Saber e Poder

Grupo do Samuel

 

Poder

Para Foucault, o poder não é uma entidade coerente, unitária e estável, mas “jogos de poder” que supõe condições históricas de emergência complexas e que implicam efeitos múltiplos, compreendidos fora do que a análise filosófica identifica tradicionalmente como o campo do poder. Não há poder que seja exercido por uns sobre outros, pois “os uns” e “os outros” nunca estão fixados num papel, mas sucessiva e até simultaneamente inseridos em cada um dos pólos da relação. Assim, ao contrário do que podemos pensar, uma pequena quitanda familiar é um centro de poder tanto quanto um parlamento ou congresso, pois os jogos de poder estão presentes em ambos, apenas em escalas e prioridades diferentes (as frutas e verduras no primeiro e cargos importantes e decisões de impacto nacional no segundo). Para compreender o conceito foucaultiano de poder é importante também compreender o que é liberdade para Foucault, pois segundo ele próprio, as relações de poder só existem entre indivíduos livres, que têm diante de si um campo de possibilidades onde diversas condutas podem acontecer. Não existem relações de poder entre um escravo e seu senhor, pois as determinações estão saturadas, e apenas o senhor tem poder decisório.

Poder Molar:

Poder Molecular:

Saber

Para Foucault, o conceito de saber é diferente do conceito de conhecimento. Enquanto o conhecimento corresponde à constituição de discursos sobre classes de objetos julgados cognoscíveis, isto é, à construção de um processo complexo de racionalização, de identificação e de classificação dos objetos, o saber designa o processo pelo qual o sujeito do conhecimento, ao invés de ser fixo, sofre uma modificação durante o trabalho que ele efetua na atividade de conhecer. Pode-se dizer que o conhecimento é molar, mais denso e estagnado, enquanto o saber é molecular, sutil e em constante mudança. O saber está intimamente ligado ao conceito de poder, tanto o poder molar quanto o molecular, pois o poder tramou e ainda trama com o saber. À partir da idade clássica, através do discurso cartesiano da razão, separando a razão da desrazão e a sanidade da loucura, efetuar-se-á uma ordenação geral do mundo, isto é, dos indivíduos, que passa por uma forma de governo (Estado) e por procedimentos disciplinares. Talvez os melhores exemplos da relação entre Saber e Poder sejam a Polícia (sendo que, por polícia, podemos entender não só os soldados que patrulham as ruas, mas os juízes, promotores e advogados) e a Medicina, pois, sendo detentores do saber policial e médico, ganham poderes sobre a vida e a morte dos demais sujeitos, leigos.

Saber médico:             Saber Policial:

      

 

Saber Jurídico y Parques Nacionales: