Temer precisa arrumar a casa e ganhar confiança do empresariado, diz professor da FCE

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Depois que o Senado aprovou o processo de impedimento da presidente Dilma Roussef, analistas econômicos começam a projetar os próximos passos do presidente interino, Michel Temer. Conforme o professor da FCE, Giácomo Balbinotto Neto, as nomeações de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e do economista do Itaú Unibanco, Ilan Goldfjan, para o Banco Central, são claros sinais de que o governante que mostrar ao mercado um panorama de mudanças econômicas imediatas. “Apesar disso, acho improvável uma reversão nesses próximos 180 dias. A alta taxa de desemprego, que superou os 10%, vai persistir por enquanto”.

O docente projeta a recuperação econômica somente em meados de 2017 ou próximo a 2018. “O Banco Central precisa ter autonomia para tentar retornar ao centro da meta da inflação. Além disso, o governo necessita retomar programas de infraestrutura através de PPP’s para desenvolver obras e concessões de portos, estradas e aeroportos”.

Balbinotto destaca que Temer terá “de arrumar a casa e ganhar a confiança dos empresariado interno e externo”. O professor ainda acredita que dificilmente haverá espaço político para aprovação da elevação de impostos, citando a possibilidade de recriação da CPMF – o imposto do cheque.

Hoje, a Federação das Indústrias (Fiergs) reivindicou intenso diálogo com o novo presidente. A entidade defende a retomada de programas de empréstimos via BNDES, revisão dos prazos de recolhimento de impostos e barreiras a qualquer aumento de tributos, em referência à CPMF. Além disso, a Fiergs defende a manutenção da desoneração da folha de pagamentos e a regularização da terceirização, projeto que está parado no Congresso.

“Mesmo que Temer tenha um amplo apoio no Congresso, não me parece que exista disponibilidade para elevação de tributos afim de garantir o aumento da arrecadação”, considera o professor. Por outro lado, reformas impopulares deverão ser, pelo menos, discutidas. “É fundamental encaminhar uma profunda discussão sobre a reforma da Previdência porque se trata de um sério investimento para as próximas gerações. Talvez, para esses dois anos seja complicado aprovar medidas amargas, mas é determinante abrir o debate e encaminhar projetos consistentes. Em 25 anos, o modelo previdenciário se tornará insustentável”.

Balbinotto ainda projeta outras ações que vão causar polêmica e contrariar interesses. “A reforma trabalhista é outro nó que precisa ser desatado. A atual CLT dificulta demissões, barra a abertura de empresas, aumenta custos e causa desemprego também. O mercado de trabalho deveria ser mais flexível sem a retirada dos direitos consolidados dos trabalhadores”, considera.

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