Aula espetáculo - Gilberto Gil

Gilberto Gil escreveu seu nome na história da Música Popular Brasileira com suas canções, sua trajetória e sua personalidade. Já se vão 50 anos desde que Gil começou a gravar. Abandonou a carreira de administrador de empresas para participar da gloriosa era dos festivais, quando apresentou composições como Ensaio Geral, interpretada por Elis Regina; Bom Dia, com Nana Caymmi, sua então esposa; Domingo no Parque, que lhe valeu o segundo lugar no festival de 1967; e Divino, Maravilhoso, defendida por Gal Costa. Esteve na linha de frente da Tropicália, ao lado do quase irmão Caetano Veloso e d’Os Mutantes. Foi preso pela ditadura militar, sem clara acusação. Exilado em Londres, sobreviveu ao afastamento forçado de seu país envolvendo-se com a cena cultural riquíssima que a Inglaterra propiciava na época. Participou de uma jam session no clube Revolution, de Londres, com músicos como David Gilmour, do Pink Floyd, e Jim Capaldi, do grupo Traffic. Ainda durante o exílio, fez turnê em Nova Iorque e em vários países da Europa.

De volta ao Brasil, gravou no mesmo ano o LP Expresso 2222, considerado por muitos como o melhor de sua discografia. Para Chico Buarque, compôs Copo Vazio. Com Chico Buarque, compôs Cálice, que lhes rendeu muitos problemas com a censura. Com os amigos Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia formou os Doces Bárbaros.

Suas parcerias musicais incluem também Torquato Neto, Capinam, Caetano, Dominguinhos, Augusto Boal, Geraldo Vandré, Jorge Mautner, João Donato, Rita Lee, Francis Hime e Os Paralamas do Sucesso. Estourou nas rádios com Aquele Abraço, Só Quero um Xodó e Não Chore Mais. Foi premiado com o Grammy, homenageado no Festival de Montreaux, na UNESCO, pelo Ministério da Cultura da França e pela Academia de Música da Suécia. Excursionou diversas vezes pela Europa, Ásia, África e Américas. Foi assunto de livros, filmes e dissertações acadêmicas. Influenciado pelo baião de Luís Gonzaga e pela Bossa Nova de João Gilberto, soube incorporar tendências e gêneros musicais como o Funk, o Reggae, o Rock e o Afoxé.

Gil foi casado quatro vezes, tendo homenageado suas mulheres em lindas canções. Pai de oito filhos (um falecido, Pedro), avô de oito netos, alguns destes também artistas, tem a grandiosidade de conviver muito bem com seu passado, tanto musical quanto pessoal. Não renega suas canções, nem sua biografia, e ao mesmo tempo não vive desse passado que o consagrou. Continua produzindo discos novos, fazendo excursões, e também revisita várias de suas canções, dando a elas nova roupagem. Teve sua passagem pela política, pela defesa da Cultura e das questões raciais e ambientais. Interessa-se por religião e ciência.

É esse Gilberto Gil que celebrará conosco os 80 anos da UFRGS. Por que uma aula-espetáculo? Porque Gil topou participar de um show dialogado, onde suas belíssimas canções serão intercaladas por conversas sobre essa sua rica vivência, sobre também as histórias por trás dessas composições.

Sinto-me honrado por ter sido convidado pela nossa Universidade para conduzir essa entrevista, como uma aula, onde o assunto e o sujeito serão também homenageados. Só posso concluir que vai ser bom demais.

 

Flávio Azevedo, professor de Literatura, formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

Aula-espetáculo com Gilberto Gil

Data: 04 de maio – domingo - 20h

Local: Salão de Atos da UFRGS

VOLTAR AO TOPO