Vale Vale!

Como denominar a época em que estamos vivendo? Sinalizada pela globalização. Metáfora de lugar, de velocidade, de totalidade. Muitos recorrem à nominação pós-modernidade para “captar” este momento histórico. A incógnita é promovida pela dificuldade de desvelar o que virá, mas principalmente entender o que está acontecendo.

Muitas das sociedades conhecidas têm um calçado tradicional.  Aqui no Rio Grande do Sul chamamos “chinelo campeiro e as alpargatas”. No Nordeste, no sertão, são as “alpercatas”. No México são “los huaraches”. No Peru são “las ojotas”. É preciso calçar estes sapatos para compreender as lógicas nas quais os diferentes grupamentos humanos dão conta do manejo das suas culturas em relação à sociedade moderno contemporânea. Vestir estes sapatos significa empoderar-se de toda a memória, as representações e as práticas sociais do grupo em questão.

No Vale queremos sistematizar o conhecimento “huarachizado”. Um andar a pé fundamental para entendermos algumas transformações no mundo contemporâneo. Um ”andar a pé”  para ver de perto, encontrar, compreender e propor outras relações para lidar com as cotidianidades.

Temos por objetivo no projeto Vale Doze e Trinta  desenvolver atividades planejadas coletivamente, mediando  as condições e relações já estabelecidas na instituição o que deve permitir a toda equipe conhecer o mundo social vivido no “território” do Vale. E nessa interação, a convivência oportunizada por uma ética de “estar-junto-solidário”.

Proporcionar que esta reflexão – sobre a multiplicidade de conhecimentos e  sentimentos gestados  junto com – se traduza numa nova sinergia institucional que proponha e promova o conhecimento de forma interdisciplinar e multidimensional, conectada ao seu contexto sociocultural.

Ele convida à discussão sobre a cultura nos cânones da Extensão universitária e o entretenimento, a fruição, o desenvolvimento simbólico e o conhecimento produzido nas ações extensionistas  na Universidade, e  da sua relação com a sociedade,  anunciando a urgência de uma perspectiva acadêmica que contemple a abertura, a heterogeneidade, a complexidade de saberes que nos seus movimentos engendram novas socialidades e solidariedades.

 

Além do já tradicional Vale Doze e Trinta – apresentações de grupos de universitários de músicas, dança, performances  -  estão compondo o quadro de programações: Estudos para certezas de incompletudes – composto de saraus literários, oficina de geodésica, oficinas de música; exposições interativas de artes visuais –  arte, gêneros, sexualidades e diversidades; curta no intervalo – quando a tarde estiver pronta para um curta-metragem.