Encontro com Demétrio Xavier

“Nada será superior ao destino do canto. Nenhuma força abaterá teus sonhos, porque eles se nutrem com sua própria luz. Alimentam-se de sua própria paixão. Renascem a cada dia, para ser. Sim, a terra marca seus eleitos. A alma da terra, como uma sombra, segue os seres indicados para traduzi-la na esperança, na dor, na solidão. Se tu és o eleito, se escutaste o chamado da terra, se compreendes sua sombra, te espera uma tremenda responsabilidade. Pode perseguir-te a adversidade, acossar-te o mal físico, empobrecer-te o meio, desconhecer-te o mundo, podem burlar-se e negar-te os demais, mas é inútil, nada apagará a luz de tua tocha, porque não é só tua. É da terra que te marcou. E te marcou para teu sacrifício, não para tua vaidade.”

Assim definiu Atahualpa Yupanqui o destino do canto. Não foi outro o caminho que esse argentino percorreu ao longo de quase todo o século XX, por todo o mundo, cumprindo a antiga consigna inca Runa Allpa Kamaska (“o homem é terra que anda”).

Atahualpa Yupanqui, nome escolhido ainda na adolescência pelo escritor, músico e compositor, significa, em quíchua, “o filho da terra que veio de longe para narrar”. É no canto que ele – marcado que foi pela terra – nos oferwece o melhor de sua narrativa.

Demétrio Xavier traz um apanhado desse canto, a partir de três eixos fundamentais da obra deYupanqui: o Caminho, o Silêncio e a Guitarra, através da audição de canções clássicas do autor – conhecidas em interpretações como as de Mercedes Sosa – e de temas pouco difundidos, num repertório composto ao longo de seis décadas, período em que Atahualpa provocou o interesse mundial pela profundidade minimalista de sua criação. Trata-se de um cancioneiro que se apresenta com a simplicidade do folclore, mas alcança uma amplitude universal; ora questionador, ora em forma de sentenças, às vezes beirando matizes místicos e temas cósmicos, mas sem perder a raiz humana, social e popular.

Demétrio Xavier é um músico porto-alegrense, especializado na música crioula do Uruguai e da Argentina. Atuando no Rio Grande do Sul e nos dois países platinos, enfatiza sua pesquisa na obra do argentino Atahualpa Yupanqui, tendo traduzido e gravado, em versão bilíngue, seu poema maior, “O pajador perseguido”. Venceu a 36ª Califórnia da Canção Nativa, com uma poesia musicada por Marco Aurélio Vasconcellos, “A sanga do Pedro Lira”. Formado em Ciências Sociais pela UFRGS, Demétrio conduz na FM Cultura de Porto Alegre o programa Cantos do Sul da Terra, dedicado à música e à literatura do sul do continente e indicado em 2012 ao Prêmio Press.

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Data: 28 de julho
Horário: 19h
Local: Sala Fahrion (2º andar da Reitoria da UFRGS)
Inscrição: cadastre-se no site e clique em "Agendamento"

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