LE LA TOUR DU MONDE - instalação de Joël Andrianomearisoa

Andrianomerisoa sempre está na borda dos limites. Não apresenta a aproximação a sua obra de maneira direta, senão que a situa nos limites dos desejos de quem queira que a descubra. Sua obra radica em uma pura questão de atitude, de posicionamento frente a obra. Andrianomearisoa escuta o pulso da vida com mais generosidade do que esse pulso o oferece e encontra uma forma de estar presente dans le nu de la vie, na desnudez do mundo.

O espaço urbano é um de seus interesses radicais. Os ruídos, cheiros, imagens, luzes e em definitivo o incessante movimento que gera a vida da cidade compõe seu universo sem por isso condenar ao artista a um lugar específico. Suas imagens transladam o espectador a lugares aos que nem sequer o artista imagina chegar. “Necessito surpreender-me pelas imagens. A situação tem que ser completamente surpreendente. Não me considero fotógrafo, sou alguém que constrói imagens”, assegura.

O artista precisa de uma estrutura básica para compor sua obra e é então quando começa a experiência, a manipulação que define o projeto. “A obra surge através de diversas manipulações que me conduzem ao resultado final. Quando realizo uma instalação não consigo imaginar sua irrevocabilidade. Conheço cada elemento que a compõe, mas no momento que os organizo, descubro algo mais. E é assim quando a peça toma sentido” assegura Andrianomearisoa.

 

Sua capacidade lírica radica em sua capacidade para se apoderar de este momento decisivo no que não se distingue o início do fim.  

Em sua obra LeLa Tour du Monde, o artista de Madagascar visitou previamente os locais da universidade para se apropriar da lógica do cotidiano dos usuários que os utilizavam, apresentando posteriormente suas instalações no espaço público universitário, de maneira a despertar a surpresa e a indagação de quem circula pelos caminhos trilhados por quem busca o aprendizado diariamente nesse ambiente.

Distribuindo cartazes com frases em diferentes idiomas em alguns pontos do campus Centro e Vale, Joel busca uma relação diferenciada com aqueles que transitam por esses espaços. A relação da palavra escrita e a arte é visível neste trabalho, que pretende envolver os observadores para com a ideia da linguagem e da comunicação de formas diferenciadas. 

Data: de 04 de outubro a 15 de dezembro

Local: Sala Fahrion - 2º andar da Reitoria (Av. Paulo Gama, 110) | Campus Centro e alguns pontos do Campus Vale 

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