O Processo de Invenção da América

Edmund O'Gorman
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Comentário: Profª Eloína Prati dos Santos (UFRGS-RS)

Todo o historiador americano opera necessáriamente com uma idéia de América, embora para a maioria deles essa idéia está apenas parcialmente definida e mais implícita do que explícita. O historiador mexicano Edmundo O`Gorman (1906-1995) foi o primeiro a rebater com veemência o conceito de "descoberta" do continente, e outros como "encontro de dois mundos" e "mistura natural" em um acalorado debate desenvolvido em 1985 com seu colega Miguel León Portilla, que levou a sua demitissão da Academia Mexicana de História.

O`Gorman defendia a leitura das fontes primárias da história da América, em busca de perspectivas originais. Por seu trabalho com essas fontes sobre Colombo e outros "conquistadores", O`Gorman é considerado um dos pioneiros dos estudos pós-coloniais na América Latina. De fato, devemos a sua porposta essa primeira figura (gestalt): a "invenção da América", uma análise histórico filosófica desenvolvida ao estilo Heideggariano, onde a reconstrução documental da experiência nos leva a concluir que Colombo não descobriu a América em um sentido estritamente ontológico.

O trecho que temos aqui é a terceira e última parte do livro de O´Gorman, "O processo de invenção da América", onde ele estabelece as definições que nos levam a uma libertação da velha moral eurocentrista e de um conceito arcaico de mundo geográfico, possibilitando o desenvolvimento de estudos genuinamente americanos.