A
artista plástica e fotógrafa Rochele Zandavalli, vem,
há pelo menos nos três últimos anos, investindo
decididamente na área da fotografia experimental artística,
objetivando estudos em várias técnicas ou métodos
de pinturas à mão e digitalmente , como forma de produzir
interferências nas fotografias em preto-e-branco. Ao lado
disso ela também começou a realizar experiências
na obtenção das imagens fotográficas, com a
efetivação de projeções de slides dos
mais variados elementos de interferência sobre os modêlos
e assuntos, em ambientes de estúdio. Com essas idéias
e experimentações, Rochele elaborou seu trabalho final
de graduação em Artes Plásticas, com ênfase
em Fotografia no Instituto de Artes da UFRGS. Esse trabalho recebeu
a denominação de FUTURO REVISITADO: projeções
fotográficas, sobre o qual ela mesmo explica:
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"Futuro
Revisitado: projeções fotográficas” é
uma série de fotografias em preto e branco, colorizada através
de pintura manual. As imagens foram construídas com a projeção
de imagens apropriadas de alguns clássicos da ficção
científica, sobre o corpo da modelo caracterizada através
de cenografia e figurino.
As
Imagens projetadas
Os slides usados na projeção foram captados a partir
de frames dos filmes Metrópolis (Metrópolis), 1926,
de Fritz Lang; AELITA, A Rainha de Marte (AELITA Queen of Mars),
1924, direção de Yakov Protazanov; e as duas adaptações
para o cinema das histórias de H. G. Wells: A Guerra dos
Mundos ( War of Worlds), 1954, de Byron Haskin; e A Máquina
do Tempo ( The Time Machine),1960, de George Pal.
O processo de construção das imagens
As
imagens criadas em “Futuro Revisitado: projeções
fotográficas” seguem a lógica da imagem impura.
A criação e a apresentação/distribuição
destas imagens se dá através de “conjuntos complexos
e mestiços, difíceis de categorizar”, nos quais
as oposições entre as áreas que estavam estabelecidas
“(por exemplo as oposições entre pintura, fotografia,
cinema, vídeo ou informática), não constituem
mais marcas estáveis para percepção e compreensão
daquilo que se vê”. A relação com as imagens
é conduzida, agora, pelos pontos de convergência entre
as áreas. “as interferências , as superposições,
as transversalidades” (DUBOIS,p.5, 2003).
As fotografias apresentadas como resultado final são produto
de transformações de suporte (e mídias) sofridas
pela imagem neste longo processo: real película (cinema)
vídeo digital fotografia slide 35mm (projeção)
fotografia p&b 35mm, TRI X colorização manual
(ecoline) digitalização da imagem colorida cópia
final em papel fotográfico colorido.
A imagem final é um produto híbrido que traz consigo
vestígios das mudanças geradas na imagem original,
ao passar por cada meio. Estes vestígios, no entanto, não
são discerníveis, não deixam explícito
o processo de construção da imagem. As fotografias
finais são criadas a partir do princípio da “incerteza
do visível”.
No momento da projeção dos slides sobre o corpo da
modelo, optei pela pose construída, na medida em que pretendo
com elas a representação de um tempo em suspensão,
sem preocupação com o real, mas com uma simulação
do real." Rochele
Zandavalli
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Rochele
Zandavalli atualmente faz parte da nossa Equipe, como pesquisadora
em fotografia experimental artística, e, também como,
ministrante convidada do Núcleo de Fotografia da FABICO/UFRGS,
para o desenvolvimento do Curso de Extensão de Processos
Artíticos em Fotografia, a ser desenvolvido no segundo semestre
de 2008. Mario Bitt-Monteiro |
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