (listened too long) aquilo ao qual estamos originalmente ligados, que não podemos eternamente ser nutridos (cannot always be fed) pelo que vem de fora. Nos três casos, Emerson insiste no fato que, se esta relação deve ser rompida, é pela única razão que ela durou muito: porque chegou o tempo de desunir, de disjunção dos elementos anteriormente confundidos.

Desunir e disjuntar se traduzem em inglês pelo verbo to sever , cuja raiz latina (separare: afastar-se) está na origem do verbo desmamar (sevrer em francês). A noção de desmame implica que uma idéia de ruptura, de separação, mas mais exatamente a de um afastamento, que tem a característica de acontecer em um segundo tempo, e sobretudo, com o tempo. O nascimento de uma criança é um acontecimento que se faz concretamente do dia para a noite: é após que se começa a desmamar, isto acontece quando se julga que o momento é chegado para a criança de tornar-se inteiramente autônoma da mãe e a coisa toma um certo tempo para se realizar. Os Estados Unidos vieram ao mundo: a declaração de independência de 1776 é seu ato de nascimento; em The american scholar, Emerson afirma simplesmente que o tempo é chegado para desmamar culturalmente este recém-nascido: afastá-lo de sua mãe… - pátria! (24)

Se "The american scholar" fosse uma declaração de independência intelectual, isto implicaria que a literatura dos Estados Unidos viria ao mundo com este texto. Falando de uma declaração intelectual de independência, Holmes vê mais precisamente o início de um processo de autonomização intelectual que se situa na prolongação da independência política. - mas eis que apenas 5 anos depois de ter feito esta constatação, Holmes voltou curiosamente sobre sua posição:

"Thomas Jefferson is commonly recognized as the first to proclain before the world the political independence of America . It is not so generally agreed upon as to who was the first to announce the literary emancipation of our country.

"One of Mr. Emerson's biographers has claimed that his Phi Beta Kappa Oration was our declaration of literary independence. But Mr Emerson did not cut himself loose from all the traditions of Old World scholarship. He spelled his words correctly, he constructed his sentences grammatically. He adhered to the slavish rules of property, and observed the reticences which a traditional delicacy has considered inviolable in decent society, European an Oriental alike. When he wrote poetry, he commonly selected subjects whicht seemed adapted to poetical tratment, - apparently thinking that all things were not equally caculated to inspire the true poet's genius. Once, indeed, he ventured to refer to "the meal in the firkin, the milk in the pan", but but he chiefly restricted himself to subjects such as a fastidious conventionalism would approve as having a certain fitness for poetical tratment. He was not always so careful as he might have been in the rhthym and rhyme of his verse, but in the main he recognized the old established laws which have been accepted as regulating both. In short, with all his originality, he worked in Old World harness, and cannot be considered as the creator of a trully american, self-governed, self-centred, absolutely independent style of thinking and writing, knowing no law but its own sovereign will and pleasure. A stronger claim might be urged for Mr. Whitman " (25).

Não apenas Holmes evita aqui de reconhecer a paternidade de sua célebre frase atribuindo-a a um anônimo "Emerson's biographer", como aproveita da ocasião para reformular em uma "declaração de independência literária"! O que, de um certo modo, permite-lhe de não questionar sua afirmação: pois afinal de contas, na continuação do texto, Holmes não contesta a idéia de que "The american scholar" seja uma "declaração intelectual de independência", mas o fato de alguns considerarem este texto como a "declaração de independência literária" dos Estados Unidos. Assim ele não questiona como tal sua definição de "The american scholar": ele parece que ataca aqueles que interpretam mal suas afirmações: aqueles que, citando erroneamente sua frase assim como ele próprio o faz sem dúvida ironicamente, transformam 'The american scholar" em uma declaração de independência cultural, o que Holmes nunca disse literalmente que este texto era.

Holmes conclui seu comentário afirmando que seria sem dúvida mais justo atribuir à obra de Wat Whitman o status de "declaração de independência literária" dos Estados unidos. Fazendo isto, ele introduz uma idéia que será retomada por numerosos comentadores. Com efeito, concordamos em reconhecer a Leaves of grass o mérito de ser a primeira obra estadunidense independente da tradição cultural européia (26). O próprio Emerson estava inteiramente consciente do fato de que na época do "The american scholar", a emancipação intelectual dos Estados Unidos (27) participava ainda do que ele chamará alguns anos mais tarde de "modo optativo"; fórmula que se encontra evidentemente antes em seu diário: "Our american letters are, we confess, in the optative mood". E é com a publicação de Leaves of grass que, para retomar as palavras de R.W.B. Lewis, "that optative mood, which had endured for over a quarter of century and had expressed itself so variously and so frequently, seemed to have been transformed at last into the indicative" (28). Leaves of grass aparece, pois, como a realização do desejo de Emerson - e de Whitman de reconhecer ele mesmo esta filiação quando dirá: "I was simmering, simmering; Emerson brought me to boil" (29).

Com "The american scholar", Emerson está longe de ser o primeiro em data entre os escritores estadunidenses a ter reivindicado e anunciado a independência intelectual, cultural e literária de seu país (30); é contudo o primeiro em importância. Se este texto se distingue dos numerosos escritos nos quais se reclamou (muitas vezes mais radicalmente e mais vigorosamente do que o faz Emerson), a independência da literatura e da cultura estadunidenses, ele o deve certamente em grande parte às qualidades propriamente literárias da escritura de Emerson, que contribuíram para tornar suas declarações mais memoráveis do que a de seus predecessores. Mas "The american scholar" deve essencialmente sua celebridade ao fato de que as primeiras obras estadunidenses apareceram menos de uma geração depois da publicação desta conferência.

Como assinalamos mais acima, não foi no momento de sua publicação que "The american scholar" que foi lida neste texto a 'declaração intelectual de independência" dos Estados Unidos. Este estatuto lhe foi reconhecido posteriormente, na medida em que, para retomar as palavras de Spender, "During the years between The american scholar e (1892, ano da morte de W. Whitman e de John G. Whitier que segue o dos desaparecimentos de James R. Lowell e Herman Melville, em 1891), much of what Emerson has envisioned as a national literature had been achieved" (31). Apesar do fato de que a postura nacionalista de The american scholar seja expresso em 3 ou 4 linhas, estas poucas frases tiveram tanta ressonância porque foram enunciadas na véspera da publicação de um certo número de obras que nos autorizam a lavrar a certidão de nascimento da literatura estadunidense.


(1)- Ver Reginald Henry phelps, " 150 years od Phi Beta Kappa at Harvard ", The american scholar . Nova York, United fo Phi Beta Kappa. Vol 1, n.1, 1932, p. 58-64.

(2) - Ver a lista dos oradores e dos emas tratados apresentada por Bliss Perry, " Emerson most famous speech ", in The prise of folly and other papers (1932), Port Washington, kennikat Press, 1964. P.97-100.

(3) A carta na qual o prof. Cornelius C. Felton solicita a participação de Emerson data de 22 de junho de 1837. Ver Ralph W. Emerson. The Letters of Ralph Waldo Emerson in six volumes . Editado por R. l. Rusk. Nova York e londres, Columbia univ. Press, vol.2, n.150, p.94.

(4) Ralph Waldo Emerson. The Journals and Miscellaneous Notebooks of Ralph W. Emerson . Vol V, 1835-1838, editado por Merton M. Sealts, jr, Cambridge (Mass), The Belknap Press da Harvard University, 1965, pp.84, 164, 165 e 167.

(5) Ralph W. Emerson. Emerson and his Journals . Selecionado e editado por Joel Porte. Cambridge (Mass) e Londres, The Belknap Press da Harvard Universitu, 1982, p.119 ; ver a este respeito Bliss Perry, Ëmerson's savings bank ", in The Praise of Folly. Op.cit. p.114-129.

(6) Ralph W. Emerson, The Journals and Miscelaneous notebooks of Ralph Waldo Emerson , vol.V, 1835-1838, op.cit : 1836 : 29 ago. A 1. De set. P. 192 ; 28 de set., p.216 ; 29-30 de out. P.233 ; 15-18 de nov. P.248 ; abril p.294 e p.302 ; 1-3 de maio, p.318 ; 5 maio, p.320-321 ; 8 de maio, p.325-326 ; 19 de maio, p.330 ; 17 de jul. Dee 1837, p.341-342 ; 19 de jul., p.343-344 ; 29 de jul.p.347-348 ; 2 de ago. P.349-350 ; 3 de ago, p.351 ; 4 de ago. P.235-353 ; 5 de ago., p.354 ; 9-11 de ago., p.357, 359-360 ; 18 de ago. P.364-365 ; 19 de ago. P. 365-366.

(7) A fim de compreender o que permite Robert E. Spiller afirmar - em sua introdução a The american scholar - que Pierce " was known of one who never missed and never understood the meaning of such academic occasions ", e o que faz dizer a Bliss Pery que o cronista parece ter assistido a cada uma destas cerimônias " watch in hand ". Ver os dieversos relatos de Pierce citados em " Emerson' s most famous speech ", in The Praise of folly , op.cit. p.83-85 e 93.

(8) Rev. Dr. John Pierce, " Catalogue of the Harvard Chapter, 1912, p.141 ", citado em " Ralph Waldo Emerson in a Diary of 1837 ", The American Scholar, Nova York, United Chapters of Pgi beta Kappa, v. 1, n.1, 1932, p.16.

(9) Ver a este respeito Robert E. Burkholder, " The radical Emerson ; politics in The American Scholar ", ESQ, A Journal of the American Renaissance , Pullman (Wash.), Washington University Press, v.34, first and second Quarters 1988, p.39-40.

(10) F. O. Mathiessen. American Renaissance, art and experience in the age of Emerson and Whitman , 1941. Londres, Oxford e New York , Oxford University Press, 1968, p.vii.

(11) Extraído de " The transcendental club and the Dial, a conversation ", por A. Bronson Alcott. Boston , Monday Evening. 23 de março, 1863. Publicado em The Common wealth de Boston , em 24 de abril de 1863 ; citado em Clarence Gogdes , " Alcot's conversation " on The transcendental club and The Dial. American literature, a journal of literatry history, criticism and bibliography . Vol 3, 1931-32. Durham, Duke University Press, 1961. P.18-19.

(12) James Russell Lowell. " Thoreau "(1865), in My study mindows . Boston Houghton and Company ; Cambridge , The Riverside Press, 1886. P.197-8.

(13) Philosophia biou kybernètes : la philosophie comme guide de la vie ; ver Sylvie Chaput, " L'étoile, l'arbre et le cercle : préface "in Ralph W. Emerson, L'intellectuel américain , tradução , prefácio e notas por Sylvie Chaput, . Quebec : Le loup de gouttière, 1992. P.12, n.3.

(14) " (Was) an event without any former parallel (…) what grim silence of foregone dissent ! "

(15) Oliver W. Holmes. Ralph W. Emerson, coll. American men of letters. Boston : Houghton and Company ; Cambridge : The Riverside Press, 1885. A citação de Samuel Adams (um dos signatários da declaração de Independência dos Estados Unidos) foi extraída de um discurso apresentado por ele em Harvard quando recebeu seu diploma de mestre no âmbito das cerimônias do " começo " de 1743 : ver Robert E. Burkholder, " The radical Emerson : politics in The american scholar ", op.cit. p.37.

(16) A ponto de, segundo Robert E. Burkholder, " it is not unreasonable to say that our intellectual declaration of independence as descriptor os Emerson's speech has now atteined the status of a critical euphemism,a phrase that has been overused to the point of meaninglessness and useful only for the matching sections os exams in undergraduated survey courses " ; ibidem.

(17)17 - Traducão que encontramos em Sylvie Chaput , " L'étoile, l'arbre et le cercle : préface ", loc.cit. p.9.

(18)18 - Ver por exemplo, Larzer Ziif, Literary Democracy, The declaration of culture independence in America . Nova York, The Viking Press, 1981, p.18.

(19) Ralph W. Emerson. The american scholar ": The complete works of Ralph Waldo Emerson, with a biographical introduction and notes . Por Edward Waldo Emerson, v.1 : Nature, addresses and lectures. Boston e Nova York, Houghton, Mifflin e companhia. Cambridge, The Riverside Press, 1903. P.81-82-114 e 100.

(20) Ralph L. Rusk. The life of Raph W. Emerson. Nova York e Londres, Columbia University Press, 1949, p.265. Ver também Robert E. Burkholder. " The radical Emerson : politics in The american scholar ", loc.cit. p. 45 : " the most substancial portions of the speech - those specifically devoted to the theorietical discussion or " The one man " and the definition of 'scholar "- are oddly detached from the desired practical effect of freeing american culture from the influence of Europe . The idealistic nature of the bulk of Emerson's speech rises above nationalism ".

(21) Phillips Russel. Emerson, the wisest american . New York : Brentano's publishers 1929, p.153.

(22) Benjamin T. Spencer. The question for nationality. An american literary campaign . Syracuse (NY), Syracuse university Press, 1957, p.158.

(23) Robert E. Burkholder. " The radial Emerson : politics in The american scholar ", loc. cit. p.44.

(24) Benjamin T. Spencer evoca esta noção de desmame quando escreve, para caracterizar os propósitos que J.l. Motley coloca na boca de uma das personagens de Morton's hope (publicado em 1839), que este último é : brooding over infant american inability to wean herself from mother Europe ": The quest for nationality , loc.cit. p.79.

(25) Oliver W. Holmes. Over the teacups . Londres : Sampson Low, Martson, Searle e Revington Limited, 1890, p.233-4.

(26) É o que faz Benjamin T. Spencer quando considera a constituição da literatura dos Estados Unidos como um processo se definindo em 1837, ano da publicação de The american scholar ", para terminar em 1855 com a publicação da primeira edição de Leaves of grass : ver " A national literature : 1837-1855 ", American literature : a journal of literary history, criticism and bibliography , v. 8, 1936037. Durham, Duke University Press ; New York, Kraus Reprint corporation, 1961, p.125-159.

(27) Ralph W. Emerson. Emerson and his journals . Op. cit. 2 junho 1840, p.239.

(28) R.W.B. Lewis. The american Adam, Innocence, tragedy and tradition in the nineteenth century (1955). Chicago e Londres, The University of Chicago press, 1968, p.45.

(29) Referências trazidas por F. O. Matthiessen. American renaissance , op.cit. p.523.

(30)Como o demonstra Benjamin T. Spenser, " there had been scores of similar declarations during the half century between the revolution and Emerson's address ". O que lhe permite afirmar que " the salient arguments of Emerson in The american scholar era essencialmente uma síntese do que foi desenvolvido por escores e autores nas duas décadas subseqüentes ". O historiador precisa por outro lado que " Emerson's The american scholar was only the most brillant link in a long chain of academic discourses in which Phi Beta Kappa oratos bespoke of teh interdependence of literature and national welfare "- ainda que, precisa ele " When viewed agains the backgraound of this insistant campaign among the periodicals for a national literature, single discourses like Emerson's The american scholar assume somewhat a less salient position in the American critical landscape ": The quest for nationality , op.cit. p.25 ; 150 ; 75-6.

(31) Ibidem p.332.