Crise do Paraguai permitirá entrada da Venezuela no Mercosul

Professor André Reis (D) fala sobre o Paraguai

O  presidente do Paraguai,  Fernando Lugo, foi destituído do cargo.  Ele foi substituído pelo vice, Federico Franco, que deverá permanecer no comando do Poder Executivo do Paraguai até 15 de agosto de 2013.

Ex-bispo católico, Fernando Lugo foi eleito presidente do Paraguai em 2008. O motivo para o pedido de impeachment  é o “mau desempenho de suas funções”.

A maior razão que levou a oposição a desencadear o processo foi a execução de seis policiais e onze sem-terra em um confronto que ocorreu em Curuguaty, a 250km da capital Assunção.

A Câmara dos Deputados aprovou o pedido de julgamento político para destituir Lugo  por 76 votos a um. Na sequência, o Senado confirmou a decisão final para o impeachment . A condenação dependia da aprovação de 30 dos 45 senadores (dois terços).

O professor André Reis, coordenador da Comissão de Graduação de Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, em entrevista ao site da FCE, tratou dos acontecimentos recentes no Paraguai e a repercussão no Mercosul.

Inclusive, a possibilidade da crise vir a  ampliar o número de países integrantes do bloco.

Acompanhe os principais trechos.

 FCE -  Qual a importância estratégia do Paraguai para o Brasil?

André Reis –  O Paraguai é um dos fundadores do Mercosul. É o país que mais tem intercâmbio com o Brasil. É uma relação muito próxima. A Usina de Itaipu é a maior obra binacional do mundo. Uma grande parte da renda paraguaia vem da  energia vendida para o Brasil. O Paraguai é um pais que está encravado no meio da América do Sul e  muito dependente da  relação comercial com o Brasil.

FCE – Qual a sua leitura sobre o ocorrido no Paraguai?

AR – O Paraguai tem tradição de instabilidade política. Aliás, a maior parte das vitorias do Paraguai foi sobre as ditaduras, principalmente vinculadas ao Partido Colorado, há mais de 100 anos. Quando o presidente  Fernando Lugo se elegeu, o partido Colorado foi “apeado” do poder gerando muita frustração em setores conservadores, principalmente no poder legislativo. Lugo tinha dificuldades internas para governar.

FCE – O que difere em relação aos demais países do bloco?.

AR –  Uma coisa é se eleger através de partidos de esquerda com tradição, como o  Partidos dos Trabalhadores no Brasil ou a Frente Ampla no Uruguai, com  quarenta anos de existência. Outra,  é se eleger através de um partido pequeno sem sustentação como o de Lugo, no Paraguai. Fica mais difícil.

FCE -  A pressão dos outros países do bloco mantinham Lugo?

AR – A  elite conservadora paraguaia sabe que ela não pode se desencaminhar muito devido a pressão dos outros países. Essa pressão já foi exercida contra o Paraguai nos anos noventa quando o país passou por duas crises. Também naquela ocasião houve pressão no sentido da manutenção das instituições democráticas.

FCE –  O que chama a atenção desta vez?

AR -  Foi a rapidez com que afastaram Lugo. O julgamento em um dia. E o desapego demonstrado pelo presidente que não esboçou nenhum tipo de reação. E poderia fazê-lo. Perdeu o “time” e agora não tem mais volta. Parecia que estava cansado daquilo.

FCE – Como fica o Mercosul com esses acontecimentos?

AR – Algum tipo de sanção política deverá ser feita, mas  não econômica. Um recado será dado. Como a antecipação das eleições ou a suspensão do país do bloco, por exemplo. Mas o fato mais relevante, certamente será a oportunidade da Venezuela entrar para o Mercosul.

FCE – O Mercosul poderá ganhar um novo país, então?

AR –    Sim. Todos os parlamentos dos demais países já aprovaram o ingresso da Venezuela, menos o Paraguai. Desde 2006 que existe essa pretensão. Com a possível suspensão do Paraguai do bloco isso certamente irá ocorrer.

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