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Baleia-franca-austral

Outro representante da rica fauna encontrada no litoral do Rio Grande do Sul é a baleia-franca-austral (Eubalaena australis), também chamada de baleia-franca-do-sul ou baleia-certa.  A denominação de baleia-certa foi dada pelos antigos baleeiros por este ser um animal lento, de hábitos costeiros, com uma espessa camada de gordura e, portanto, ideal para a caça.

As fêmeas são um pouco maiores que os machos, chegando a 18 metros de comprimento e cerca de 55 toneladas.  Os filhotes nascem com aproximadamente seis metros de comprimento e com quatro a cinco toneladas.  Estima-se que os indivíduos de baleia-franca-austral possam viver por mais de 60 anos.

Trata-se de uma das espécies de baleia mais fáceis de se identificar, pois é a única espécie que ocorre no Brasil que não possui nadadeira dorsal (1). Outra característica marcante da espécie são as calosidades na cabeça (2). Estas calosidades são espessamentos da epiderme cobertos por colônias de ciamídeos (piolhos-de-baleia). Os piolhos-de-baleia são transferidos da mãe para seu filhote a partir do nascimento ou durante a cópula.  A forma, o tamanho, o número e a disposição das calosidades variam de indivíduo para indivíduo, formando um padrão único para cada baleia semelhante a uma “impressão digital”.  Possuem nadadeiras peitorais curtas e largas em forma de trapézio (3), a nadadeira caudal é larga e com coloração escura em ambas as superfícies (4).  O borrifo em forma de “V” (5) é outra característica da espécie.

A coloração do corpo destes animais é completamente preta com exceção de manchas irregulares brancas na região ventral (6), algumas vezes presentes no queixo.  Os filhotes nascem com uma coloração mais clara que vai escurecendo ao longo do tempo.


A espécie ocorre em todos os oceanos do Hemisfério Sul, sendo geralmente observada entre as latitudes de 20° S e 55° S. Os indivíduos desta espécie realizam migrações anuais entre as áreas de reprodução, onde permanecem durante o inverno, e as áreas de alimentação, onde permanecem durante o verão. A dieta dessas baleias é composta essencialmente por pequenos organismos planctônicos como copépodos e krill. As baleias-franca  não possuem dentes, mas apresentam cerca de 200-270 pares de cerdas bucais (7) que auxiliam na filtração do alimento presente na água do mar.

As áreas de alimentação mais importantes para a espécie estão localizadas próximas à Convergência Antártica e no entorno das Ilhas Geórgia do Sul.  Já as áreas de reprodução estão situadas em regiões de menor latitude, com águas mais quentes.  No Atlântico Sul Ocidental as principais áreas de reprodução são na Península Valdés, Argentina, e no sul do Brasil, especialmente no litoral centro-sul de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Até pouco tempo, acreditava-se que o litoral do Rio Grande do Sul era apenas um local de passagem das baleias para chegar às baías e enseadas de Santa Catarina, onde o pico de ocorrência se estende de agosto a outubro.  No entanto, um crescente número de avistagens de filhotes recém nascidos e de grupos de adultos em aparente comportamento reprodutivo no litoral do Rio Grande do Sul têm demonstrado que a região é também uma importante área de nascimento e acasalamento para a espécie.

Nas áreas reprodutivas a espécie exibe um hábito extremamente costeiro, podendo ser observada próximo à zona de arrebentação das ondas.  Esse comportamento pode dar a falsa impressão de que o animal está encalhado.

Atualmente, as principais ameaças à espécie são as colisões com embarcações e o emalhamento em artefatos de pesca. O crescente desenvolvimento do turismo voltado para a observação de baleias constitui outra ameaça potencial à espécie, especialmente pela grande aproximação dos barcos aos animais e pela falta de fiscalização. Neste sentido foram criadas a Lei Federal 7.643/87 e a Portaria IBAMA 117/96, as quais estabelecem leis e normas com o intuito de impedir a pesca e o molestamento de cetáceos em águas brasileiras.

Veja aqui uma reportagem sobre baleias-francas avistadas com redes de pesca presas ao corpo.

Para saber mais sobre essa espécie acesse: http://www.baleiafranca.org.br