O Percurso de um Olhar, por Luiz Carlos Felizardo

Faz muito tempo que faço fotografia. Desde que fiquei encantado com a visão da primeira imagem emergindo do revelador lá se vão mais de quarenta anos (só um pouco mais, não sou tão velho assim…). De qualquer forma, em termos de história pessoal, é um bom tempo. 

Para fazer bem feito é preciso refletir sobre o que se faz – o que, aplicadamente, venho fazendo esses anos todos. É natural, portanto, que tenha não apenas conhecido bem os principais processos que fazem uma fotografia, como tenha tido tempo para compreender as relações que reúnem processos, imagem fotográfica e… a vida da gente. Se não todas essas relações, algumas, pelo menos.

Descobri que fotografar é bem mais do que apenas ver. Os processos de transformar uma visão em fotografia tomam tempo, dão trabalho e exigem respeito pelo assunto que transformamos. E é preciso que se entenda alguma coisa da estrutura que amarra os vários elementos que compõem nossa imagem, a mesma estrutura que ordena as frases musicais, ou da literatura, e limita e sustenta as criações da arquitetura. Mais importante ainda, a fotografia tem de ser vista e compreendida com um olhar tão amplo que abrace a história da arte.

O tempo, por sua vez, desempenha um papel fundamental na construção da imagem fotográfica. E talvez só a fotografia tenha o dom de vencê-lo – talvez não, mas ela não se importa se não tiver exclusividade. Pois apenas em suas mãos o tempo é tratado de maneira tão íntima: ele é vertiginoso, é uma fração de si mesmo, é implacável, é voraz, pode ser elástico. E pode parar para ela.

A fotografia traz informações e gera considerações sobre o que foi passado, fazendo com que ele assuma, novamente, a condição de presente. Se pensarmos bem, tudo o que a fotografia revela já é passado – seja a pessoa fotografada em 1840, seja o pensamento do artista que se valeu dela, seja o que fotografamos há poucos minutos atrás. E se tivermos consciência da múltipla e inevitável presença do tempo na imagem fotográfica, a fotografia fará tudo reviver.

Esta exposição nasceu de um convite feito pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, universidade tão importante em minha formação quanto a música ou a arquitetura. Afinal, cantei no Coral da Faculdade de Filosofia, toquei no Madrigal da UFRGS – nos quais a notável e saudosíssima Madeleine Ruffier, sua regente, me ensinou quase tudo – estudei no Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia e na Faculdade de Arquitetura (onde também namorei, militei contra a ditadura, fiz amigos queridíssimos). Graças ao mesmo Departamento da UFRGS pude assistir a shows, concertos e exposições – colaborei numa delas ¬– quase todos inesquecíveis. 

A exposição é composta de trinta fotografias feitas em momentos variados, selecionadas por mim entre imagens digitais e mais de dezoito mil negativos 35 mm, 6x6 cm, 4x5 e 8x10 polegadas – sempre pensando em reunir fotografias que, por uma ou outra razão, deixaram marcas em meu trajeto até aqui. 

 

Luiz Carlos Felizardo

 

Exposição O Percurso de um Olhar, por Luiz Carlos Felizardo
Abertura: 27 de setembro, às 17h30min
Local: Pátio do Campus Centro da UFRGS
Período e horário de visitação: de 27 de setembro a 22 de dezembro (segunda a sexta), das 07h às 22h30min

Encontro com Luiz Carlos Felizardo
Data: 27 de setembro
Horário: 18h15min
Local: Mezanino do Museu da UFRGS | Av. Osvaldo Aranha, 277

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