Conversa sobre Acessibidade no Ensino Superior

Conversa sobre Acessibidade no Ensino Superior

Foto: Vitória Freitas

Na tarde de sexta-feira (20/04), o Conversações Afirmativas, projeto realizado pelo DEDS (Departamento de Educação e Desenvolvimento Social), realizou uma roda de conversa intitulada “Acessibilidade no Ensino Superior: desafios e perspectivas”. Um público de mais de cem pessoas lotou o auditório da Faced, composto pela comunidade interna e externa à universidade e com a presença inclusive de estudantes e professores da FURG, UNESC e UNISC. Como convidados, para motivar a conversa, tivemos docentes, técnicos administrativos e estudantes que são ou têm contato com pessoas com deficiência (PCD) dentro da UFRGS. O evento, que teve parceria do Incluir (Núcleo de Inclusão e Acessibilidade) e do NIPCA (Núcleo Interdisciplinar Pró-Cultura Acessível), proporcionou momentos de trocas de experiências bem-sucedidas no que diz respeito a ações inclusivas em sala de aula, mas também de desabafos e críticas por parte de quem vivencia a falta de acessibilidade e inclusão na UFRGS diariamente.

Estudantes que tiveram e têm ainda que conviver com visões extremamente inflexíveis dentro de seus cursos relataram situações como discordância de docente com troca de sala para andar térreo para facilitar o acesso a um cadeirante, por tratar-se apenas da necessidade de “um único” aluno. A privação de autonomia para suprir necessidades básicas a que pessoas com deficiência são submetidas ao tentar acessar sanitários nos prédios da Universidade, por exemplo, também foi exposta, pois alguns poucos locais até possuem sanitários adaptados, porém o acesso a eles é difícil ou impróprio, fazendo com que corriqueiramente haja necessidade de “acompanhantes” para prestar auxílio. Disciplinas, laboratórios, materiais e formas de dar aulas que excluem PCDs de um aprendizado igualitário também foram alvo de críticas.

Apontou-se, resumidamente, que grande parte dos obstáculos existentes na UFRGS, com relação a esse assunto, tem origem nas barreiras atitudinais, na ainda insuficiente importância dada à acessibilidade de pessoas com deficiência no Ensino Superior, apesar de a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), no seu Art.28, sinalizar ações que o poder público deve assegurar, como: “sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades; aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena; projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado; acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino”; entre outros.

Pontuaram-se algumas questões importantes, como a necessidade de a Universidade formar professores e demais profissionais aptos a promoverem acessibilidade em suas futuras profissões; o compromisso de instituições de ensino com o cumprimento da lei, principalmente no momento em que é implantada a reserva de vagas para PCDs no Ensino Superior, quando as demandas tendem a ampliarem-se consideravelmente; a pertinência de se criar uma melhor articulação dentro da UFRGS para combater essas barreiras, tanto de atitudes quanto de estruturas, que impedem ou limitam o acesso à educação às pessoas com deficiência, que tiram o poder de autonomia que lhes é de direito.

Ao final dessa roda de conversa, constata-se a necessidade de se repensar essa postura reativa da instituição, que aguarda as demandas aparecerem ao invés de adiantar-se a elas, escutando o que a comunidade de PCDs traz como possibilidades. Fica nosso propósito de trazer à tona questões ainda pouco debatidas e escutadas dentro dessa Universidade e promover um impacto positivo nos participantes, convidando-os a levar a suas casas, seus postos de trabalho, seus professores, suas salas de aula, um pouco do que ouviram e refletiram nesse Conversações e o nosso anseio de ver a UFRGS, “inspirada nos ideais de liberdade e solidariedade”, tornar-se a melhor universidade federal do país também para pessoas com deficiência.

#PraCegoVer A foto mostra em destaque seis participantes da Roda de Conversa. De costas, dois cadeirantes, um deles falando ao microfone, e uma mulher de cabelos vermelhos. Em frente a eles, outras três pessoas, duas mulheres e um homem de óculos escuros. Ao lado do homem, um banner azul claro com o logo do Conversações Afirmativas.

 

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