| Justificativa |
Uma das características marcantes das últimas décadas é o processo crescente de internacionalização das relações econômicas, políticas, sociais e culturais, com a redução das fronteiras geográficas, políticas, econômicas e culturais entre países. Este processo de intensificação das relações internacionais é potencializado pelo avanço das tecnologias de informação, pela perda de graus de liberdade na execução de políticas dos estados nacionais, e pelo reposicionamento estratégico das empresas transnacionais. O aprofundamento das “relações internacionais”, em todos os aspectos da vida humana, impõe um desafio para a preservação das especificidades locais e para a realização das aspirações culturais das diversas comunidades e se constitui num dos principais temas do debate político no século XXI. Ao lado de uma maior integração produtiva, comercial e financeira, processa-se um reordenamento das relações de poder no plano internacional, com a reafirmação da hegemonia norte-americana, com o fim da Guerra Fria (e o desmantelamento do bloco soviético), e a formação de blocos regionais como a União Européia, o Nafta e o Mercosul. Em especial, para os países em desenvolvimento, assistiu-se, desde o final dos anos 1980, a movimentos generalizados de liberalização dos mercados e convergência para parâmetros institucionais mais liberais. Estabeleceu-se um relativo consenso em torno da idéia de limitação da atuação política dos Estados Nacionais sobre os mercados competitivos. Este é um fato importante, na medida em que o período de modernização destas economias, entre o pós-segunda Guerra Mundial e meados dos anos 1970, foi marcado pelo predomínio da visão de que a política teria um papel central na aceleração do desenvolvimento econômico e social. A instabilidade que caracterizou a economia internacional nas últimas décadas desdobra-se nos planos político e social. Cresce a demanda pela criação e fortalecimento de instituições de caráter multilateral, capazes de arbitrar conflitos de forma relativamente equânime. Muitas vezes, tais aspirações multilateralistas chocam-se com os interesses unilaterais dos principais países desenvolvidos. O Brasil não ficou isolado destas transformações. Ao longo da década de 1990, o país cumpriu a agenda de desregulamentação, privatização e liberalização comercial e financeira. Houve um aprofundamento dos vínculos do país com o resto do mundo. Esta tendência seguirá, na medida em que o Brasil busca ampliar sua participação em fóruns multilaterais e constrói acordos comerciais regionais, no âmbito da ALCA e União Européia, e bilaterais, com parceiros estratégicos. Neste contexto, deverá crescer a necessidade de planejamento das ações públicas e privadas, levando-se em conta a complexidade das relações de interesse e poder inerentes às relações internacionais. É importante lembrar que o Rio Grande do Sul, pela intercorrência de fatores geográficos (está no centro do Mercosul), históricos, econômicos e culturais, apresenta uma vocação inata à internacionalização. Isto se evidencia, no plano econômico, na sua posição como segundo estado exportador do país e pela transformação de grupos econômicos locais em empresas de atuação internacional. No plano político, o estado já é uma referência internacional no debate de alternativas para o desenvolvimento neste novo século. O Fórum Social Mundial colocou Porto Alegre no mapa das discussões sobre a globalização. As colocações anteriores sugerem que há uma indissociável complexidade nos processos sociais, políticos e econômicos vividos pela sociedade contemporânea. Emerge, assim, um espaço de atuação para profissionais cuja formação generalista permita a identificação de problemas e soluções que transcendam às competências e habilidades específicas das profissões que predominaram no período de constituição das sociedades industriais de massa, nos marcos de economias e sociedades nacionais relativamente fechadas. O Curso de Relações Internacionais é uma importante reposta que a UFRGS vem oferecer à sociedade ante a necessidade de formar profissionais capazes de enfrentar os desafios da internacionalização da vida social e econômica. Tradicionalmente, os cursos de Relações Internacionais surgem da interação de diversas áreas de conhecimento, especialmente da História, Política, Direito, Economia e Geografia. Estes conhecimentos já estão acumulados na UFRGS, tanto na graduação, quanto em diversos programas de pós-graduação. O passo adiante é a canalização dos saberes já acumulados para a realização de uma formação específica, tendo por base uma sólida reflexão teórica, capaz de aproximar a sociedade gaúcha da fronteira do conhecimento na área de relações internacionais. |