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PROJETO SINERGIA

Caros Colegas

Cumprindo cronograma estabelecido pelo Diretório Acadêmico de Economia, Contábeis e Atuariais para o Projeto Sinergia, realizamos nas duas últimas semanas uma atividade que teve como objetivo estimular os estudantes a refletir e opinar sobre o problema das altas taxas de reprovação nas Disciplinas de Estatística Geral I e II na Faculdade de Ciências Econômicas. As Dezenas de contribuições que recebemos nos indicaram que esse tema é muito mais profundo e mais complexo do que poderíamos supor.

Uma parcela significativa dos alunos opinou que a pesquisa não deveria ficar restrita as disciplinas citadas acima pois entendem que há situações bem mais graves. Citam casos em que menos de 30% (trinta por cento) do total de alunos matriculados em determinadas disciplinas conseguem a aprovação, num desperdício incompreensível de esforços e recursos públicos. Situações que se repetem a cada semestre, aparentemente, sem qualquer medida corretiva.

Diante de tal situação o Projeto Sinergia não poderia tomar uma posição de mero expectador. Já está agendado para o próximo semestre letivo uma ampla discussão sobre esse tema.

Temos plena convicção que somente um trabalho em parceria, de longo prazo, entre alunos, professores e direção desta Faculdade nos farão avançar rumo a metas, que certamente não são conflitantes, de redução das taxas de reprovação e formação de cidadãos e profissionais ainda mais qualificados.

 

Luiz Carlos Xavier

Coordenador do Projeto Sinergia

 

SÚMULA DAS OPINIÕES EMITIDAS

Esclarecimento:

As opiniões abaixo são baseadas em situações específicas e como tal devem ser entendidas. A generalização seria inadequada e injusta.

As sugestões e críticas apresentadas não refletem necessariamente a visão da equipe do Projeto Sinergia. No entanto, assumimos total responsabilidade pela sua publicação.

 

Comentários Gerais:

 a) A Razão principal do alto índice de reprovação é a falta de aptidão ao estudo extra-classe. Também colaboram a falta de embasamento e o fato de poder repetir a disciplina sem qualquer pagamento. Um aluno de maneira descontraída sintetizou:"Menos festa e mais estudo".

b) Decorar fórmulas matemáticas é um método de ensino anacrônico. Na vida profisssional teremos fácil acesso a livros, tabelas e anotações. E mesmo que, eventualmente, não haja tempo ou condições suficientes para consulta, é muito provável, tão penosamente decorada, há muito tempo já tenha passado para o esquecimento.

c) A seleção para estágio ou emprego muitas vezes é baseada no Boletim Escolar. Portanto, quando há mais de uma turma cursando a mesma disciplina, por uma questão de justiça deve:

  1. Abordar o mesmo conteúdo programático

  2. Ser usado o mesmo critério de avaliação em uma prova igual para todas as turmas aplicada no mesmo dia e local.

  3. Rigor uniforme na correção.

d) Deve haver uma preocupação constante em aprimorar não só a qualidade do ensino mas também, a sua produtividade. Todos os dias ouvimos falar em ganhos de produtividade na indústria e na agricultura e por que não buscar melhorias, de forma sistemática, na produtividade do ensino e aprendizagem? Por exemplo, por que devemos perder tempo "enchendo cadernos", como faziam nossos avós, quando poderíamos usar os recursos das copiadoras e utilizar este tempo para desenvolver o raciocínio e ampliar a compreensão dos assuntos trabalhados em aula? É lamentável que alguns professores não tenham a sensibilidade de observar que, devido a maneira como está sendo ministrada a aula, o aluno tem que optar entre copiar do quadro ou prestar atenção.

e) As avaliações devem verificar o conteúdo efetivamente visto em aula. É injusto e descabido "guardar" para a prova questões com grau de dificuldade superior ao que foi estudado em aula. A função da avaliação é avaliar e não é momento de aprofundar conhecimento.

f) O estudante da UFRGS deve prestar contas a quem faz um enorme sacrifício para pagar seis mil reais por ano para ele estudar. Deve haver um sistema que o obrigue a prestar esclarecimento sobre a razão das suas faltas a aula, a partir da terceira falta na disciplina. (Pagando taxa no Banco do Brasil, enfrentando filas, etc).

g) Devem ser incentivadas as práticas pedagógicas que dê ao professor , já desde as primeiras aulas, uma noção precisa de como está sendo a receptividade às suas explanações. Raramente as turmas são excessivamente grandes de modo a impedir que o professor tenha um contato individual com o aluno, avaliando a cada aula, seu grau de assimilação. A clássica pergunta "Alguém tem alguma dúvida?" É comprovadamente ineficaz desde a era neolítica.

h) Parece haver um relação entre aproveitamento e posição na sala de aula. Parece que as médias decrescem a medida que avançamos para o fundo da sala.

i) A divulgação de notas e conceitos através do mural é um sistema prático e eficiente que facilita a comunicação entre professor e aluno. No entanto nesta publicação o aluno deve ser identificado pelo seu número de matrícula e não pelo seu nome, pois isto tem causado enormes constrangimentos além de ferir a Constituição Federal, que no artigo 5º, § X, trata da preservação da imagem das pessoas.

j) O papel do professor em aula não deve se assemelhar ao cantor lírico que quer ser admirado pelos tons agudos que consegue atingir sem preocupação se suas palavras estão sendo entendidas ou não. Deve se assemelhar ao maestro de uma orquestra que está ciente que só alcançará um resultado coletivo satisfatório se estiver atento aos desempenhos individuais.

 

Comentários sobre Estatística:

a) Não cabe ao Diretório Acadêmico propor um debate sobre o tema da reprovação em Estatística Geral.O Departamento de Estatística já realiza, há muito tempo, a cada final de semestre, uma profunda avaliação de desempenho discente e docente.

b) Os livros didáticos recomendados são completamente inacessíveis. A impressão que se tem é que os autores fizeram um grande esforço para não ensinar. (Honrosa exceção é o livro "Estatística"de Pedro Costa Neto). Alguns autores devem sentir um pazer mórbido em imaginar o sofrimento que estão causando aos estudantes. É crucial a elaboração de um material didático dirigido ao conteúdo abordado nas cadeiras de Estatísticas na Faculdade de Ciências Econômicas.

c) Os exercícios devem retratar a realidade mas sem dificuldades artificiais. Nos livros há inúmeros exercícios onde a maior dificuldade é descobrir o que o autor quer que seja respondido. Há casos que até parece haver no exercício um "jogo de palavras" para dificultar ainterpretação.

d) Às vezes é dado tanta ênfase na operacionalização estatística que fica a impressão que estamos sendo treinados para ocupar vagas no mercado de trabalho que por direito são do profissional em estatística.

e) Os conceitos estatísticos devem ser trabalhados de modo que o aluno compreenda suas limitações e sua aplicabilidade. O resultado numérico deve ser considerado como objetivo secundário. Se os alunos forem encorajados a raciocinar em conjunto, uma boa parte dos exercícios de fixação poderiam ser resolvidos até de forma oral (por exemplo com resultados numéricos supostos) já que o mais importante é o entendimento da situação apresentada, os caminhos a seguir, o que a ciência estatística nos autoriza a inferir e qual a correta interpretação da conclusão. Os cálculos para atingir o resultado numérico final, são em geral, mera aplicação de fórmulas, que quase nada acrescentam a um estudante de nível universitário. Quem vê um aluno resolvendo um exercício com tantos sigmas, deltas, lâmbdas e phis deve ficar bastante impressionado. Ficaria menos impressionado se pedisse ao aluno que explicasse o que é variância e normalidade de comportamento.

OBS: As opiniões deste item são de autoria do coordenador do Projeto Sinergia, que a propósito deste tema escreveu o breve artigo intitulado "O perigo das conclusões dúbias nos testes de hipóteses".

 

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