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FRAÇÕES DA
NATUREZA - Elvis Branchini
Elvis Branchini é graduando em
Comunicação pela UFRGS, atualmente faz parte da
equipe de pesquisa do LEXIS - Laboratório Experimental
da Imagem e do Som do Núcleo de Fotografia da FABICO/UFRGS.
Em uma de suas tarefas das disciplinas de seu curso
de graduação, decidiu utilizar a fotografia, através
da documentação de micro-universos, tendo como objeto
de foco diversos tipos de florações, na forma intuitiva
e experimental de um ensaio fotográfico. O resultado
final foi excelente. Elvis alcançou formas com padrões
sinuosos e suaves compostos por densos matizes naturais,apresentando
fotografias com forte sentido estético e pictorial.
Seu envolvimento com esse ensaio fica melhor evidenciado,
através de seu relato abaixo:
"Talvez
o único argumento desde ensaio seja a simplicidade
com que se apresenta, desde a técnica, passando
pelo objeto, até o tratamento dado ao produto final.
No que condiz à técnica, nada resta a um principiante
além de experimentar, e foi com esse intuito que,
tendo alguma noção do efeito que causaria, inverti
a lente (35-70) da Vivitar 2000 que uso, e, sem
nenhum acessório além disso, saí aproveitando (e
me permito o recurso poético) as manhãs ensolaradas
dos domingos de primavera no campo, procurando pequenos
objetos onde pudesse testar as variações de foco
que a lente invertida proporcionavam, fazendo assim
macros de flores que, na sua maioria, não mediam
mais que 1 ou 2 cm.
Algumas fotos
saíram sem foco, escuras ou claras demais, tremidas,
o que é natural devido à dificuldade de se fotometrar,
focar, segurar a lente presa à máquina de maneira
que não entre luz lateral e ficar firme para disparar,
tudo isso no chão molhado da manhã. Ainda assim
algo em torno de 60% das fotos ficaram, no mínimo,
aproveitáveis, e algumas excelentes. Nenhum padrão,
exceto o ISO 400 dos filmes, se apresentou como
objetivo desde o princípio. O experimento se configurou
como possível temática depois da revelação das primeiras
fotos, e aproveitando o momento propício e a facilidade
com que se apresentavam 'as modelos', registrei
as que pude encontrar. Não fosse um detalhe técnico
chamado 'vento', poderia dizer que nada pode ser
mais fácil que fotografar flores. E não fosse o
fato de que um milimétrico movimento nestas condições
técnicas leva a perder totalmente o foco, talvez
as quatro manhãs de domingo que levei para dar por
concluída minha experiência pudessem se reduzir
a umas três ou quatro horas. Consola que as caminhadas
ao ar puro foram, no mínimo, saudáveis.
Subjetivamente,
poderia defender o projeto na paixão (trazida desde
a infância) pela botânica, podendo deixar a exigência
de criatividade artística na temática para o posterior
tratamento das fotos, já que esta não se apresentou
como condição inicial. Explica-se, pois, a quem
está se perguntando o porquê do clichê das flores,
tema tão comum a todo aspirante a fotógrafo, mais
uma vez na experimentação. Dessa vez não na técnica
de obtenção, mola propulsora para a realização das
fotos, mas na seleção e modificação do material,
seguindo então uma proposta estética, buscando
um contanto maior com a pureza de forma, mais do
que o mero registro da floração primaveril. Assim
as fotos que aí estão não são as originais? Sim
e não, e isso levaria talvez a uma grande discussão,
visto que o que aí está publicado nada mais é do
que o que foi registrado pelo filme. Não houve acréscimo
de nada. Mas não no sentido de que nem tudo que
está no filme foi considerado útil. Por que? Esta
é justamente a questão estética, a de ultrapassar
o nível do registro fotográfico para o da experimentação
das formas e das cores, para a intervenção no quadro,
no corte, na modificação autoral do que é sentido."
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