Conceito de drogas:


Entende-se como droga “qualquer substância que capaz de modificar o funcionamento dos organismos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento”. Desde a antigüidade o uso das drogas tem um aspecto ritualístico e mágico, e é relacionado à cura de doenças ou então à transcendência do ser humano. Na modernidade se dá uma separação dessas substâncias em drogas lícitas e ilícitas, separação essa que tem como base atributos de valor dados às substâncias e sustentados por regimes de verdade que estão sempre a trabalho da manutenção das estruturas de poder estabelecidas. Atualmente, as drogas lícitas servem à lógica de consumo vigente no modo de subjetivação capitalístico, no qual o “cuidado de si é operado pela medicalização do desejo”, ou seja, a via correta a ser seguida pelo pulsar do desejo é determinada pelo discurso médico, e as substâncias possíveis para se obter a cura ou a transcendência ou seja lá qual for o motivo do uso da droga são também determinadas pelo receituário médico e ratificadas pela legislação vigente. As drogas ilícitas são condenadas e seus usuários marginalizados. Em uma via de análise, essa condenação pode ser dita se dar por conta do não enquadramento dessas drogas e de seus usuários no modelo de parecer-ser do capitalismo, já que essas drogas não alimentam nem dão poder às forças dominantes no jogo social e, por conta disso, não estão entre as opções de caminho que levam o sujeito a se aproximar dos ideais de identidade compartilhados pelos demais sujeitos mergulhados no modo capitalista. (BRASIL, 2003).