Unimúsica | Homenagem a Radamés Gnattali

Concerto em homenagem a Radamés Gnattali por Olinda Allessandrini, Zeca Assumpção, Toninho Ferragutti, Oscar Bolão e Paulinho Fagundes. Direção de Arthur de Faria.

Retirada de senhas através da troca de 1kg de alimento não perecível por ingresso a partir de 04 de agosto, das 9h às 18h, no mezanino do Salão de Atos da UFRGS ou pelo site www.difusaocultural.ufrgs.br

 

No momento que redijo estas linhas, meados de junho, estou em meio a um dos maiores privilégios/responsas/trabalheiras da minha vida: com os scanners dos manuscritos originais de um dos maiores heróis da minha vida na mão, vou transcrevendo tudo pra um programa de edição de partituras, para depois extrair as partes que cada instrumento vai tocar neste Unimúsica que você assistirá. Um sonho que levou 15 anos para ser realizado. Desde 1999 tenho tentado remontar o Quinteto Radamés Gnattali, um grupo tão absolutamente extraordinário quanto outros quintetos míticos: no tango, os de Astor Piazzolla e Horácio Salgán. No jazz, os dois que teve Miles Davis. Mas não era simplesmente montar um quinteto. Outros já os há, e tocando bem este repertório radamélico. O que eu queria era o máximo possível de integrantes do grupo original, que tocava com o mestre.

Depois de 15 anos, dois já não estão aqui: Luciano Perrone, nada menos que o cara que definiu como se tocaria bateria na música brasileira, e Chiquinho do Acordeom, o cara que Radamés esperou existir para incorporar o acordeom à sua Orquestra de Ritmos Brasileiros. Mas no lugar de ambos, temos dois craques absolutos: Oscar Bolão, discípulo de Perrone, é o cara que levou adiante a linguagem do mestre – como ele, dono de uma personalidade rara num instrumento muitas vezes tão standartizado. Já no acordeom, o sujeito que todos disseram "Uau" ou "Bah" quando eu anunciei: Toninho Ferragutti. Um dos poucos que poderia tocar, com a mesma maestria e elegância, o que Radamés escreveu pra seu amigo de toda a vida, Chiquinho.  Pro contrabaixo, o caçula de todas as formações do Quinteto original: o sujeito que, bem jovem, assumiu a vaga do fundador Vidal na última formação do grupo, já nos anos 1980: Zeca Assumpção. O mesmo Zeca da fabulosa Academia de Danças do Egberto Gismonti, o mesmo Zeca de tantos serviços prestados desde o free jazz do Grupo Um até as bandas de Chico e Caetano. Completando o time, quem chamar para a missão quase impossível de assumir as partituras e cifras do próprio compositor? Nada mais justo que Olinda Allessandrini. A pianista que foi a última a se formar em piano com medalha de ouro no Instituto de Belas Artes. A mesmíssima medalha concedida a... Radamés, meio século antes. Além disso, há décadas ela se dedica ao repertório camerístico de Radamés, essa música absolutamente na fronteira do erudito com o popular (num determinado momento, assustado com as partituras, escrevi pra nossa dama: "querida, tu lê cifras?". Resposta: "claro". Vocês não imaginam quão poucos pianistas concertistas teriam essa resposta). Mas se temos aqui esse quarteto de craques, é só porque podemos ter a grande estrela desta noite. O sujeito que está para a guitarra elétrica assim como Perrone estava para a bateria no Brasil: ele definiu como se faria. O cara que toca todos os instrumentos de corda que lhe caíram às mãos, do violão-tenor que o próprio Garoto lhe presenteou até o que ele me definiu como "aquela strato branquinha, 1957, igualzinha a do Hendrix". É claro: Zé Menezes. Aos 92 anos, rumo aos 93, tocando TUDO, o cara é a razão de ser desta noite. Também, pudera: foram quase 40 anos tocando ao lado do amigão que lhe dedicou maravilhas como o pioneiríssimo “Concerto Carioca para Guitarra Elétrica e Orquestra”. De 1949, no mítico Quarteto Continental, até a morte do mestre, em 1988, só ele sabe o que os dois passaram juntos. Genial Menezes. O mesmo que, nas duas vezes em que nos falamos sobre isso, me comentou que nunca lembravam dele nas homenagens ao maior gaúcho do mundo. Alguns dos arranjos que o pessoal vai tocar – todos escritos pelo Radamés – nunca foram escutados. E eu, que conheço quase tudo que ele gravou, pirei nas pequenas subversões que o velho, então com mais de 70 anos, fez de seus próprios temas nesses arranjos – os últimos feitos para o grupo. "Remexendo" e "Uma Rosa pro Pixinguinha", por exemplo, tão um negócio do outro mundo).

Pareço empolgado? Eu tou é feliz por vocês, por nós, pelo cosmos.

Arthur de Faria
Músico e jornalista, diretor musical do concerto em homenagem a Radamés Gnattali

Data: 07 de agosto – quinta-feira
Horário: 20h
Local: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110) 

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