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Em nota, ABEU se solidariza com famílias brasileiras

Em vista dos recentes questionamentos a respeito da real gravidade da pandemia da Covid-19 realizados por figuras públicas, a ABEU decidiu se posicionar em defesa da sensatez e da ciência neste debate. Como uma associação que representa 128 editoras universitárias de todo o país, responsáveis pela divulgação e disseminação do conhecimento produzido em instituições de ensino e de pesquisa brasileiras, a ABEU manifesta seu apoio à ciência e às decisões tomadas com base em métodos científicos. Leia a nota na íntegra.

 

 

 

NOTA

 

ABEU se solidariza com famílias brasileiras: em defesa da sensatez

 

Após reunião na manhã desta terça-feira (26), a Diretoria da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU) vem a público se solidarizar com as famílias que tiveram entes queridos perdidos para a batalha contra o novo coronavírus. Entendemos que as cerca de 24 mil vidas que se foram até o dia de hoje não podem ser entendidas como mera estatística para as engrenagens econômicas do país.

Os dados são da Rede Covida, uma iniciativa de duas importantes e sólidas instituições de ensino, pesquisa e extensão do Brasil, com reconhecimento internacional: a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Os estudos sérios que estão sendo realizados sobre o desenvolvimento da pandemia provocada pela Covid-19 no nosso país, inclusive em institutos de pesquisa do exterior, ainda apontam para um gráfico com curva crescente e assustadora.

Entendemos que diante deste cenário, que envolve uma crise sanitária, econômica e política, é extremamente arriscado vir a público dizer que “Alguém está mentindo pra você”, como fez Pedro Almeida, atual curador do Prêmio Jabuti, no último domingo (23). Reconhecemos o valor da polifonia trazida pelas redes sociais digitais, no entanto reforçamos as consequências nefastas da proliferação das chamadas fake news, que podem nos levar ao que a Organização Mundial de Saúde (OMS) denominou de “infodemia”, o excesso de informações, entre elas muitas falsas, que podem dificultar a compreensão coerente de um determinado acontecimento, gerando na população um entendimento equivocado e tendencioso.

Não acreditamos que haja um movimento mundial para “ferrar com a economia”, como também foi dito. Passamos por uma situação nunca antes vivida por nós, pela qual não temos nenhuma espécie de controle e que só a Ciência poderá indicar um caminho de saída. Solidarizamo-nos ainda com os incansáveis profissionais de saúde que atuam incessantemente dia e noite em busca de uma vacina, de compreender como esta doença se comporta à diversidade do nosso território, que procuram por medicamentos seguros, que estão na linha de frente em hospitais muitas vezes despreparados para a demanda e o atendimento especializado. Nosso reconhecimento aos diversos profissionais que não têm a escolha de fazer o isolamento social e estão expostos e expondo as suas famílias para nos atender.

A economia está em crise, sim. Nós, da cadeia produtiva do livro, bem sabemos disso. E, como podemos, temos lutado incansavelmente em busca de alternativas para a sobrevivência das nossas instituições e de suas equipes. Pensamos que o problema da economia deva ser prioritário para os gestores do nosso país, assim como o da saúde. Não agora, mas sempre. E que os negócios precisam de apoio, sim, para que resistam a esta fase e para que as frentes de trabalho sejam mantidas. Assim têm apontado reflexões de economistas que acompanham esse desdobramento, como o da brasileira Monica de Bolle, professora da School for Advanced International Studies da Johns Hopkins University e pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics.

A solução não pode ser ir para as ruas, se todos as pesquisas científicas, nas suas diversas áreas, de institutos de credibilidade reconhecidos, apontam para o contrário, assim como também indicam as experiências dos outros países que passam por esta pandemia. Aceitamos a retratação feita pelo curador, por entendermos que todos nós estamos suscetíveis a erros. Entretanto, não podemos nos furtar de expor quão grave foi o seu posicionamento.

Associação Brasileira das Editoras Universitárias.

 

Publicado em 27/5/2020.