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Arquipélago de São Pedro e São Paulo

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) constitui a parte emersa de uma cadeia transversal meso-oceânica de direção E–W, que se encaixa paralelamente à zona de fratura da falha secundária de São Paulo, bem como o local do naufrágio do navio São Pedro. Daí seu nome. É constituído por um pequeno grupo de dez ilhotas e diversas pontas de rochas, que se situam nas proximidades da dorsal meso-atlântica, distante cerca de 1.000 km a nordeste de Natal (RN) (Atlântico Equatorial: 0°55’10”N; 29°20’33”W).

A distância entre os pontos extremos, que se situa entre as rochas Sacadura Cabral e Graça Aranha, é de 420 m. As ilhotas apresentam contornos sinuosos irregulares e reentrantes, e suas encostas possuem forte declive. As quatro ilhotas maiores (Belmonte, São Paulo, São Pedro e Barão de Teffé) estão separadas entre si por estreitos canais, que formam uma enseada em forma de ferradura, com dimensões médias de 100 m de comprimento, 50 m de largura e 6 m de profundidade. O fundo desta enseada é constituído por sedimentos provenientes da atividade biológica e do desagregamento das rochas que constituem o arquipélago. O relevo emerso do ASPSP é acidentado, e seu ponto culminante (18 m de altitude) situa-se na ilhota São Pedro; enquanto o ponto mais alto da ilhota Belmonte tem cerca de 16 m de altitude.

A zona de falha no entorno do arquipélago possui cerca de 120 km de largura, e suas profundidades podem atingir 3.600 m; além de seus limites norte e sul, são observadas profundidades abissais superiores a 4.000 m. A área desta cadeia submarina e do arquipélago de São Pedro e São Paulo é tectonicamente ativa, conseqüentemente sujeita a terremotos, o que sugere que sua formação foi controlada pela movimentação da falha e de seu conjunto de fraturas. Este fato torna o arquipélago sui generis no Atlântico, visto que ele é formado essencialmente por rochas trituradas por movimentos tectônicos e depois consolidadas durante o seu posicionamento há cerca de 150 milhões de anos, através de ações de forças tectônicas correlacionadas com a expansão do Oceano Atlântico e dos derrames basálticos que formam a crosta oceânica atual. Em outras palavras: não existem rochas vulcânicas no arquipélago. Conseqüentemente, as rochas que constituem o arquipélago de São Pedro e São Paulo são rochas representantes do interior da Terra, e vieram de uma profundidade superior a 15 km.

Historicamente, o arquipélago São Paulo foi descoberto em 1511, pelo navegador português Manuel de Castro Alcoforado. Contudo, registros históricos indicam que em 1513 o navegador espanhol Juan da Nova de Castello fez o primeiro registro de avistamento. Apenas em 1529 é que aparece o primeiro registro em carta náutica do arquipélago, realizado pelo português Diego Ribeiro. O primeiro desembarque foi realizado pelo navegador francês Beuvet du Losier em 1738. Charles Darwin, ao iniciar a famosa viagem a bordo do Beagle até as Ilhas Galápagos, visitou a ilha em 1832. Glauco Caon

 

 

 


 

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