A cor das coisas

TEXTO E FOTOS LETÍCIA LAMPERT - DESIGNER E ARTISTA VISUAL FORMADA PELO INSTITUTO DE ARTES DA UFRGS

A cor palavra. A palavra fotografada. A cor tentando se explicar. Literalmente. Intangíveis, cores não passam de convenções, de conceitos abstratos. Não temos como avaliar se a noção de cor de cada um é exatamente igual. E, na tentativa de criar padrões, nomes são dados a elas, nomes de “coisas”. Mas as pessoas realmente se dão conta de que o azul montanha tem este nome por que (todas) as montanhas, vistas ao longe, têm essa cor? E quanto ao azul calcinha?

Ao fotografar as coisas que dão nome às cores, instiga-se à reflexão de ambos os signos, o visual e o verbal, além de se proporem relações entre real e imaginário, natureza e convenção e, de forma lúdica, se vislumbrarem os processos de significação das cores na criação de um imaginário coletivo. A fotografia permite esse jogo por trazer o referente original à visão – referente este que, no uso corriqueiro das palavras, vira um dado quase abstrato.

Inspirado no formato dos catálogos de normatização de cores, como o Pantone, este projeto deu origem a um livro/catálogo que, em lugar de atestar uma suposta veracidade de determinada cor, busca mostrar exatamente o oposto, uma vez que, em matéria de cores e palavras, a imprecisão é a regra. O livro, e também uma exposição que foi vista na Galeria La Photo, em Porto Alegre, no mês de janeiro, foram financiados pelo FUMPROARTE, da Prefeitura de Porto Alegre. Mais imagens podem ser vistas em www.leticialampert.com.br/color.

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