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Durante os últimos anos Rafael Johann vem desenvolvendo as técnicas da Fotografia Pinhole de forma sistemática e progressiva, obtendo com isso vários progressos, com a incursão a diferentes estágios dessa técnica fotográfica, na busca de novos processos de obtenção da imagem e processamentos laboratoriais. Junto a isso, ele também está fazendo experimentações com a construção de novos tipos e formas de câmeras pinhole, com a utilização de câmeras diferenciadas, com múltiplos furos, como se fossem múltiplas lentes, o que está lhe proporcionando alcançar imagens fotográficas dotadas de muita riqueza plástica e de peculiares aspectos composicionais. Como trabalho final de sua graduação em Artes Plásticas, ênfase em Fotografia, realizado no Instituto de Artes da UFRGS, Rafael Johann compôs o ensaio em fotografia estenopéica (pinhole), denominado de "Sonho Lúcido", que é constituido por belas imagens fotográficas, que apresentam cenas etéreas com alta densidade de luz e côr. Este trabalho está melhor explanado no texto do Projeto "Sonho Lúcido", do qual extraimos alguns trechos que colocamos abaixo:

"A primeira câmera que construí foi uma lata com três furos – o filme vai enrolado em
um cilindro no centro da lata de maneira que a imagem projetada de cada furo atinge a
superfície sensível em um ponto desse cilindro. Esta câmera me permite obter, num
pedaço de filme, uma imagem composta por três imagens dispostas lado a lado
horizontalmente. Havia uma intenção de relacionar a horizontalidade e as vistas
panorâmicas daquela paisagem com a organização da imagem final. Além disso,
essa câmera me permite associar imagens de diferentes vistas ou então criar
repetições de elementos da paisagem."

"Com as fotografias da câmera de três furos, pude compor meu trabalho
dentro de uma mesma linha poética e plástica.São imagens que “surgem” de
uma maneira mais precária: suas bordas são escurecidas – efeito conhecido
como vinheta- seus limites são anamórficos – devido ao alto grau de distorção
nos limites da projeção - e a divisão entre as três imagens que compõem a
fotografia é imprecisa – por vezes as imagens se sobrepõem, em outras,
estão separadas. Há imagens que apresentam efeitos da incidência direta
da luz – contra-luz – e que evidenciam a captação alternativa das imagens:
a luz do sol incidindo diretamente sobre o furo forma “manchas”, clarões
disformes que emanam raios, fios de luz, e marcam toda a região exposta
com espectros da luz decomposta nas suas cores básicas- verde, azul e
vermelho. Ao meu ver, tais fotografias contribuem para o aspecto fantástico
pretendido com o ensaio, na mesma medida em que assumem o ruído,
a mancha e o acaso como elementos constituintes da imagem e da linguagem."

"... acredito que uma das grandes contribuições que a técnica da
fotografia pinhole pode nos oferecer, em tempos de revoluções digitais e de
formação de novos paradigmas na arte fotográfica, é justamente uma nova
abordagem do processo e da recepção fotográficos. Ao trabalhar com a câmera
na sua forma mais rudimentar e ao utilizar materiais fotográficos de forma
não-convencional, o artista tem a oportunidade de repensar toda a linguagem
e o processo convencional ao mesmo tempo em que reorganiza os elementos
desta linguagem criando imagens que convidam também o observador a adotar
um novo olhar sobre a fotografia
." Rafael Johann

O fotógrafo e artista plástico Rafael Johann, mesmo após sua graduação em Artes , continua integrando a Equipe do Núcleo de Fotografia da FABICO/UFRGS como ministrante convidado às atividades de extensão em Fotografia de Natureza e de Fotografia Pinhole e participando de projetos de pesquisa em fotografia experimental e aplicada. Mario Bitt-Monteiro

 

 

   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
         
       
         
       
         
       
         
       
         
       
         
       
         
       


 

 

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