
Cristiano Oliveira apresentou sua pesquisa sobre Economia do Crime - Greice Gomes
A carreira criminosa e suas implicações econômicas foram o tema abordado pelo professor Cristiano Aguiar de Oliveira no seminário do Programa de Pós-Graduação em Economia (PPGE). A pesquisa, feita em conjunto com o professor Giácomo Balbinotto Neto, foi apresentada nesta quarta-feira (09).
Cristiano Oliveira destaca que, partindo do pressuposto de que os indivíduos tomam decisões racionais, “qualquer pessoa é capaz de cometer um crime se perceber que o benefício é maior que o custo”. O professor salienta que crime só existe porque, de alguma forma, ele compensa.
A partir destas constatações, Cristiano fez alguns apontamentos sobre a criminalidade. Segundo ele, o crime pode ser uma alternativa de carreira para quem faz essa opção. Ao ingressar no mundo do crime, no entanto, o indivíduo percebe que algumas atividades ilegais só são viáveis economicamente se forem repetidas, como furtos e assaltos à mão armada. “O custo de uma arma, por exemplo, dificilmente será recuperado em apenas um assalto”, complementa. Outra característica apontada por Cristiano é a de que os benefícios do crime são recebidos no presente e os custos dele, como uma possível condenação, são pagos no futuro.
Uma recessão econômica, segundo Cristiano, não afeta os índices de criminalidade, ao contrário do que se poderia esperar. “Em uma recessão, dificilmente um trabalhador optará pelo crime por estar desempregado. Por outro lado, quando há crescimento econômico, um criminoso não largará o mundo do crime porque há mais ofertas de emprego, afinal ele assumiu a ilegalidade como carreira”, destaca.
Há duas fontes de incerteza no rendimento do criminoso, aponta o professor. O primeiro é a taxa de sucesso na execução de crimes e o segundo é o tempo de encerramento da carreira criminosa. O risco da atividade, maior do que em atividades formais, reduz o tempo de atividade do criminoso. “O indivíduo está permanentemente sujeito a ser preso ou morto lidando com atividades ilegais”, finaliza.