Aula Magna
Mudanças climáticas:
hora de rever paradigmas

Para Carlos Nobre, as novas gerações têm uma atitude mais solidária com a vida do planeta - Cadinho Andrade/JU

 

Como parte das atividades de abertura do ano letivo de 2010, a aula magna trouxe um dos temas de grande relevância na atualidade: as mudanças climáticas. O professor Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos autores do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) – premiado com o Nobel da paz –, palestrou para um Salão de Atos lotado. Ele apresentou dados preocupantes sobre os efeitos do aquecimento global, abordando a questão das chuvas intensas no Brasil nos últimos anos, e criticou um paradigma de nossa sociedade que se mantém desde o Iluminismo: o de que a ciência e a tecnologia trariam soluções para qualquer problema.

De acordo com o pesquisador, o planeta demorou 10.000 anos para aumentar a temperatura em 5ºC, e a atividade humana, por meio das emissões de gases estufa, principalmente o gás carbônico proveniente de desmatamentos, queimadas e do uso de combustíveis fósseis, vai provocar o mesmo aumento de temperatura em 200 anos, acelerando em 50 vezes o processo natural de aquecimento.

Nobre ressaltou que algumas consequências dessa aceleração já se manifestam em diversas partes do globo. O gelo do Ártico, por exemplo, diminui de forma abrupta desde 1980: a camada que dividia os oceanos Atlântico e Pacífico entre o Canadá e a Sibéria desapareceu em 2008, após milhões de anos – e em 50 anos poderá desaparecer totalmente do Polo Norte no verão. A geleira da Groenlândia, que num processo natural se derreteria totalmente em cerca de 1.000 anos, poderá derreter em 100 anos, e isso deverá provocar um aumento no nvel dos mares de até seis metros. O cientista citou ainda a extinção de espécies e o aumento da frequência de furacões e das chuvas intensas como consequências de um planeta mais quente.

As projeções do Inpe para o Brasil indicam grandes mudanças. Se o desmatamento na Amazônia chegar a 40% ou a temperatura global aumentar 3,5ºC, a floresta poderá transformar-se numa savana, e o cerrado brasileiro pode se tornar um deserto. Há possibilidade de diminuição de chuvas no semiárido nordestino, afetando a vida de 14 milhões de pessoas que dependem da agricultura de subsistência, desprovidas de tecnologia para se adaptarem a uma redução na disponibilidade de água. Mas haveria um aumento da frequência de chuvas intensas no sul-sudeste do Brasil, ampliando a possibilidade de desastres, como os eventos de Santa Catarina, São Paulo e, mais recentemente, do Rio de Janeiro.

Há uma meta proposta pelo IPCC de não permitir que a temperatura global aumente mais do que 2ºC até o fi nal do século, limitando a uma emissão média de 5 bilhões de toneladas de gases estufa por ano no mundo todo. Mas, para Nobre, é difícil que os países entrem em um acordo sobre as cotas de emissões que caberiam a cada um – é por isso que as convenções sobre o clima, a última das quais em Copenhagen, fracassaram.

Acreditando que o país possa assumir um protagonismo na área ambiental e climática, o professor disse que, nos últimos cinco anos, o Brasil tem conseguido diminuir o desmatamento da Amazônia, tendo aprovado em dezembro do ano passado a Política Nacional sobre Mudança do Clima, em que assumiu o compromisso de diminuir suas emissões de carbono em 25% até 2020: “É uma meta mais ambiciosa que a dos EUA, por
exemplo. Resta saber se essa direção será mantida”.

Carlos Nobre encerrou a aula afirmando que a universidade é um espaço de reflexão, no qual
a discussão sobre uma mudança de paradigma, que passe a ser comprometido com o ambiente e o clima, pode ganhar espaço e influenciar a sociedade. Disse que a sua geração falhou nesse aspecto, mas que as novas gerações têm uma atitude muito mais solidária com a vida do planeta”, concluiu.

Diego Mandarino, estudante do 7.º semestre de Jornalismo da Fabico

 

Esporte
Atividades gratuitas

Divulgasção - www.unionwaldhausen.at
 

O Programa Segundo Tempo, núcleo Quero-quero, fruto de uma parceria do Ministério dos Esportes com a Escola de Educação Física da UFRGS, está recebendo inscrições para uma lista de espera de crianças e jovens interessados em participar de atividades esportivas. O projeto oferece aulas de tênis, futebol, ginástica, vôlei, natação, basquete, handebol e atletismo gratuitas para crianças e jovens com idades entre 6 e 16 anos, estudantes de escolas públicas. As inscrições podem ser realizadas na ESEF (Rua Felizardo 750, Câmpus Olímpico), sempre às terças, quintas e sextas-feiras, mediante a apresentação de comprovante de matrícula e fotocópia da certidão de nascimento da criança.
Informações pelo telefone 3308-5891.

Reconhecimento
JU recebe Troféu Destaque Andifes de Jornalismo

Pela segunda vez, o Jornal da Universidade recebeu o Troféu Destaque Andifes de Jornalismo das Instituições Federais de Ensino Superior. O prêmio foi entregue no dia 14 deste mês, durante reunião plenária na sede da Associação, em Brasília. O JU obteve o terceiro lugar; em segundo, o Jornal da UFRJ; o Jornal Beira do Rio, da Universidade Federal do Pará, conquistou o primeiro lugar.

Ranking nacional
Universidade é a segunda melhor pelo IGC

Segundo avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, divulgada em março, a UFRGS ficou em segundo lugar no Índice Geral de Cursos (IGC), atrás apenas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O resultado foi obtido pelo cruzamento de dados fornecidos pelo Enade e pela Capes.

Pensamento & crítica
UFRGS lança projeto Mal-estar na Cultura

Numa iniciativa inédita do Departamento de Filosofia do IFCH e do Departamento de
Difusão Cultural da Pró-reitoria de Extensão, será lançado nos dias 26 e 27 deste mês o módulo inicial do projeto Mal-estar na Cultura – Visões Caleidoscópicas da Vida Contemporânea. O evento, coordenado pela professora Kathrin Rosenfield, compreende uma dupla possibilidade de participação: virtual e presencial. A programação será desenvolvida dentro de uma plataforma virtual fechada, na qual os inscritos poderão participar de debates, ter acesso a textos críticos, arquivos de imagens, áudio e vídeo e a outros materiais que auxiliarão no aprofundamento das discussões propostas. Para ter acesso à plataforma, é preciso cadastrar-se no site www.malestarnacultura.ufrgs.br. O módulo de estreia, intitulado Mal-estar Arte-Corpo-Mente, será presencial e inicia no dia 26 com uma palestra da professora Kathrin, que irá introduzir os aspectos antropológicos, filosóficos e práticos que envolvem o corpo ‘senti-mental’. No dia 27, as discussões do dia anterior serão exemplificadas na atividade Refabulando: relato sobre a apresentação cênica do Projeto Refabular Esopo, realizado com jovens do Bairro Mario Quintana. Essas atividades serão desenvolvidas na Sala Fahrion da reitoria a partir das 19h. Informações pelo telefone 3308-3933.

Teatro & Dança
Corpo, Performance e Tecnologia

O Programa de Pós-graduacão em Artes Cênicas da UFRGS, em parceria com a Coordenação de Dança da Prefeitura de Porto Alegre, promove, nos dias 28, 29 e 30 deste mês, o Seminário Internacional Corpo, Performance e Tecnologia. O evento tem inscrições gratuitas e será realizado na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av. Érico verissimo, 307). Estão entre os palestrantes, o performer canadense Andrew Harwood e o professor da Universidade de Bolonha Enrico Pitozzi. Outras informações pelo telefone 3289-8065.

UFRGSTV

Conhecendo a UFRGS
Repensando o trânsito nas grandes cidades

Bruna Oliveira e Sarita Reed*

Problemas como congestionamentos, acidentes e poluição são constantes pautas de discussão por estarem cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas. Preocupado com essa questão, o Laboratório de Sistemas de Transportes da UFRGS (Lastran) desenvolve estudos sobre o tráfego em redes viárias. O projeto surgiu em 1990, por iniciativa de professores do Departamento de Engenharia Civil da Universidade, e se utiliza de softwares simuladores para desenvolver suas pesquisas. “Estamos interessados em planejar redes e sistemas de transporte coletivo ou de carga, redes logísticas e redes de circulação urbana”, esclarece Luis Antonio Lindau, coordenador do laboratório.

O Lastran trabalha com pesquisas que visam solucionar problemas de transporte dentro e fora das cidades, de modo a melhorar as condições de tráfego. “O grupo está permanentemente desenvolvendo estudos, projetos, dissertações e pesquisas sobre como a cidade se comporta do ponto de vista da sustentabilidade dos meios de transporte”, acrescenta Luiz Afonso dos Santos Senna, um dos professores do projeto.

Em sua equipe, o programa conta com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação, além de mestres e doutores. Para Brenda Medeiros Pereira, mestranda envolvida no projeto, “o Lastran mostra o quanto o bom funcionamento do transporte é importante para que as cidades funcionem bem”.

A atuação do Laboratório envolve estudos tanto na cidade de Porto Alegre como em rodovias do estado e aponta soluções para o transporte urbano. “Temos de repensar o trânsito das cidades, dando mais qualidade ao transporte público, para que este seja atraente o suficiente para fazer com que uma parte substancial das pessoas, embora tenha carro, utilize o transporte público, procure formas alternativas de transportes, como as ciclovias, e conte com um aporte de tecnologias que melhorem os fluxos e os tempos de viagem na cidade”, finaliza Luiz Afonso dos Santos Senna.

Para conhecer melhor o Lastran, assista ao programa Conhecendo a UFRGS, que vai ao ar no dia 27 de abril, a partir das 21h30min, na UNITV, canal 15 da NET POA.

 

* Estudantes do 1.º e do 2.° semestres de Jornalismo da Fabico

Assista aos programas
A programação produzida pela equipe da UFRGS TV pode ser assistida na UNITV, pelo canal 15 da NET POA.