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Entrevista com Izan Petterle

 

•NF - Izan, como você se autodefiniria na essência, como sendo um fotógrafo documentalista ou ensaísta? Ou as duas áreas em conjunto?
Nas duas áreas em conjunto. Bill Brandt(1904-83), famoso fotógrafo anglo-alemão, criou nos anos 30, uma expressão em inglês, "transcendental documentary", para definir a abordagem surreal e poética do seu trabalho documental. Gosto muito desse ponto de vista como ponto de partida para o trabalho que desenvolvo.

•NF - Ao fotografar um assunto com uma pauta definida ou não, o que lhe chama primeiramente a atenção, é a significância da cena que estás visualizando ou os aspectos subjetivos desta, com suas sombras, formas, geometrismos, movimentos, cor...Afinal, o que excita o seu imaginário para a obtenção da primeira imagem para dar início a um trabalho fotográfico seu?
Eu diria que quando estou fotografando, meu primeiro passo é tentar me posicionar no espaço-tempo no qual estou inserido. Tento estar no lugar certo e na hora certa. Busco usar os elementos estéticos da cena para cria uma composição que seja instigante para mim, sem perder de vista o conteúdo do assunto que estou fotografando. Mas, além disso, há algo que é sempre inevitável: "Há sempre no ato de criação, alguma coisa de imprevisível que não podemos fixar, nem prever nada por antecipação" - Carl Gustavo Jung em "Memórias, Sonhos, Reflexões".

•NF - Com relação à maneira de fotografar, você se considera um fotógrafo mais contemplativo ou mais intuitivo?
Intuição, inspiração e transpiração. Esses são os ingredientes que uso para correr atrás de uma boa foto.

• - Nos trabalhos fotográficos que você realiza para a Revista National Geographic, tens liberdade referente à pauta para a obtenção das imagens de determinado assunto a ser enfocado ou é algo como uma pauta solicitada, com imagens mais ou menos previstas a serem obtidas?
Tenho liberdade total de criação dentro da história a ser contada.

•NF - A idéia de realizar um ensaio fotográfico autoral, ele surge quando você está fotografando a serviço, ou é algo que fazes de modo exclusivo com um tempo destinado só para ele?
Até agora só conheço o olhar autoral. Sou chamado para trabalhos em que eu possa dar uma interpretação pessoal do tema proposto. A NG espera que seus fotógrafos abordem "literariamente" os ensaios propostos. Diz-se na revista que "um fotógrafo da NG é um escritor sem caneta nem papel".

•NF - Faz muita diferença pra ti fotografar com câmera digital ou analógica, tirando os aspectos de custos? Qual é o seu equipamento fotográfico de uso preferencial?
Existem muitas e profundas diferenças entre essas duas tecnologias. Acredito que a mais relevante é a questão da linguagem. A película faz parte da tecnologia da câmera escura, literalmente. Só vemos o resultado um tempo, ou muito tempo, depois. O digital traz essa nova possibilidade que é a interatividade no trabalho fotográfico. Podemos "dialogar" com nosso trabalho enquanto fotografamos, ele pode nos guiar, podendo dar inclusive um novo rumo para o conteúdo da narrativa da história. Para ter uma qualidade comparável ao filme no digital, exige-se do fotógrafo uma capacidade enorme do aprendizado de novas tecnologias. A principal delas é saber fazer o pós-processamento do arquivo digital no formato RAW, o chamado negativo digital. Na realidade, o arquivo digital tem que ser "revelado", e só o próprio fotógrafo deve fazer isso.
Quanto ao meu equipamento, quando uso cromos, ainda faço isso, trabalho com câmeras Leica. No digital, que uso cada vez mais, fotografo com equipamento Canon, usando lentes da série L, elas são quase comparáveis à qualidade da ótica Zeiss e Leica.

•NF - Em termos de publicações e exposições, quais os seus planos para o futuro?
Gostaria de fazer uma exposição em meu estado natal. Quero mostrar um pouco desse Brasil onde tenho andado. Quero também publicar livros, tenho material suficiente duas publicações. Um deles é a respeito das Cavalhadas no Brasil e outro seria uma espécie de diário de viagem pelo extraordinário universo da cultura popular do povo brasileiro, com seus signos religiosos, oníricos e metafísicos. Estou a procura de editores...

 

P.S. Izan Petterle é natural de Alegrete, município situado na região da Campanha Gaúcha no Rio Grande do Sul, Brasil.

 

www.izanpetterle.com

 

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