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Pinguim-de-magalhães

PINGUIM-DE-MAGALHÃES

A grande riqueza biológica encontrada no litoral do Rio Grande do Sul se explica devido ao fato de o Estado estar localizado na região de encontro de duas correntes marinhas (Corrente das Malvinas, corrente fria, e a Corrente do Brasil, corrente quente.), formando a Zona de Convergência Subtropical do Atlântico Sul Ocidental.  Todos os anos, com a chegada do inverno e com a maior influência da Corrente das Malvinas, chega ao nosso litoral um grande número de pinguins.  No Brasil, há registro de ocorrência para quatro espécies de pinguins, sendo a mais frequente o pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus).

 

CARACTERÍSTICAS

Os pinguins-de-magalhães são aves marinhas de médio porte (≅65 cm e 4,5 kg) encontradas no sul da América do Sul, muito comuns na Argentina e no Chile.  No Brasil, os pinguins são encontrados ao longo da costa sul e sudeste, sem formar colônias reprodutivas. Anualmente, essas aves percorrem longas distâncias, desde suas colônias reprodutivas, até o nosso litoral. A migração é realizada geralmente por animais jovens que se dispersam das colônias em busca de alimento.  As colônias reprodutivas mais próximas encontram-se na Patagônia Argentina e nas Ilhas Malvinas, reunindo mais de um milhão de animais. A dieta dessas aves é composta principalmente por peixes pequenos, crustáceos e cefalópodes.

Reproduzem-se nas colônias entre setembro e março. Na época de reprodução essas aves formam casais e se revezam nas tarefas de incubação dos ovos e alimentação dos filhotes. Geralmente colocam dois ovos de tamanhos similares, com um intervalo médio de um a quatro dias. A incubação dura de 36 a 44 dias, os filhotes nascem com aproximadamente 100g e tornam-se independentes aproximadamente entre 60 e 120 dias.

Durante o primeiro ano de vida a plumagem é predominantemente acinzentada e não apresenta o padrão de colares no rosto e no peito, nessa fase o animal é denominado jovem. Na língua inglesa se utilizam os termos yearling ou first year para os pinguins durante o primeiro ano de vida. No ano seguinte eles realizam a muda, substituição das penas antigas por penas novas.  A plumagem dos indivíduos adultos se difere principalmente pela presença dos “colares” em torno do rosto e do peito.

Os pinguins são aves que apresentam uma enorme quantidade de pequenas penas que, juntas, aprisionam uma camada de ar na superfície do animal, ajudando a minimizar a perda de calor para o meio externo.  Durante a muda o animal geralmente não entra na água, pois não há essa proteção térmica, entretanto é comum encontrarmos indivíduos na orla que ainda estão realizando esse processo. Em muitos casos os animais são retirados indevidamente da praia, pois a muda é confundida com machucados pela população. Confira a seguir fotos de pinguins-de-magalhães durante a muda.

 

Não há um dimorfismo sexual marcante na espécie, porém os machos costumam ser mais robustos que as fêmeas. A maturidade sexual das fêmeas é alcançada entre 4-5 anos e dos machos entre 6-7 anos, segundo a literatura.

 

COMO PROCEDER AO ENCONTRAR UM PINGUIM VIVO NA ORLA?

Todos os anos entre o outono e o inverno austrais inúmeros pinguins se dispersam de suas colônias reprodutivas e se deslocam para o norte em busca de alimento. Muitos deles chegam exaustos ao litoral gaúcho, podendo vir a óbito nas praias. Outros acabam interagindo com atividades humanas, como a pesca ou se contaminando com petróleo ou seus derivados no próprio oceano. Nesse sentido é importantíssimo que a população compreenda e saiba discernir quais animais precisam ser retirados do ambiente natural e quais não precisam. O animal só deve ser retirado da praia se apresentar algum dano possivelmente causado por ação antrópica: lesões externas, vestígios de óleo na plumagem, presos em redes de pesca. Caso contrário, não devemos interferir no ciclo de vida do animal e no processo de seleção natural.

 

SE VOCÊ ENCONTRAR UM ANIMAL DESTES VIVO É IMPORTANTE SEGUIR ALGUMAS RECOMENDAÇÕES:

  • Manter distância mínima de cinco metros e evitar aglomerações em volta do animal, pois isto causa grande estresse;
  • Nunca alimentá-los;
  • Jamais tentar recolocar um animal de volta ao mar;
  • Nunca tentar retirá-los da praia ou transportá-los sem avaliação de profissionais qualificados (biólogos e veterinários) em fauna marinha;
  • Jamais levá-los para sua residência;
  • Respeitar a rotina de vida das espécies que utilizam a praia para descanso;
  • Avisar as autoridades competentes e, sempre que possível, realizar registro fotográfico para facilitar a avaliação dos biólogos e veterinários quanto a real necessidade de resgate.

 

CONTAMINAÇÃO POR PETRÓLEO E OU SEUS DERIVADOS

Infelizmente, a contaminação dos oceanos por petróleo e seu derivados é um perigo iminente, seja através da lavagem dos porões de navios petroleiros ou por acidentes com esses produtos.  Quando ocorrem essas catástrofes, os animais marinhos são fortemente impactados, especialmente os que vivem junto à superfície, como as aves marinhas. No nosso estado, os animais mais afetados geralmente são os pinguins-de-magalhães, que ao retornarem à superfície são cobertos pelo óleo. Esses produtos se fixam nas penas e causam uma série de impactos ao animal: dificulta a natação, impede a impermeabilização das penas, permite maior perda de calor do animal para o ambiente externo e causa intoxicações.

 

As aves afetadas nesses acidentes geralmente apresentam um quadro de hipotermia grave e desidratação, por isso é importantíssimo que o resgate desses animais seja feito rapidamente. Se você encontrar um pinguim com o corpo coberto por petróleo ligue imediatamente para o CECLIMAR, Comando Ambiental da Brigada Militar ou IBAMA.  Ao ser resgatado por uma equipe especializada o animal é encaminhado ao Setor de Reabilitação de Animais Silvestres e Marinhos do CECLIMAR, no qual recebe o tratamento necessário para sua reabilitação.

 

Confira como funciona a reabilitação de pinguins-de-magalhães petrolizados:

 

1- Os pinguins avistados na orla com a plumagem suja por petróleo ou seus derivados são encaminhados ao Setor de Reabilitação do CECLIMAR;

2- O pinguim então é avaliado pela equipe do CERAM e os primeiros cuidados são providenciados (hidratação e aquecimento);

3- Após estabilização da temperatura e recuperação da massa corporal, os pinguins são lavados para remoção do petróleo de sua plumagem;

4- Após o banho, que é bastante desgastante, os pinguins precisam refazer a impermeabilização da plumagem e recomeçar a se alimentar sozinhos, capturando o peixe que lhes é oferecido;

5- Cumpridas essas etapas, o animal é anilhado com uma anilha de inox padrão para a espécie com uma numeração que identifica o indivíduo no caso de reencontro na natureza;

6- Após o anilhamento os pinguins estão aptos à soltura no ambiente natural.

 

IMPORTANTE

Todos os pinguins, antes de serem devolvidos ao ambiente natural, recebem uma anilha metálica, fixada em uma das nadadeiras. Essas anilhas são fornecidas pela CEMAVE, que possui o Sistema Nacional de Anilhamento de Aves Silvestres.  Cada anilha possui um número específico. Caso você encontre uma ave anilhada, viva ou morta, identifique qual a numeração, se possível faça registro fotográfico e avise o CEMAVE (sna.cemave@icmbio.gov.br) ou o CECLIMAR (fauna_marinha@ufrgs.br). Esse tipo de informação é muito importante, pois com ela é possível conhecer o tempo de vida do animal após a marcação, os locais que eles habitam, as rotas migratórias, entre outros. Além disso, a carcaça do animal morto com a anilha também fornece informações importantíssimas sobre a biologia da espécie. Tais dados são essenciais para o monitoramento e para a elaboração de políticas de conservação das aves e dos ambientes dos quais elas dependem.

Pinguim-de-magalhães reabilitado e anilhado no CERAM e posteriormente reavistado em Isla Leones, Patagônia Argentina.