Apresentação
Claudio Roberto Baptista


O envolvimento progressivo com áreas como a Psicologia, a Educação, a Educação Especial contribuiu com uma postura crítica dirigida aos processos excludentes e indicadores de estagnação que, muitas vezes, se associam à práxis do ensino especializado. Ao longo dos últimos 20 anos, dedico-me à análise das instituições de ensino no contexto brasileiro e italiano, procurando compreender as possibilidades de implementação de processos inclusivos. No que se refere ao contexto italiano, o Curso de Doutorado em Educação na Università degli Studi di Bologna, entre 1992 e 1996, foi um momento de intensa vinculação com aquele contexto educacional, favorecendo a análise de projetos de integração/inclusão no ensino comum e da política educacional italiana posterior a 1977. As mudanças ocorridas no contexto italiano apresentam uma radicalidade ímpar no sentido de um avanço progressivo do atendimento exclusivo dos alunos com necessidades educativas especiais no ensino comum, o qual se associa ao fechamento das estruturas especializadas e à reorganização dos sistemas de ensino por meio da construção de dispositivos de flexibilização curricular e implementação de modalidades de apoio. O retorno ao contexto brasileiro, em 1996, foi caracterizado pela busca de manutenção dos laços profissionais construídos anteriormente por meio de visitas científicas, estágios de alunos, participação em congressos e, principalmente, produção acadêmica que discuta as temáticas Educação Especial e Educação Inclusiva. No contexto brasileiro, desde 1997, integro o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Encontro-me vinculado ao Departamento de Estudos Básicos e ao Programa de Pós-Graduação em Educação como membro da Linha de Pesquisa “Educação Especial e Processos Inclusivos”. O trabalho na docência, na orientação de alunos de pós-graduação, na coordenação de projetos de pesquisa e na coordenação de projetos de extensão tem sido pautado pela prioridade às temáticas: as políticas de inclusão escolar; a caracterização e a identificação dos sujeitos da educação especial; a formação continuada; os dispositivos mediadores em uma pedagogia diferenciada; as situações consideradas “limites” em função do atendimento educacional a sujeitos em condição de “gravidade”; as alternativas de atendimento educacional.