Unimúsica | série compositores - a cidade e a música

 

No espírito de celebração pelos 80 anos da universidade que marca este 2014, é mais do que justo lembrar também a cidade que a viu surgir e crescer. Bem sabemos que entre aquele novembro de 1934 – quando o Interventor Federal do Estado do Rio Grande do Sul promulgou por decreto a criação da Universidade de Porto Alegre – e agora, muita coisa mudou. A começar pelo próprio espaço urbano, seu desenho, sua arquitetura, o traçado das ruas. São várias cidades, sendo sempre uma, em que se sobrepõem diferentes tempos e para onde converge a experiência de gerações e gerações. Essa experiência, que faz a história, é de certa maneira o nosso tema do ano. História em forma de música, através das obras de sete compositores gaúchos que serão homenageados, ao longo da temporada, em concertos especialmente encomendados pelo Unimúsica.

Todos os compositores têm uma forte relação com Porto Alegre, seja porque aqui nasceram ou viveram uma parte importante de suas vidas, seja porque aqui fizeram sua formação, deram início ou firmaram sua trajetória profissional. Mas não só. Os compositores também têm em comum o fato de apresentarem em suas biografias algum tipo de vínculo com a universidade: no começo do século 20, Octávio Dutra e Radamés Gnattali estudaram no Conservatório de Música que daria origem ao Instituto de Artes, onde Armando Albuquerque atuou como professor de harmonia, contraponto e composição a partir dos anos 1960, além de ter sido consultor musical da Rádio da Universidade. Lupicínio Rodrigues trabalhou como bedel da Faculdade de Direito, prédio que Barbosa Lessa frequentou para se tornar bacharel na década de 50. No final dos anos 1970, início dos 80, Nei Lisboa e Vitor Ramil assistiram a algumas disciplinas do curso de Música, no mesmo endereço que um século antes abrigara o Conservatório de Octávio e Radamés. Mas já era, sem dúvida, uma outra cidade. Nesta paisagem que muda – a Cidade Baixa do Armando não é a mesma do Lupicínio, o Bom Fim de Radamés pouco tem a ver com o Bom Fim de Nei Lisboa –, eles encontraram professores, colaboradores, parceiros, alunos, ouvintes, um público. Cabe ressaltar que a ordem dos concertos acabou se definindo não pela cronologia, mas pela disponibilidade de agenda dos artistas convidados a realizar as homenagens. Artistas estes que guardam em relação aos compositores homenageados algo que extrapola a condição da afinidade musical e que se aproxima, em muitos dos casos, de uma admiração profunda e de um verdadeiro sentimento de amizade. Vale lembrar ainda que, além dos 80 anos da UFRGS, em 2014 comemoramos também 10 anos das séries temáticas do Unimúsica – nosso presente é a música.

 

                                      Lígia Petrucci

Coordenadora e curadora do Unimúsica