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| Uma sacerdotisa da arte |
| Bastidores Pianista e professora aposentada, Zuleika Rosa Guedes revela sua fé |
Jacira Cabral da Silveira Ela brincou na Rua da Praia quando criança. Isso já faz 91 anos, pois a pianista e professora aposentada do Instituto de Artes da UFRGS nasceu no dia 7 de janeiro de 1919. O comentário de ser do signo de capricórnio soou estranho à musicista, que confessa não ter inclinações místicas ou religiosas. A crença de Zuleika Rosa Guedes é outra: “Minha fé está na arte, em todas as artes, porque elas são verdades”, explica. Convicção que carrega desde menina, quando começou a aprender piano em casa, e que não abandonou mesmo depois, durante os estudos no então Instituto de Belas Artes. “O amor pela música é natural no ser humano”, argumenta, ao comentar sua paixão e o motivo que a levou a escolhê-la como carreira. Foi justamente a cátedra de Corrêa que Zuleika veio ocupar em 1959, depois de prestar concurso. Para a sua disciplina de piano no Instituto, trouxe os amigos Camargo Guarnieri e Francisco Mignone para ministrarem cursos a seus alunos. Muitos desses, hoje em dia, são profissionais reconhecidos fora dos limites do estado, como é o caso de Celso Loureiro Chaves e Ney Fialkow, atualmente professores do curso de Música da UFRGS. Tais vivências e o dia a dia no meio acadêmico, durante seus 25 anos de magistério superior, foram muito especiais para a pianista: “O fato de lecionar faz com que a gente examine e esclareça muitas coisas, o que não conseguimos quando somos estudantes. Por isso, acho que lecionar é um grande aprendizado, talvez o maior deles”. Depois de muitas participações em concertos dentro e fora do país, Zuleika fundou o conjunto de câmera Trio Porto Alegre, com dois músicos da Orquestra Sinfônica da capital (OSPA): o violinista Fernando Hermann e o violoncelista Jean-Jacques Pagnot, falecido há seis anos. O grupo atuou por 30 anos e, nos últimos tempos, contou com a participação do violinista Telmo Jaconi, com quem Zuleika festejou, no ano passado, o aniversário dos 50 anos de criação do Trio. Entre as obras que já publicou, a musicista destaca O piano na música brasileira (Movimento, 1992), que escreveu em parceria com Maria Abreu. O livro resulta de longa pesquisa sobre o aparecimento do piano no país. Sua mais recente publicação, Correspondência de Frederic Chopin (Editora da UFRGS, 2009), é uma tradução inédita do francês, cujo original foi publicado em 1981, em Paris, por Richard-Masse Éditeurs, em três volumes. Saraus privados – Viúva do médico psicanalista Paulo Luís Viana Guedes, também musicista e compositor, eram comuns os saraus no apartamento em que vivia o casal e os fi lhos, Berenice e Paulo Sérgio. A grande amizade deles com Guarnieri fazia deste uma presença constante nos encontros musicais. Ao comentar sua vida com Guedes, a pianista lamenta ter sido um tempo tão curto, “apenas 29 anos”, diz. Isso porque: “Tudo deu certo com a gente, sempre nos demos muito bem”, recorda sem qualquer tom de melancolia. A vida profissional intensa do casal colaborou com a sua total falta de inclinação para as atividades culinárias: “Sempre tivemos quem cozinhasse para nós”, comenta aliviada. E os filhos seguiram o caminho dos pais, com a agenda repleta de atividades. Paulo Sérgio fez psiquiatria, como o pai, e Berenice música, como a mãe. E com o nascimento dos sete netos e sete bisnetos a família aumentou consideravelmente. Embora Zuleika nunca tenha feito o papel da vovozinha contadora de histórias, os netos a adoram por terem sido seus fiéis companheiros de viagens, entre outras, para o Rio de Janeiro, São Paulo e Orlando, na Disney. Hoje os bisnetos a olham de modo diferente de zuzu@ - Há quem diga que a longevidade de um indivíduo é proporcional à sua capacidade de adaptação. Talvez seja esse um dos segredos de Zuleika, que com nove décadas de idade tem endereço eletrônico, zuzu@, e participa de blogues. Outra característica que certamente contribui para que mantenha a jovialidade é sua capacidade de preservar a esperança, ainda que a situação seja adversa: “Sempre fui assim”. Entretanto, ultimamente confessa estar apreensiva com a situação da OSPA, até agora sem uma “casa” para ensaios e apresentações. “A única coisa que pode fortalecer um povo é sua vida cultural”, adverte. Ela condena a letargia com que o tema vem sendo tratado ao longo dos últimos anos pelos governos que se sucedem no município e no estado. Indignada com o descaso, profetiza: “As verdades dos políticos, amanhã ou depois, já não são mais verdades. O que fica é a obra do artista, porque tem perenidade”. |
Meu Lugar na UFRGS Histórias, vinho e informática
A combinação é curiosa e revela um pouco da trajetória de Carlos Rech, que passou 30 anos de sua carreira rodeado pelos computadores do Centro de Processamento de Dados, o CPD. “Isso aqui é a minha vida”, relata. Também pudera, ele acompanhou grande parte da evolução da informática no mundo e o seu desenvolvimento dentro da UFRGS. Como essa é uma área em constante mutação, ele diz que seu trabalho exige atualização diária. “Devo estar atento às inovações”, comenta, acrescentando que sua função é capacitar os servidores da Universidade. “Jamais pensei que iria treinar meus colegas”, fala, quando relembra seu ingresso no Centro. Começou como bibliotecário no Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação, para substituir uma colega em licença. Segundo ele, nesse período não existia tanto apoio ao setor e “era tudo na base do ‘cada um se vira’”. Por isso, o CPD fez treinamento sobre as tecnologias ligadas à informática. Eram duas áreas naqueles anos: a divisão de computação e a divisão acadêmica, e Carlos inseriu-se na primeira. Em 1986, começaram os cursos para professores, servidores e para a comunidade, a fim de apresentar a Universidade por meio da Informática. “Nós vimos que era uma necessidade da própria instituição”, conta. Desde então, ele não parou mais: tornou-se técnico em assuntos educacionais e capacita servidores até hoje na Secretaria de Treinamento e Divulgação, que coordena. Fazendo a conta, já ministrou 786 cursos. Apesar de desgastante, ele encara a atividade de sala de aula como um espaço de jogo, pois entende que é brincando com o conhecimento dos softwares que se otimizam as tarefas. “O computador é quem deve trabalhar para ti, e não tu para ele”, comenta. Para o técnico, o mais fascinante é conviver com o “rico manancial que é a Universidade”. Carlos defende a vantagem do trabalho no CPD: através dele, entra em contato com todos os polos de pesquisa da UFRGS. Um dos ambientes do Centro foi eleito por Carlos como o favorito para os momentos de descanso. “Quando há um pouco de marasmo ou de tensão, sento-me no banquinho à frente do CPD, à sombra.” Algumas das árvores foram plantadas por ele e, próximo à entrada, existe até uma piscina para passarinhos. “Próximo à natureza é possível se refazer”, conta. Além do treinamento dos servidores, Carlos também coordena a Escola Superior de Redes da Unidade Porto Alegre, referência nacional no gerenciamento de computadores. Não foi por acaso que ele iniciou sua vida no CPD como bibliotecário: ele não esconde a paixão pelos livros, pois se diz um eterno curioso. “A informática é, na verdade, uma grande biblioteca. Assim como os livros, os computadores guardam ricas histórias, ainda mais na vida de alguém que tem a função de repassar a evolução tecnológica para os outros”, compara. Mesmo apaixonado pelo que faz e pelo local em que trabalha, Carlos é enfático ao prever sua aposentadoria: “A última coisa que quero ver à minha frente quando sair daqui é computador”. Seu projeto para o futuro é “mexer com uvas”, confessa. A ideia surgiu num curso de enologia e viticultura que esteve sob a sua responsabilidade em Bento Gonçalves e em cujo currículo deveria haver uma disciplina de informática. “Fiquei Maria Elisa Lisbôa, estudante do 8.º semestre de Jornalismo da Fabico
Esta coluna é resultado de uma parceria entre o JU e a UFRGS TV. Os programas de televisão com as entrevistas aqui publicadas serão exibidos ao longo da programação do Canal 15 da NET às segundas, terças, quintas e sextas-eiras, a partir das 21h30min. Você tem o seu lugar na UFRGS? Então escreva para jornal@ufrgs.br e conte sua história — ou a de alguém que você conheça — com esse local |