Unimúsica | Homenagem a Armando Albuquerque

A MÚSICA, A CIDADE, OS POETAS

Um sarau com as músicas de Armando Albuquerque e os textos dos poetas modernistas rio-grandenses – Augusto Meyer, Athos Damasceno Ferreira, Ruy Cirne Lima, Theodemiro Tostes.

 Na música, começamos em 1926 com “Pathé-Baby” que Albuquerque considerava o seu ‘opus 1’ e vamos até 1974, com “Sonho III”, sua última obra para piano, dedicada ao seu então aluno Celso Loureiro Chaves. São quase 50 anos de música que apresentam um panorama de todos os estilos, correntes e tendências que Albuquerque percorreu na música para piano. Das peças do “estilo trepidante” dos anos 1920 à alta dramaticidade da “Evocação de Augusto Meyer”, composta sob o impacto da notícia da morte do poeta, passando pelas peças dos anos 1940, incluindo a “Tocata”, que muitas vezes Albuquerque caracterizou como “a minha obra mais alta”.

Na poesia, o panorama é igualmente diverso. Iniciando com uma entrevista em forma de poesia de Theodemiro Tostes, aí está uma viagem de memória – memória sentimental de emoções que se perderam no tempo, memória sentimental de uma cidade, Porto Alegre, que desapareceu para sempre. Porto Alegre cantada – e contada – em suas paisagens, seus personagens, seus costumes. E também em suas manias e seus causos. Personagens inesquecíveis – o garçom que servia chope nos bares da rua da Ladeira, o guarda noturno que subia as ruas desertas das noites vazias – e cenas sociais pungentes: os casebres da Ilhota ou da Cidade Baixa olhando para os “altos beirais solarengos” da parte alta da cidade, os meninos de rua acomodados sobre as grades dos restaurantes no inverno. E as torres da Igreja das Dores, presença onipresente.

Faz muito tempo que a música de Armando Albuquerque não é tocada na em Porto Alegre. Faz muito tempo que a poesia dos modernistas não é ouvida em Porto Alegre. Nessa ausência mútua e injustificável, Armando Albuquerque reencontra seus interlocutores, Augusto, Athos, Ruy, Theodemiro, os “amigos daquele tempo”, como ele os chamava. É esse silêncio que será preenchido com música e palavras em “Armando Albuquerque – a música, a cidade, os poetas”, recolocando na ordem do dia a pergunta que só se responde ouvindo, tocando, lendo e recitando: por que Porto Alegre dá as costas à sua cultura, despreza tanto sua arte de tempos idos?

Celso Loureiro Chaves

Retirada de senhas através da troca de 1kg de alimento não perecível por ingresso a partir de 03 de novembro, das 9h às 18h, no mezanino do Salão de Atos da UFRGS ou pelo site www.difusaocultural.ufrgs.br

Data: 06 de novembro – quinta-feira
Horário: 20h
Local: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110)
Ingressos: retirada a partir do dia 03/11 das 9:00 às 18:00 e/ou pela Internet através de reserva pelo nosso site.

 

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