Interlúdio - Arsis: Conjunto de Flautas Transversais

Maciel Goelzer

O conjunto de flautas transversais Arsis é o grupo convidado do Projeto Interlúdio do mês de agosto, na Sala João Fahrion do Campus Central da UFRGS. O conjunto de flautas, constituído por alunos de graduação e pós-graduação em música da UFRGS, apresenta um repertório dedicado à família das flautas transversais em diferentes estilos e períodos musicais – do barroco ao contemporâneo, da música erudita à música popular – em um rico mosaico de cores e timbres. Além da flauta transversal, denominada flauta de concerto ou flauta em dó, são apresentados outros instrumentos da família das flautas como o flautim, a flauta em sol e a flauta baixo. Através da combinação destes instrumentos são recriadas sonoridades e texturas que permitem recordar diferentes grupamentos oriundos da orquestra sinfônica.

Arsis, palavra de etimologia grega, refere-se à parte não acentuada de um texto poético, contrastando com Thesis (parte de acentuação mais pronunciada). Em música, Arsis significa anacruse, levare. O grupo é constituído pelos alunos Rafael Marques, Luciano Gularte, Paola Barth, Vinícius Dias Prates, Ianes Gil Coelho, Hugo Peña e André Sinico, sob orientação do professor Leonardo Winter. No recital serão apresentadas obras de Bach, Boismortier, Kuhlau, Takemitsu e Berthomieu.

A Partita BWV 1013 de Johann Sebastian Bach (1685-1750) foi composta durante sua estada na corte alemã de Köthen, onde Bach pôde dedicar-se prioritariamente à música instrumental. Composta em quatro movimentos, apresenta danças estilizadas e é uma das obras mais representativas do repertório para flauta solo.

Joseph Bodin de Boismortier (1689-1755), prolífico compositor do barroco francês, compôs música instrumental, balés e música vocal. Dentre sua vasta produção composicional destacam-se as obras para flauta transversal, entre elas os Seis concertos para cinco flautas (1727), obra camerística em forma de concerto, bem como trios e suítes para flauta solo.

O pianista e compositor alemão Friedrich Kuhlau (1786-1832) desenvolveu carreira na Dinamarca, tornando-se o mais proeminente compositor do fértil período clássico-romântico naquele país. Escreveu numerosas composições para flauta transversal, aliando escrita virtuosística e intensa expressão musical.

O compositor, poeta e dramaturgo francês Marc Berthomieu (1906-1991) foi aluno de Henri Busser e Paul Vidal no Conservatório de Paris. Formalmente suas composições aliam rigor formal em rebuscadas elaborações harmônicas. A obra denominada Gatos, para trio de flautas e flauta em sol,  é uma alusão a diferentes espécies felinas do reino animal (gato-persa, puma, siamês, etc) onde podemos identificar manhas e artimanhas destes animais.

A música do compositor japonês Toru Takemitsu (1930-1996) conjuga música tradicional japonesa e modernidade, escrita musical tradicional e técnicas expandidas, realizando uma fusão entre os distintos mundos orientais e ocidentais. Itinerante, obra escrita para flauta solo em 1989, explora tensão e relaxamento, som e silêncio através de melodias líricas e explosão de sons não-convencionais.

 

Leonardo Loureiro Winter

Professor do Departamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS e Coordenador artístico do Interlúdio

Data: 29 de agosto - sexta-feira

Hora: 12h30

Local: Sala João Fahrion (2° andar da Reitoria - Campus Central da UFRGS - Av. Paulo Gama, 110)

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