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Debate sobre democracia digital encerrou o Compolítica 2017

Última mesa teve como participantes Emerson Cervi (UFPR), Marco Cepik (UFRGS) e Wilson Gomes (UFBA)
Debate sobre democracia digital encerrou o Compolítica 2017

Foto: Renata Lohmann


A última mesa do Compolítica 2017 aconteceu na manhã desta sexta-feira (12). Com o tema “Democracia digital: pesquisa e internacionalização” e mediada pelo professor Viktor Chagas (UFF), a mesa teve como participantes Emerson Cervi (UFPR), Marco Cepik (UFRGS) e Wilson Gomes (UFBA).

A primeira palestra foi de Emerson Cervi, com o tema “Idas e vindas na pesquisa sobre Democracia e Opinião Pública no mundo”. Ele apresentou uma periodização da trajetória da opinião pública, dividindo essa trajetória em quatro momentos: “Ilustrada” – predominante no século XVIII, realizando-se nos salões, tendo como ator a elite culta, caracterizando-se pela transmissão pelo diálogo racional e pela imprensa e por um sentido de confiança; “Gritada” - característica do século XIX, ocorrendo nas ruas, com movimentos coletivos, panfletos, cartazes e imprensa popular e carregando sempre um sentido de desconfiança; “Pesquisada” – existente no século XX, ocorrendo através de instituições especializadas e intérpretes oficiais, através dos meios eletrônicos e caracterizada pela confiança; e “Comercial” – presente no século XXI, com instituições não especializadas, intérpretes incultos como atores, perpassando os meios digitais com um sentido de desconfiança. Na internet, apontou, há uma forte associação entre crenças e seleção de conteúdos, e o partidarismo é o que move a recepção, interpretação e respostas. Mesmo assim, vozes antes não representadas aparecem, visões de mundo que estavam fora emergem como possibilidades. Porém, o professor demonstrou preocupação com uma participação ainda passiva dessas novas tecnologias.

Marco Cepik falou em seguida, tendo como tema “Estado & democracia – era digital”. Para ele, a discussão sobre democracia digital é inseparável de uma discussão sobre governança digital mais ampla. O professor falou de uma separação entre Demos e Kratos no capitalismo global – há, ao mesmo tempo, aumento da população e concentração do poder. A era digital, disse ele, trata-se da maior mudança e a mais rápida transição tecnológica que a humanidade já experimentou. Por toda essa complexidade e aceleração, devemos guardar desconfiança com as dimensões idealizadas e buscar identificar formas de conviver da melhor forma possível equilibrando os dilemas existentes, já que, por um lado, as novas tecnologias empoderam, mas, por outro, concentram poder no Estado e nas organizações. Dessa forma, sobre o futuro, Cepik foi tachativo: ou esse movimento vai se caracterizar por mais conhecimento reflexivo, ou será de alienação.

Por fim, Wilson Gomes fez a sua explanação, com o tema “20 anos de democracia digital”. Ele apresentou resultados dos estudos que tem realizado sobre o histórico e as preocupações existentes na pesquisa sobre democracia digital. Gomes relatou que já foi construída uma base de dados com cerca de 5 mil artigos que tratam do tema. Apresentou, como introdução, uma definição básica de democracia digital como “o uso de tecnologias digitais para produzir mais democracia e melhor democracia”. Nesse sentido, do ponto de vista do pesquisador, a democracia digital apresenta-se como campo científico e como campo de experimentos, projetos e iniciativas. O professor explicou que a grande área da democracia digital tem um tripé fundamental: Política, Estado e Democracia Digitais, elementos que são a base dos principais estudos. A partir dessa definição, Gomes apresentou alguns dos principais temas tratados em cada um desses sub-grupos, destacando o crescimento da área de pesquisa a partir de 1996, e, em especial, nos anos 2000.

O Compolítica 2017 acabou nesta sexta, 12/05, com a finalização das apresentações de trabalhos nos nove GTs que compuseram o congresso.

O vídeo completo da mesa pode ser conferido aqui.

Com informações do OBCOMP.