BIENALSUR

BIENALSUR é a primeira Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul. Tomando o sul global como espaço expositivo e focando no processo de criação artística e intelectual, a BIENALSUR, em processo de desenvolvimento desde 2016, concentrará suas exibições e atividades entre setembro e dezembro de 2017.

Organizada pela Universidade Nacional de Três de Fevereiro (UNTREF) da República Argentina, a BIENALSUR tem seu reitor Aníbal Jozami como Diretor Geral e Diana Wechsler como Diretora Artístico-acadêmica. Partindo da Cidade de Buenos Aires como seu KM0, a BIENALSUR conectará mais de 30 cidades de 15 países do mundo e reunirá mais de 250 artistas e curadores dos cinco continentes através da Arte Contemporânea.

Em Porto Alegre, as atividades da BIENALSUR serão realizadas na UFRGS, nos Campus Centro, Saúde e Vale.

O Campus Centro receberá, no Salão de Festas da Reitoria, a instalação Proyecto: Luz, da artista visual argentina Teresa Pereda. A videoinstalação Humus: La Piel no Calla, também de Teresa Pereda, ocorrerá no Planetário, no Campus Saúde. A instalação Le La Tour du Monde, do artista madagascarenho Joel Andrianomearisoa, estará espalhada pelo Campus Vale e também pelo Campus Centro, explorando os espaços de circulação e convivência da Universidade.

Na Sala Redenção, a programação conta com o Ciclo de Vídeos e Cinema Expandido BIM em BienalSur: Território e Resistência, com a curadoria de Andrés Denegri e Gabriela Golder, o Ciclo Amos Gitai, com a projeção dos filmes House (1980), A House in Jerusalem (1998) e News from Home/News from House (2006) e a exibição de Tribute, da artista libanesa Mireille Kassar.

ARTES VISUAIS

Luz|Teresa Pereda – instalação

Teresa Pereda é artista visual e pesquisadora, licenciada em Historia da Arte na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires. Estudou pintura nos ateliês de Estela Pereda e Ana Eckell. Realizou 25 exposições individuais na Argentina e no exterior. Utiliza o elemento terra na construção de uma estética que aborda o vínculo homem-terra. Em 1995 inicia a recolecção sistemática de terras procedentes de diversas regiões da Argentina. Fruto de essas viagens e pesquisas iniciou a série Itinerário de Quatro Terras (instalações, livros de artista, pinturas, obras gráficas, objetos).

A obra LUZ instala um espaço lumínico em que o público poderá transitar e no que a artista Teresa propõe levar a cabo diversas ações. Está conformado pela silhueta do mapa da América Latina que se desloca sob a cruz dos quatro lugares, a Meli Huitran Mapu, de maneira que a obra se constitui em marca e reflexão acerca de quem somos e onde queremos estar.

A artista entregará terra e lã aos visitantes. Também solicitará a participação e as contribuições espontâneas dos assistentes. Ditas ações conformarão um pequeno ritual protagonizado por gestos coletivos. Consagrando um espaço comum e tridimensional, um breve presente forjador de um tempo de conciliação concernente ao território americano que nos involucra.

O projeto LUZ concebe a experiência da arte como expansão de consciência capaz de modificar a quem a vive.  

Data: de 04 de outubro a 15 de dezembro

Horário: das 10h às 18h

Local: Salão de Festas - 2º andar da Reitoria (Av. Paulo Gama, 110) | Campus Centro

 

Humus | la piel no calla | Teresa Pereda – videoinstalação

Humus | la piel no calla é um vídeo para um local específico do forro de um salão de baile localizado num museu que delineou um contraponto com respeito ao espaço arquitetônico e histórico do ambiente. O caótico fluir da natureza em contraposição com o traçado racional do marco arquitetônico adverte acerca da frágil condição do homem.

As imagens de este vídeo registram a potente pulsão que exerce o surgimento de água proveniente de um curso subterrâneo. O som estabelece uma sincronia rítmica entre o afastamento da água nascente com centos de registros sonoros de ruídos urbanos e de vozes humanas.

O movimento das partículas interage com sons humanos retroalimentando um ciclo rítmico que torna perceptíveis os pulsos da natureza e do homem. Âmbito de encontro e desencontro. Natureza e vida urbana. Ambos em risco, em tanto emergem, nenhum cala. 

Data: 5, 6, 7 e 8 de outubro

Horário: 5 e 6 de outubro às 19h, 7 de outubro das 14h até às 19h30 e 8 de outubro das 14h até às 16h30.

Local: Planetário (Av. Ipiranga, 2000) | Campus Saúde

 

 

Le la Tour du Monde | Joël Andrianomearisoa – instalação

Andrianomerisoa sempre está na borda dos limites. Não apresenta a aproximação a sua obra de maneira direta, senão que a situa nos limites dos desejos de quem queira que a descubra. Sua obra radica em uma pura questão de atitude, de posicionamento frente a obra. Andrianomearisoa escuta o pulso da vida com mais generosidade do que esse pulso o oferece e encontra uma forma de estar presente dans le nu de la vie, na desnudez do mundo.

O espaço urbano é um de seus interesses radicais. Os ruídos, cheiros, imagens, luzes e em definitivo o incessante movimento que gera a vida da cidade compõe seu universo sem por isso condenar ao artista a um lugar específico. Suas imagens transladam ao espectador a lugares aos que nem sequer o artista imagina chegar. “Necessito surpreender-me pelas imagens. A situação tem que ser completamente surpreendente. Não me considero fotógrafo, sou alguém que constrói imagens”, assegura.

O artista precisa de uma estrutura básica para compor sua obra e é então quando começa a experiência, a manipulação que define o projeto. “A obra surge através de diversas manipulações que me conduzem ao resultado final. Quando realizo uma instalação não alcanço imaginar sua irrevocabilidade. Conheço cada elemento que a compõe, mas no momento que os organizo, descubro algo mais. E é assim quando a peça cobra sentido” assegura Andrianomearisoa.

Sua capacidade lírica radica em sua capacidade para se apoderar de este momento decisivo no que não se distingue o início do fim. 

Em sua obra Le La Tour du Monde, o artista apresenta instalações no espaço público da universidade, distribuindo cartazes com frases em diferentes idiomas em alguns pontos do campus Centro e Vale, buscando uma relação diferenciada com aqueles que transitam por esses espaços.

Data: de 04 de outubro a 15 de dezembro

Local: Sala Fahrion - 2º andar da Reitoria (Av. Paulo Gama, 110) | Campus Centro e alguns pontos do Campus Vale

 

 

SALA REDENÇÃO

Mostra Amos Gitai  – projeção de filmes

Projeção da trilogia do cineasta israelense Amos Gitai, contando com os filmes House (1980), A House in Jerusalem (1998) e News from Home/News from House (2006).

House é um documentário sobre uma casa localizada na zona oeste de Jerusalém: abandonada durante a guerra de 1948 pelo seu dono, um médico palestino; requisitada pelo governo israelense e considerada como “vacante”, alugada por imigrantes argelinos e judeus em 1956, comprada por um professor universitário que se encarrega da sua transformação em uma villa patrícia... O local da construção é como um teatro no qual os moradores anteriores, os vizinhos, os trabalhadores, o construtor e o novo dono aparecem. A televisão israelense censurou o filme.  

Dezoito anos após seu primeiro filme, Gitai volta ao mesmo local em A House in Jerusalem, para observar as mudanças nos novos residentes assim como na vizinhança. O diretor trabalha como um arqueólogo, revelando, baixo múltiplas camadas, um complexo labirinto de destinos.

Já em News from Home/News from House vemos que a casa de Jerusalém oeste não é mais o microcosmo que foi há 25 anos. Seus habitantes de dispersaram, esse espaço comum se desintegrou, mas permanece como o centro emocional e físico no coração da situação Israelense-Palestina. A realidade concreta a transformou em histórias e memórias dispersas. Um nova identidade, uma nova diáspora evoluíram. Retomando as histórias anteriores, o diretor completa a trilogia. Criando uma espécie de arqueologia humana, Gitai explora as relações entre os moradores da casa, passado e presente, entre Israelenses e Palestinos. Cada um em sua própria maneira se torna um sinal do destino da região, do mundo.

 

Ciclo de Vídeos e Cinema Expandido BIM em BienalSur: Território e Resistência Curado por Andrés Denegri e Gabriela Golder – projeção de filmes:

Recollection / Recordação | Palestina / Alemanha, 2015, 70min

Dial H-I-S-T-O-R-Y | Bélgica, 1997, 68min

Do Outro Lado Do Rio / Al otro lado del río | Brasil, 2004, 88 min

Toponimia | Argentina, 2015, 82 min