Espaço da Reitoria
Tecnologia e sustentabilidade

Carlos Alexandre Netto — Reitor

A ação humana está conduzindo o planeta a um estado crítico. O uso indiscriminado dos recursos naturais, a extinção de espécies animais e vegetais e o aquecimento global parecem levar, inexoravelmente, a uma condição conforme a qual nossos descendentes terão de desenvolver adaptações a cenários graves e de difícil definição. Aprendemos com o renomado
climatologista, o doutor Carlos Nobre – que brindou a comunidade universitária com a brilhante Aula Magna que inaugurou o semestre 2010/1 –, que a ação antrópica causou o aumento da concentração atmosférica de gases do efeito estufa (principalmente metano, dióxido de carbono e óxido nitroso) a níveis nunca antes registrados. Tudo indica que o aquecimento resultante já tem efeitos mensuráveis, como o degelo do Ártico no verão. Se tal fenômeno não for ao menos parcialmente revertido, a temperatura média global subirá entre 2 e 5 graus centígrados até o final do século; os níveis dos oceanos poderão subir alguns metros.

Apesar dessas evidências e dos preocupantes cenários futuros, ainda são fracas as iniciativas que cientistas ambientais e políticos vêm desenvolvendo para discutir soluções possíveis, bem como indicar as necessárias políticas públicas. O Painel Intergovernamental sobre o Clima, que reuniu esforço planetário, acabou tendo efeito aquém do desejado, devido à fraca adesão dos países responsáveis pela emissão do maior volume de gases de efeito estufa. Independentemente de ideologias e regimes, já que China e Estados Unidos têm posições similares, a pressão pelo lucro derivado da produção industrial de larga escala a partir de combustíveis fósseis prevalece sobre a demanda urgente da sustentabilidade planetária.

A questão da sustentabilidade é transversal, perpassa inúmeras disciplinas e interessa a todo cidadão consciente. Casa de conhecimento e saber, a Universidade reflete sobre e estuda esse tema de elevada complexidade. Cabe à UFRGS, como local de pesquisa e de inovação, dar um passo além e assumir o desafio de desenvolver pesquisa básica e inovação tecnológica capaz de incentivar o desenvolvimento sustentável. Tecnologias chamadas verdes já são disponíveis, inclusive para a produção de plásticos; e sempre é bom lembrar a liderança do Brasil na área de biocombustíveis, desenvolvidos em parcerias entre centros de pesquisa e universidades. Esse desafio maiúsculo, que certamente irá engajar muitos de nossos grupos de pesquisa, contará brevemente com um local especial: o Parque Tecnológico da UFRGS. Recentemente aprovado pelo Conselho Universitário (Consun) por ampla maioria, o Parque irá delimitar, no Câmpus do Vale, um espaço físico no qual laboratórios especializados e inovadores irão interagir diretamente com empresas públicas e privadas, bem como com organizações de outras naturezas.
Criado como Órgão Especial de Apoio, a governança do Parque estará subordinada ao
Consun; seu estatuto e regimento passam agora a ser discutidos pelo conjunto da comunidade. A partir do Parque será possível expandir as mais de 700 parcerias institucionais já firmadas, bem como as atividades das incubadoras tecnológicas. Espaço institucional de inovação, com potencial de criação de novos produtos, geração de empresas, de emprego e de riqueza. Espaço de futuro para o desenvolvimento sustentável; ciência, tecnologia e inovação a serviço da sociedade.

 
Mural do leitor
jornal@ufrgs.br
 

Prédios históricos

Escrevo motivado pela matéria da página 3 da edição de março de 2010. Sou ex-aluno da UFRGS e, como historiador, estou envolvido em questões relativas ao patrimônio, especificamente no que dizem respeito à saúde, pois todo meu trabalho acadêmico gira em torno desse tema, bem como a função que desempenho. Já há algum tempo enviei um e-mail ao Setor de Patrimônio da Universidade “alertando” para o fato de haver uma “goteira” molhando a fachada lateral do prédio histórico da Faculdade de Medicina. Trata-se, penso eu, de um cano de ar-condicionado. Enfi m, algo facilmente resolvido com a instalação de uma mangueira! Em um primeiro momento, lá em janeiro, o pessoal [do Patrimônio] até respondeu. Mas a situação continua, e eu fi z mais dois contatos. Está tudo igual. Escrevo apenas para solicitar que articulem com os responsáveis uma solução, porque acaba ficando estranho, ao meu ver, um empenho tão grande em mostrar as melhorias e o trabalho bem-feito em alguns prédios, enquanto outros nem por medidas preventivas passam. Fica parecendo “arruma numa ponta, estraga em outra”.

Éverton Quevedo, Diretor do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul


Eleições 2010

Gostaria de sugerir à equipe do Jornal da Universidade uma reportagem sobre os políticos e as campanhas eleitorais, já que este é mais um ano em que teremos de suportar a propaganda obrigatória nos canais de rádio e televisão. E ainda por cima, seremos bombardeados por mensagens indesejadas em nossas caixas de correio eletrônico. Como são desenvolvidas as campanhas? De que forma os candidatos selecionam alguns pontos de seu programa de governo e omitem outros?

Marcos Santanna, professor estadual


Mestres em decadência

É triste constatar a perda de status dos professores: se antes eram vistos como exemplo a ser seguido e, por vezes, como heróis que sobreviviam apesar dos baixos salários, hoje são tratados como ameaça pelo governo gaúcho. Quem circula pela praça Marechal Deodoro já se acostumou a ver os gradis de metal que delimitam o “espaço do choro”, ao qual todo tipo de manifestação é confinada em frente ao Palácio Piratini. Constrangidos, os protestos dos manifestantes assumem um tom melancólico. Será que eles se tornaram tão banais a ponto de não merecer mais do que alguns metros de cerca? Fica aqui uma sugestão de pauta para este jornal.

Roberta Santos Marques, técnica em Enfermagem

Enem

Muito oportuno o artigo do professor Luis Augusto Fischer, na edição n.º 124. Apoio todas as suas “cinco acusações contra o ENEM”. Também acho que o objetivo inicial de avaliar a aprendizagem dos estudantes foi desvirtuado e dirigido com intenções totalitárias. O Brasil é imenso, múltiplo e díspar. A padronização proposta desrespeita trabalhos sérios feitos nos centros mais desenvolvidos, que poderiam ser aproveitados e aperfeiçoados. A experiência vai mostrar que essa busca de controle total é tão artificial quanto foi o Vestibular Unificado proposto nos anos 70 pelos militares. Parece que os administradores públicos não têm aprendido com a História e procuram, de novo, “reinventar a roda”... Fiquei muito preocupada, especialmente com o silêncio de professores e dirigentes em relação à proposta, que tem itens estapafúrdios. Foi tudo imposto e aprovado rapidamente nos Conselhos das universidades federais, sem discussões. Será que todos os questionadores estão, agora, no governo?

Silvia M. Rocha, aposentada

Gata Mimi I

Que matéria maravilhosa, tantas histórias da Universidade, a morte daquela peludinha a pauladas, agora esta reportagem sobre a gata Mimi. Que exemplo os protetores têm tido: inúmeros imprevistos com colégios, repartições públicas e até no teatro São Pedro, que não quer bichos lá. Esta matéria tinha de sair em um jornal de grande tiragem para todo o Rio Grande do Sul, para dar esse exemplo de amor, saúde e muita humanidade. Parabéns a toda a redação e ao pessoal da Universidade.
Maria Cristina Abbott, DMAE – Prefeitura de Porto Alegre

Gata Mimi II

Moro em Caxias do Sul e faço parte de ONGs de proteção animal aqui da cidade. Quero parabenizar o jornal pela reportagem e todas as pessoas que estão cuidando dessa gatinha linda. Parabéns pela matéria. Um grande exemplo para todos nós.

Tatiane Baggio, estudante de Psicologia da UCS

Gata Mimi III

Excelente a matéria sobre a gata adotada pela comunidade da Faculdade de Direito da UFRGS. Há alguns anos, essa seria uma atitude impensável. Hoje, vemos diversos locais de comércio em que animais de estimação tornaram-se inclusive uma atração para os clientes. Exemplos disso são uma pequena livraria localizada na Rua Riachuelo, entre a Marechal Floriano e a Borges de Medeiros, na qual dois felinos reinam absolutos, e uma loja de material para artesanato com tecidos, situada na Avenida Venâncio Aires, em que um gato e um cachorro fazem as honras da casa. Espero que, depois da UFRGS, outras instituições de ensino sigam o exemplo.

Lúcia Oliveira, aposentada

 

 
Memória da UFRGS
Década
de 20

Seção do gabinete de Química, localizado no antigo Instituto de Química Industrial do Câmpus Centro, onde hoje funcionam setores administrativos do Anexo II da reitoria.