Rizoma

Lucas Ramos e Maíra Meimes

 

Ao fazer uma analogia com os termos da botânica, clareia-se o significado deste conceito a nível filosófico. Na biologia, um rizoma é uma estrutura componente em algumas plantas cujos brotos podem ramificar-se em qualquer ponto e transformar-se em um bulbo ou um tubérculo.  Este rizoma pode funcionar como raiz, talo ou ramo, independente de sua localização na planta.
Diferentemente de uma árvore, portanto, o rizoma tem a capacidade de conectar um ponto a qualquer outro. Não possui uma raiz pivotante - inexistência de uma unidade que sirva de pivô.  Para a filosofia de Deleuze e Guatarri, esse conceito rizomático pode ser entendido nos seguintes termos: “nada de ponto de origem ou de princípio primordial comandando todo o pensamento; portanto, nada de avanço significativo que não se faça por bifurcação, encontro imprevisível, reavaliação do conjunto a partir de um ângulo inédito.”(MP,31). Não há proposições mais fundamentais do que outras.
O rizoma pode ser considerado o método do anti-método: propõe-se a ampliar as possibilidades de construção de um pensamento, a problematizar quaisquer formas que delimitem e enquadrem um raciocínio na lógica de uma origem, apoiar sempre ao recurso da experimentação.
O rizoma é constituído de seis princípios fundamentais: os dois primeiros referem-se a questão da conexão e da heterogeneidade. Como já mencionado, pontos que se ligam de forma múltipla: “um rizoma não cessaria de conectar cadeias semióticas, organizações de poder, ocorrências que remetem às artes, ciências, lutas sociais.” (MP, 15).
O terceiro princípio faz menção à multiplicidade: importante destacar que o rizoma não é feito de unidades, mas de dimensões. Não tem início nem fim, mas um meio, no qual a idéia da gênese mostra-se como um devir. A multiplicidade, portanto, refere-se ao fato de que ela própria é constituinte do rizoma.
O quarto princípio referente à ruptura a - significante, segue o que já foi dito anteriormente destacando o fato de que o rizoma pode ser rompido em qualquer lugar, e retoma segundo outras de suas linhas.
O quinto e sexto princípio, mais uma vez reiterando a idéia primordial do que é um rizoma, explicita o fato de que ele não pode ser explicado por nenhum modelo gerativo, estrutural. Vai de encontro a qualquer eixo genético (análogo à raiz pivotante).