Uma nova linguagem

Carlos Fuentes 
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TERMOS RELACIONADOS AOS HIPERTEXTOS

Intertextualidade - O termo se refere ao diálogo entre textos. Menos preciso que dialogismo textual, intertextualidade foi usado a partir de Júlia Kristeva, mas fundamentada nos estudos do grupo de Bakhtin. A concepção de intertextualidade ou dialogismo textual põe em xeque a teoria das influências, conforme menciona o autor no parágrafo em que se inclui o termo comentado. (Veja também o hipertexto Dialogar.)

Dialogar - O verbo remete ao diálogo intertextual ou intertextualidade. Diálogo, porém, é mais preciso, porque se refere ao processo de construção ou de conhecimento do objeto (seja ele texto literário ou questão científica, p. ex.). (Veja também os hipertextos Textos sagrados e Intertextualidade.)

Linguagem seqüestrada - Ponto fundamental do capítulo e um dos importantes do ensaio, o núcleo temático linguagem seqüestrada , como lhe chama o autor, trata da linguagem que nos foi roubada pela conquista, pela dominação, pela repetição, pelo uso inadequado (v. texto 2, subtítulo Texto seqüestrado ) e pelos cânones histórico e literário que se pretenderam unívocos. Ambos assumiram a verdade como propriedade e, por desconhecimento ou arbitrariedade, a consideram registrada definitivamente nos textos sagrados ou canônicos. A linguagem seqüestrada é a linguagem própria e apropriada à circunstância latino-americana, afastada pela força dos textos canonizados e do poder instituído, também (com)sagrado. (Veja também Linguagem e Textos sagrados.)

Linguagem falada - Expressão inadequada, segundo o texto básico, o de Carlos Fuentes. Dever-se-ia falar em discurso da fala ou discurso da oralidade .

Realidade - No livro La nueva novela hispanoamericana , Fuentes distingue realidade de real . Realidade , segundo o texto em questão, é o meio circundante ou o próprio mundo real concreto. Real , como substantivo, é o mundo circunstante, i. e., o mundo total do observador, incluído o imaginário, fruto organizado da imaginação e do aprendizado, vale dizer, não comprovado ou não comprovável externa e concretamente. Trata-se, portanto, do mundo cultural, particularmente o do indivíduo.

Tecido inerte - A expressão se refere à linguagem seqüestradora , a partir da linguagem seqüestrada de que fala Carlos Fuentes. Com base nela, Schüler desenvolve as primeiras reflexões do capítulo.

Condição humana - A palavra condição representa o núcleo do poder exercido pelo homem sobre o mundo, incluído o próprio mundo humano. Aniquilar esse poder ou impedir o uso do direito correspondente da palavra significa, portanto, a degradação. Schüler se refere a isso ao discutir a condição de Fabiano, personagem do romance Vidas secas de Graciliano Ramos, expoente do denominado romance de trinta brasileiro. Especialmente no capítulo Fabiano , o personagem monologa a respeito da sua condição humana . "Você é um homem, Fabiano". Em seguida, retifica: "Fabiano, você é um bicho". A condição de bicho é que lhe dá segurança, porque ele vê nos animais fortaleza e condição capaz da vida frente à organização social, à condição humana e à circunstância climática.

Literatura regional - O adjetivo regional como categoria de crítica literária traz dificuldades. Dependendo de onde se olha, o texto é ou não regional. As circunstâncias de tempo e de espaço são marcantes. Schüler, falando a partir do Rio Grande do Sul, chama de regional a produção de Simões Lopes. Há, porém, quem estabeleça condições para considerar um texto regional . Na verdade, o que isso significa de muito importante para as questões que estamos analisando é que o regional aqui considerado é de fato a construção da linguagem própria e apropriada sob a organização de discurso característico e insubstituível.

Grande literatura - A expressão alude ao cânone literário tradicional. Por diferenciação a grande literatura se têm empregado "literatura emergente", "literatura menor", "paraliteratura", "literatura de dissidência" etc, de acordo com cada caso específico.

Mito - O mito é a narrativa primordial. O mito se elabora em geral a partir de concepções sacralizadas. O texto mítico tem linguagem tradicional, a linguagem mítica. A reorganização da linguagem e a correspondente reelaboração discursiva constituem a reorganização narrativa pós-mítica.