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Análise de fatores associados aos ataques de Javalis em criatórios de suínos no Rio Grande do Sul.

Projeto de mestrado (PPGCV, UFRGS) do Aluno Antônio Augusto Rosa Medeiros (SEAPA-RS) ligado ao Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a UFRGS, Secretaria da agricultura, pecuária e agronegócio (SEAPA) e Fundesa. O objetivo do estudo é avaliar fatores associados aos ataques de Javalis aos criatórios de suídeos para, então, aplicar estas informações em uma avaliação de riscos (Projeto ARJA).

O Javali (Sus scrofa scrofa) é uma espécie com ampla distribuição mundial, com presença no Brasil. No Rio Grande do Sul, nos últimos anos, aumentaram os relatos de ataques e prejuízos causados pela presença de suídeos asselvajados, sendo seus impactos negativos observados na degradação da vegetação nativa e água de superfície, na predação sobre a fauna e pecuária, e na probabilidade de transmissão de doenças para humanos e animais. A correta identificação geográfica da localização destes animais de vida livre, e os possíveis fatores associados à sua presença, são de extrema importância para a Gestão Ambiental e Sanitário Animal uma vez que estes animais podem assumir um importante papel na disseminação de doenças para a pecuária gaúcha. O estudo foi realizado nos anos de 2012 e 2014 no Estado do Rio Grande do Sul, onde a produção de suínos apresenta grande relevância para a economia do Estado, ocupando o segundo lugar em produção do país. As propriedades amostradas no estudo foram propriedades de suínos de subsistência. Estas propriedades apresentam uma menor tecnificação e biossegurança quando comparada com as propriedades comerciais, sendo, portanto, um importante indicador de possíveis contatos. 

Foi utilizada uma amostragem proposital direcionada ao risco, primeiramente destinada para demonstrar e documentar a ausência de atividade do vírus da Peste Suína Clássica nos criatórios do Rio Grande do Sul. Nesse período, foram amostradas 640 propriedades em todo o Estado. Através da aplicação de um questionário epidemiológico em todas as propriedades amostradas foi possível caracteriza-las, identificar as propriedades e regiões do Estado que apresentam relatos da presença de suídeos asselvajados e levantar os possíveis fatores associados a ocorrência do contato. Das 640 propriedades amostradas, 91 (14,2%) proprietários relataram a possível presença de suínos asselvajados. Foi utilizado um modelo de regressão de Poisson, o qual é o mais indicado para estudos transversais, onde a Razão de Prevalência (RP) é uma estimativa mais apropriada quando se trata de prevalência alta (>10%). O indicador de presença de javali, ou a variável resposta, foi composto por quatro variáveis do questionário: visualização do javali, presença de rastro, ataque na propriedade e ataque na propriedade vizinha. O modelo final demonstrou como fatores associados a presença e contato de suínos asselvajados as seguintes variáveis:  propriedades rurais com suínos criados próximos a reservas naturais (RP=3,27; p=0,0002) propriedades próximas a reservas indígenas e assentamentos rurais (RP=3,28; p=0,0004) e propriedades com suínos criados extensivamente (RP=2,29; p=0,0013). Por último, a variável preditora de produção, denominada propriedades com criação de híbridos de javalis e suínos apresentou um risco 2,92 vezes maior de possuírem algum tipo de contato (PR=2,92; p=0,0015). Na análise descritiva espacial, observou-se uma maior razão de presença de suídeos asselvajados nas mesorregiões Sudoeste, Nordeste, e Sudeste. Com esse estudo, o primeiro desse tipo no Brasil, espera-se subsidiar os tomadores de decisão na implantação de políticas sanitárias que visem mitigar o risco do contato entre espécies animais domésticas de produção com animais de vida livre, minimizando assim a probabilidade da transmissão de patógenos entre eles.

 
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