| |
A
viagem à Patagônia foi a concretização
de um sonho.
Longe de ser uma aspiração pessoal, realizou
o desejo de 21 pessoas, que enfrentaram uma longa viagem de
ônibus ao sul da Argentina com um específico
e claro objetivo: fotografar na Patagônia. Depois de
muito rodar pelas excelentes estradas argentinas, chegamos
a Puerto Madryn, cidade portuária turística
da Patagônia e dali rumamos para a pequena cidade de
Puerto Pirâmides, onde ficamos alojados no excelente
hotel Pousada Austral. Mesmo cansados da longa viagem fomos
olhar o mar. Era "algo" de cair-o-queixo.
A água de uma belíssima côr, deixava duvidas
se era azul ou um verde turqueza, ou se era...sei lá...
de uma côr maravilhosa!. Se não bastasse essa
paisagem, o fim do dia descortinava-se magnífico com
um sol amarelo-vermelho projetando sombras muito longas que
desenhavam no chão sem limites. Com o cair do dia,
ficamos ali, boquiabertos, um tanto "bobos". Sem
dúvida alguma, a primeira impressão nós
não esqueceremos. Aos poucos fomos nos recolhendo,
cada um para seu quarto. Satisfeitos já na chegada
e convencidos da beleza do local foi importante deixar tudo
bem organizado, equipamento e rotina, para os próximos
dias. Daí em diante nossos pensamentos e atitudes mudaram
completamente. Tomamos consciência que eramos fotógrafos
e nada além disso. Saimos daquela atitude diária,
corriqueira, que adotamos em nossas cidades, nossas casas,
nossos trabalhos, em fim, nosso dia-a-dia. A partir deste
momento mergulhamos no sentimento de sermos fotógrafos,
sómente isso, graças-a-Deus...
Nos
dias que se seguiram fomos envolvidos pela magia da Patagônia.
Fotografamos em varios pontos da Península Valdés,
como: Punta Norte, Punta Quiroga, Calleta Valdés, Hacienda
San Lorenzo e etc.. Os motivos, bem...além da inóspita
e magnética estepe patagônica, havia a riquíssima
fauna marinha e terrestre que encontramos por lá. Muitos
lobos marinhos, elefantes marinhos, pinguins (milhares deles),
as orcas, as baleias (que não chegamos a vê-las...),
os guanacos, os zorro-gris (tipo de graxaim) e as aves marinhas
que residem nas falésias (costa marítima alta,
abrupta em torno de 40 metros de altura) da costa, também
aos milhares. Esses lugares por nós visitados e que
foram intensamente fotografados, constituem-se num grande
parque preservado ecologicamente, tombado como Patrimônio
Natural da Humanidade, que é a Peninsula Valdés.
O turismo por lá é encarado com muita seriedade
e profissionalismo, não somente pelos guias e comerciantes,
mas também por todos os habitantes da região.
Foi possível comprovar a atitude do povo local pelo
acolhimento e excelente tratamento que todos da equipe vivenciamos.
Em todos os locais que visitamos sentimo-nos em casa o que
representou um dos pontos altos da nossa expedição.
Lá
alcançamos os mais altos estágios de percepção
ambiental para a atividade fotográfica. Cada lugar
visitado, mostrava algo novo, seja a paisagem estranha, ou
os animais desconhecidos, tinhamos a cada momento, ao-vivo
e ao alcance do "clique" do obturador da câmera
- que estava sempre preparada -, um elemento diferente para
a observação. Foram seis dias de intenso "fotografar",
seis dias inesquecíveis sem se afastar, um momento
sequer, da câmera fotográfica. O resultado disso
é um banco de imagens de, aproximadamente, 16.000 clicks,
entre obtenções analógicas e digitais.
Vivenciamos uma avalanche de emoções visuais,
olfativas, táteis, gustativas e auditivas, tudo isso
circundado e proporcionado por uma maravilhosa terra primitiva
e mágica. Foi como estar, respirar e viver como pedimos
à Deus, sem ser um sonho e sim uma realidade prazeirosa,
nua-e-crua, palpável, diante dos nossos olhos e ao
alcance das objetivas das nossas câmeras fotográficas.
Conscientes
disso, ficamos com uma certeza: não se pode ir sómente
uma vez à Patagônia...
Mario
Bitt-Monteiro - editor
|
 |
|
|