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RESUMO: Este artigo pretende estabelecer, com uma breve explanação teórico-filosófica, a importância dos estágios e aplicativos da fotografia contemporânea nas interrelações humanas. Aborda a evolução da fotografia e analisa as suas múltiplas atividades culturais, sociais e econômicas, no atual complexo informativo global. Apresenta as diversas atividades do Núcleo de Fotografia da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, no ensino, pesquisa e extensão e, mostra a atualidade da linguagem fotográfica como área de excelência acadêmica, enfatizando suas relações como atividade de extensão universitária.

Um ensaio sobre o momento da Fotografia, suas relações com a Comunicação globalizada e sua atual configuração acadêmica na UFRGS

Mario Bitt-Monteiro
Consultor em Fotografia da FABICO/UFRGS,
Coordenador do Núcleo de Fotografia – FABICO/UFRGS

copyright 1998 Mario Bitt-Monteiro.

 

Publicado na Revista da Extensão - PROREXT - UFRGS, vol. 1, p.40-50, jan-jun, 1998. ISSN 1415-904x

A Ascensão da Fotografia Contemporânea

No atual universo das relações humanas de alta competitividade, não se permite o descaso, e muito menos a desinformação, com a utilização não adequada de elementos que podem nos conduzir a estágios superiores do conhecimento, concernentes aos micro e macrocosmos ambientais, no qual estamos inseridos. Além disso, o domínio de tecnologias criativas aliado à qualidade, mais do que nunca passaram a ser pressupostos preponderantes, tanto nas atividades acadêmicas científicas e artísticas, como nas complexidades inerentes às interrelações profissionais contemporâneas.

A fotografia é um destes elementos, ao atuar tanto como fonte de qualidade como de qualificação, mas paradoxalmente é vista apenas como um produto visual , um simples apoio. Considerada apenas como suporte para o desenvolvimento de outras atividades(quer sejam, profissionais, acadêmicas ou de lazer), a fotografia ainda não foi devidamente encarada como um parâmetro ímpar, que exigem leituras e compreensões próprias.

De acordo com Gomes (1996), a imagem fotográfica, ao registrar a experiência, pode, provocar novas percepções, produzir a subjetividade inerente ao ato de olhar, e imortalizar o fato e o espaço captados, contextualizando-os.

A fotografia impõe-se também como uma importante manifestação da poética visual contemporânea. Ao invés de suporte, se transforma, em si mesma, numa fonte de estudos de sociologia da comunicação, através de pesquisas experimentais.

Nessa perspectiva inclui abordagens teóricas de caráter multidisciplinar, desde a preocupação com o significado, até com os aspectos físicos de imagens analógicas, obtidas através de processos fotoquímicos conjugados a sofisticados conteúdos visuais, criados e processados em ambientes virtuais pelo uso de imagens digitalizadas.

A fotografia exerce um papel tão abrangente, tão presente no nosso dia-a-dia que foge-nos à percepção de sua real importância na atualidade. Os diversos meios de comunicação e informação jornalística, publicitária ou cultural que nos envolve e fascina, são essencialmente fotográficas, quer sejam na forma de imagens estáticas ou dinâmicas, que a utilizam. Letras , desenhos ,monocromias, grafismos policromáticos, entre outros que possuem múltiplos padrões tonais, são componentes das milhares de imagens que inquestionavelmente fazem parte do universo visual e ambiental do cidadão comum. Isso acontece em toda e qualquer parte do mundo, de uma forma ou de outra, em maior ou menor escala.

A fotografia, impressa, exposta ou projetada, sempre está presente. Sem dúvida, a fotografia contemporânea integrou-se definitivamente em várias áreas das atividades humanas, proporcionando processos criativos na busca de novos patamares do conhecimento, em todas suas formas e níveis.

Duas imagens, a experiência e a resultante
Mário Bitt-Monteiro

O Desenvolvimento do Processo Fotográfico

A fotografia, enquanto técnica, pode ser definida como imagens graficamente expostas, decorrentes da ação de determinadas radiações ou freqüências, dos espectros que constituem as ondas eletromagnéticas, sobre materiais ou elementos físicos, químicos ou tecnologicamente preparados, sensíveis ou previamente sensibilizados. Essas ações e reações podem ocorrer da forma ocasional ou induzida.

O processo fotográfico baseia-se fundamentalmente nos estudos da oxidação de materiais sob a ação da luz. E, dentre todos o elemento químico Prata destaca-se sobremaneira. As primeiras descobertas das propriedades dos sais de prata se atribuem a Geber, célebre místico, alquimista do século VIII (Fontcuberta, 1990). O alemão Heinrich Schulze, em 1725, realizou pesquisas laboratoriais na determinação da sensibilidade dos sais de prata, constatando suas diferentes ações e reações sob exposições a variadas fontes de luz e calor , separadamente. No ano de 1777, o químico alemão Karl Wilhelm Scheele (Clerc,1950), descobriu um importante fato, o escurecimento do sal cloreto de prata sob a ação da luz solar, nos espectros azul e violeta. Em 1802 Thomas Wedgwood, publicou um artigo no Journal of the Royal Institution, que descrevia um método de imprimir silhuetas sobre lâminas de vidro emulsionadas, a partir da utilização do nitrato de prata como sensibilizante da emulsão, mas ainda sem um processo adequado a fixação da imagem. O método de fixagem da imagem fotográfica deve-se a Sir John F.W. Herschel, que em 1819, descobriu os sais hipossulfitos , e suas ações de solubilização dos halogêneos de prata.

Um outro precursor da fotografia, Joseph-Nicéphore Niépce, durante os anos de 1818 a 1826 confeccionou as primeiras placas heliográficas sensibilizadas com Betume da Judéia, mas devido as longas exposições que a emulsão requeria, tornou-se quase impraticável um maior desenvolvimento da técnica.

A fotografia começou a alcançar popularidade com Louis-Jacques-Mandé Daguerre , que em 1839 apresentou na Académie des Ciencies at Paris, detalhes de um processo de obtenção de imagens, sendo mais tarde o texto apresentado, traduzido pelo Dr. J. S. Memes, recebendo o título "The History and Pratice of Photogenic Drawing", publicado (1839) em Londres pela Smith, Elder & Co.(Sowerby, 1956) .O processo ficou conhecido como Daguerreótipo.

Daguerreótipo feito por volta de 1850, pertencente à Sra. Severa Holzinger Rosen. Fotografia (reprodução) Hans Gunter Flieg, 1981.

Benjamin(1994) descreve os clichês de Daguerre como placas de cobre, revestidas com prata, iodadas e expostas numa câmera obscura, que precisavam ser manipuladas, sob boas condições de luz, e em vários sentidos, para o reconhecimento da imagem impressa, que possuía uma cor de cinza-pálido.

Mas foi através da introdução do filme em rolo, primeiro por George Eastmann, em 1884, com rolo de papel emulsionado e posteriormente por S. N. Turner, em 1891, introduzindo como novidade um rolo de filme fotográfico em celulóide, que o processo de obtenções fotográficas atingiu elevados índices de popularidade.

Desde então a fotografia vem produzido notáveis ramificações e linhas de estudos. O cinema, a televisão, a radiografia e a termografia, as artes gráficas, a ecografia, a fotomicroscopia, a endoscopia, as fotografias de espectros não visíveis, a astrofotografia, as documentações aeroespaciais, a computação gráfica e fotografia digital ,são algumas das suas formas de atuação.

Fotografias estáticas ou dinâmicas, analógicas ou digitais, no registro de elementos artísticos, científicos, jurídicos, ambientais, interplanetários, intramoleculares, eletromagnéticos e um sem número de outras linhas, constituem parte do universo da fotografia contemporânea. E, além desta considerável coleção de títulos e aplicativos, há também o ainda o controverso registro fotográfico da aura, ou do halo, resultante do campo eletromagnético de assuntos vivos, denominado Fotografia Kirlian.

O casal russo Semyon e Valentina Kirlian, moradores de um pequeno povoado na Ucrânia, iniciou os primeiros estudos sobre a Fotografia Kirlian por volta de 1939. Conforme registros, o técnico Semyon quando operava equipamentos hospitalares, certa vez, notou por acaso, que a interação entre correntes elétricas e chapas fotográficas imprimia um halo (ou aura) de energia invisível em torno de organismos vivos. No final da década de quarenta, cientistas russos iniciaram estudos sobre os efeitos Kirlian sobre materiais fotossensíveis, sendo que somente nos anos setenta os norte-americanos começaram a pesquisar este fenômeno.

Atualmente a técnica de produzir imagens fotográficas através do efeito Kirlian, está em franco processo de popularização, tanto que já vem sendo produzidos e comercializados diversos tipos de kits de processamentos para obtenções fotográficas do efeito Kirlian, ao alcance do todo e qualquer interessado com acesso à Internet. No "site" www.compusmart.ab.ca/kirlian.htm, pode se encontrar métodos e equipamentos adequados para realizar a fotografia Kirlian. Sem dúvida a fotografia popularizou-se de tal forma, que restam poucos lugares no mundo habitado onde não a conhecem. Provavelmente, neste preciso instante, em alguma parte do planeta, haja pelo menos um indivíduo com uma câmara na mão, fotografando.

Aura virtual
Mario Bitt-Monteiro

A Fotografia como Fonte de Informação, Idéias e Questionamentos

Fotografar é o modo de questionar a imagem anteriormente percebida. O assunto da imagem registrada fotograficamente possibilita, sem dúvida alguma, uma qualidade de análise e interpretação visual mais acurada. Ao fornecer um sem número de possibilidades plásticas e/ou gráficas, a fotografia provoca dúvidas, gera questionamentos e sugere soluções na busca de resultados, tanto para artistas quanto para cientistas, também como ao homem comum, em sua contemplação desinteressada (ou não) do mundo que o cerca.A fotografia, linguagem não-verbal, contribui decisivamente na realização de pesquisas teóricas, manifestações artístico-culturais e como coadjuvante eficaz em inúmeras descobertas científico-tecnológicas, como indica Spencer(1974)"A contribuição da fotografia na ciência, é a seqüência qualificada de informação que não pode ser obtida de nenhuma outra forma (...) A fotografia nos dota de uma espécie de olho sintético - uma retina imparcial e infalível - capaz de converter em registros visíveis, fenômenos cuja existência, de outra forma, não haveríamos conhecido nem suspeitado"

A fotografia é também um meio de simplificação na busca e síntese de resultados. Além de se definir como linguagem de criatividade visual em diversas formas de expressão artística, a fotografia e seus processamentos de imagens, são uma maneira de ver, descobrir e questionar o passado, ou de acordo com Gomes (1996) "Fotografar é uma forma de expressão , o "congelamento" de uma situação e seu espaço físico inserido na subjetividade de um realismo virtual".

Copyright 1998 Mario Bitt-Monteiro.

Barthes(1977), ao referir-se sobre o significado de uma imagem fotográfica, mostra que a conotação é histórica, decorrente e modificável de acordo com o momento social. Referindo-se ao valor da linguagem fotográfica em jornais, onde se torna o centro da reportagem, sugere o título e orienta a estrutura do lay-out, numa congruência, mas não homogeneização com o texto As imagens fotográficas contém, potencialidades desestabilizadoras que podem ser inseridas na processualidade de recriação permanente do cotidiano já conhecido. Fotografar e "ler" fotografias são como atos participantes de um jogo de espelhos, pois, são múltiplas as implicações entre quem fotografa e o assunto fotografado e vice versa, gerando esquemas interpretativos.

Conforme Neiva(1986), trata-se de uma representação e aparência, cuja configuração pretende-se verdadeira. Partindo da imitação da realidade, envolve intenções, representações e significados.

A fotografia é, em síntese, uma linguagem universal, sem tradução específica, constituída por uma leitura livre, sem normas e formalismos. Ela é intrinsecamente uma cópia virtual, constituída de lapsos de tempos fragmentados em uma realidade ocasional ou dirigida, obtida pelo fotógrafo-autor. Poderíamos dizer que é uma verdade com autoria, onde o autor tenta transmitir seu conceito sobre aquele momento, do instante captado, mas depende do espectador, quanto ao seus limiares de percepção e concepção crítica visual. A fotografia aciona tudo isso. Ela nos reporta a algo que queremos ver ou não, tudo é relativo às intenções do autor e das concepções do espectador. A importância maior reside no fato deste espectador poder "ler" detalhes ou pequenos momentos fracionados fotograficamente, à sua vontade, em condições de livre interpretação, no tempo e espaço que desejar.

Também, podemos definir a fotografia, enquanto elemento visual, como uma forma gráfica de impressões e expressões artísticas, científicas e tecnológicas, cuja a interação desses segmentos resulta em um registro visual, dotado de múltiplas formas de relações informativas e interpretativas.

A Fotografia como o Sentido da Visão no Conteúdo da Informação

O planeta está coberto e totalmente interligado , por uma malha constituída de ondas eletromagnéticas, constituintes das infovias, em que transitam milhões de dados auditivos, textuais e principalmente visuais, que "viajam" através de satélites, cabos submarinos, fibras óticas, ondas de rádio , etc. Através deles , o homem exerce seu poder de comunicação global de forma instantânea, situando-nos e remetendo-nos a acontecimentos de toda ordem, no exato momento da ocorrência dos fatos . Em lapsos de segundos, um indivíduo morador de Port Moresby, na Papua-Nova Guiné, sentado confortavelmente em frente ao seu aparelho de televisão, recebe imagens de um acontecimento ocorrido em Belém do Pará, no Brasil.

Esta possibilidade de acesso à informação é comum, corriqueiro, nos dias atuais. O indivíduo, esteja onde estiver, tem acesso, através dos sistemas de telecomunicações interligados, a qualquer parte do globo, com um sem número de assuntos à sua disposição, através da captação de imagens e sons à distância, retransmitidos por satélites orbitais.

Tais informações são geradas e transmitidas graças aos notáveis avanços da microeletrônica e aos modernos aplicativos da fotografia digital. Mais uma vez a fotografia se faz presente, de forma imprescindível.

Vivemos na era da Internet. Um complexo sistema de comunicação, constituída por uma intrincada rede de computadores, proporcionando um infinito conglomerado de trocas informativas, constituintes da comunicação globalizada que caracterizam o mundo atual. Nesse amplo ambiente virtual, a fotografia reina soberana. O mundo visual, ou o planeta da fotografia , não somente a utiliza, como depende cada vez mais do seu conteúdo e forma para atingir objetivos e metas, sejam eles quais forem.

Seríamos, certamente, menores sem o recurso e a utilização dos atuais estágios da imagem transmitida. Sem dúvida a linguagem universal denominada Fotografia, atua como elemento propulsor à descoberta de novos micro e macrocosmos necessários ao estabelecimento de parâmetros quantitativos e qualitativos de confronto com o nosso próprio meio circundante conhecido.

No atual momento das Ciências da Comunicação e Informação, a Fotografia não é apenas só uma personagem de apoio , mas a protagonista em contínua evolução.

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Um Núcleo que é uma Escola de Fotografia

Com o objetivo de contar com um segmento de pesquisas experimentais , apoio à graduação em Comunicação Social da UFRGS e atividades de extensão abertas à comunidade em geral, na área da fotografia, implantou-se, em 1992, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Núcleo de Fotografia, com atividades abrangentes às linhas analógicas e digitais da Fotografia Aplicada. Desde então o Núcleo atua, como uma verdadeira escola de fotografia, ligando os segmentos de ensino, pesquisa e extensão tanto experimental como aplicada, com intuito de alcançar, não somente, índices diferenciados na qualificação de recursos humanos, bem como produzir conhecimentos em comunicação visual , artística e científica.

O Núcleo de Fotografia-FABICO/UFRGS é, em essência, um laboratório de idéias que exercita a linguagem fotográfica como centro ou pólo de estudos, ou seja, utiliza-a como elemento propulsor de experimentações teóricas e técnicas de imagens percebidas e fotograficamente registradas, objetivando a implementação dessas práticas, tanto na busca de metodologias científicas, como no alcance de uma espécie de "matéria prima", a ser aplicada na qualificação de recursos humanos, com o exercício da criatividade visual diretamente ligada a uma percepção e composição do espaço, previamente desenvolvidas. O Núcleo, em seis anos de atividade, já é considerado como um setor qualificado, com personalidade metodológica própria, tendo como responsabilidade as disciplinas de Fotografia, integrantes do currículo do Curso de Comunicação Social/UFRGS, um programa de pesquisa experimental, denominado FOT.XPER.UFRGS e, dois programas de extensão: o UFRGS DOCUMENTA e o de Cursos e Oficinas de Extensão em Fotografia/UFRGS.

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A Extensão em Fotografia como uma atividade de ponta

Desde 1993, com a implantação do programa cursos e oficinas de extensão fotografia/UFRGS, o Núcleo de Fotografia tornou-se um, espaço aberto onde transitam verdadeiras multidões de alunos universitários, profissionais ligados ao trato da imagem e aficionados em geral que, durante o ano inteiro, inclusive no período de férias estudantis, encontram sempre o acesso às consultas e informações pretendidas. Utilizando a fotografia na sua forma mais ampla, ou seja , como área de excelência acadêmica , são empregadas linhas de ação com parâmetros definidos, no suporte do ensino de graduação em comunicação social, no desenvolvimento das pesquisas experimentais e na produção das atividades de extensão universitária que objetivam promover e adequar : 1) a fotografia como um exercício teórico e prático de criatividade gráfica e visual; 2) a fotografia como instrumento de apoio a questionamentos socio-culturais; 3) a fotografia de autor como elemento de qualificação artística e profissional; 4) a experimentação fotográfica como elo de ligação entre a percepção visual e os processos criativos da imagem; 5) o estabelecimento de conceitos visuais mais apurados , através da utilização sistemática de processamentos e análises fotográficas e 6) os conhecimentos resultantes das pesquisas em fotografia, aplicados na demanda dos diferenciados processos culturais científicos e artísticos.

Em 1996 foram reformulados os currículos dos cursos e oficinas de extensão em fotografia, transformando-os em módulos, interligando-os, para que pudessem ser desenvolvidos em diferentes estágios. Os atuais estágios e subdivisões são: nível 1: Cursos Básicos I, II e III - para iniciantes e aficionados com pouca prática; nível 2: Cursos Aplicados I e II - para iniciados com bom conhecimento; nível 3: Oficinas de Laboratório - Fotografia Experimental- para fotógrafos profissionais, graduandos, pós-graduandos e aficionados em geral com larga experiência em processamentos fotográficos laboratoriais e, nível 4: Cursos Específicos: para a qualificação e aperfeiçoamento fotográfico de profissionais de várias áreas, pesquisadores e acadêmicos pós-graduandos.

Além dos Cursos e Oficinas, o Núcleo criou e implantou em janeiro de 1994, o Programa de Extensão UFRGS DOCUMENTA, constituído por dois projetos de larga abrangência: o Projeto São José dos Ausentes, Povo e Paisagem e o Projeto BIOS: Imagens da Biosfera Meridional do Brasil(em preparação). Este Programa tem o intuito de documentar e arquivar informações sobre ambientes de excelência geográfica, em estágios de preservação controlada ou não. Caracteriza-se pela realização de atividades extensionistas de cunho multidisciplinar, com interações institucionais, que visam o registro visual, coleta de dados e a formação adequada de bancos de imagens integrados (analógicos e digitais), substanciados através das documentações fotográficas realizadas em cursos , oficinas, excursões e expedições. A composição de uma equipe multidisciplinar regida por um cronograma com metodologia científica, é a principal característica deste Programa, que é constituída por uma coordenação científica, uma coordenação de fotografia, uma coordenação de produção, bolsistas de extensão, graduandos de diversas áreas da UFRGS, fotógrafos profissionais convidados e participantes extensionistas da comunidade em geral. Os métodos e procedimentos fotográficos são definidos pelo Programa de Pesquisa em Fotografia Experimental e Aplicada FOT.XPER.UFRGS.

A intenção do Programa UFRGS DOCUMENTA é fixar a imagem fotográfica como elemento de informação e de comunicação, em atividades de currículos educacionais ,como também possibilitar seu acesso aos públicos de todos os níveis. Objetiva também a reunião e a disponibização de informações, visuais e textuais, qualificadas sobre os diferentes micro e macrocosmos ambientais, de diversos tipos de áreas geográficas. As imagens são coletadas, processadas, organizadas, arquivadas e, posteriormente divulgadas, tornando-se instrumentos de excelência na conscientização e apreensão de dados referente a assuntos previamente objetivados.

Os resultados obtidos pelas atividades de extensão até agora são os mais variados. Desde a implantação dos Cursos e Oficinas e o Programa UFRGS DOCUMENTA, destacamos os seguintes índices e objetivos alcançados: participação em torno de 1100 alunos extensionistas , de 1993 a 1997, nos cursos e oficinas; a constituição de um acervo de imagens fotográficas , com um número estimativo de 3.800 fotografias em cores (cópias e diapositivos) e 10.200 fotografias em preto e branco(cópias e negativos); a produção e direção de 28 mostras e exposições fotográficas de médio e grande porte; mais de uma centena de consultorias técnicas (fotografia científica de campo e laboratorial e, fotografia geral) às diversas Unidades da UFRGS, instituições públicas estaduais , municipais e empresas e profissionais da iniciativa privada; a qualificação em Fotografia , através de projetos individuais a 32 bolsistas de extensão(1993/97); coordenação e direção de fotografia na realização do ATLAS AMBIENTAL DE PORTO ALEGRE, através de Convênio UFRGS e Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 1995,96 e 97; a implantação de um projeto de turismo ecológico rural, através da criação da programação visual do Município de São José dos Ausentes (em andamento); a implementação de um banco de imagens digital, de alta performance (em fase final de implantação) e o estabelecimento do conceito que o Núcleo de Fotografia - FABICO/UFRGS tornou-se um centro de ensino, pesquisa e extensão em Fotografia, aberto tanto à comunidade acadêmica científica e artística ,estudantes de níveis diferenciados, quanto a diversos públicos.

Dentre todos os projetos de extensão do Núcleo, o que mais se destaca atualmente é o São José dos Ausentes, Povo e Paisagem, criado em fevereiro de 1995, quando da execução de um trabalho de campo em São José dos Ausentes. Nessa ocasião, a Prefeitura do Município colaborava com a realização do II Curso de Fotografia Ambiental, prestando apoio na hospedagem e oferecendo guias nos deslocamentos dos alunos extensionistas. Na época Prefeito do Município, o Sr. Aldir Rovaris e seu Secretário de Turismo, Sr, Aécio Boeira, em visita ao grupo de 43 extensionistas em fotografia da FABICO/UFRGS, que estavam hospedados na Fazenda Pousada São José do Silveira, de Ernesto Boeira, convidaram a coordenação da excursão para uma reunião, a serem discutidos futuros empreendimentos, entre a Prefeitura e o Núcleo de Fotografia-FABICO/UFRGS. Os resultados da reunião foram mais que promissores. Foi estabelecido em parceria um protótipo de projeto para a constituição de um banco de imagens com enfoque nas paisagens naturais, rurais e, nos usos e costumes da população de São José dos Ausentes, daí surgindo o título do Projeto.

Fotoescrita
Daniel Quevedo

O Município de São José dos Ausentes, situa-se no extremo nordeste do Rio Grande do Sul e guarda uma das mais belas paisagens naturais gaúchas. São 1.153 Km2 constituídos por inúmeros cursos de rios, imponentes quedas d'água e graciosas coxilhas onduladas, que as vezes apresentam-se pontilhadas pelo gado serrano, noutras densamente pintadas de verde pelas frondosas matas de Araucárias, que exibem-se, colocando-se irresistíveis aos ávidos olhares dos fotógrafos. Esta região do Campos de Cima da Serra, tanto é pródiga pela quantidade e limpidez da luz solar, quanto pela densa e, quase instantânea, cerração originada nos contrafortes dos Aparados da Serra .São recantos com inestimável valor pictórico, situados a mais de 1.200 metros acima do nível do mar, que oferecem ao visitante e, principalmente ao fotógrafo, verdadeiros espetáculos da natureza.

De lá para cá, o projeto São José dos Ausentes, Povo e Paisagem firmou-se cada vez mais, em janeiro de 1997 foi assinado um Convênio entre a UFRGS e o Município, transformando-o em um programa de pesquisa e extensão de grande abrangência, com a inclusão operacional de várias Unidades da UFRGS, como o Biociências, Geociências, Faculdades de Educação, Arquitetura, Odontologia e Farmácia, o IFCH, a Escola Técnica, entre outros. Hoje, o Programa que está em pleno andamento, com a coordenação geral da FABICO/UFRGS e o apoio institucional da FAPERGS, já conta com alguns resultados expressivos, como: a implantação do ensino de 2º grau no Município; a criação de uma biblioteca pública; a concretização de um projeto de comunicação visual para o desenvolvimento do turismo ecológico rural, início dos estudos cartográficos da região, um programa de prevenção odontológica, a instalação de uma estação de apoio da UFRGS no Município, um planejamento rural e urbano (plano piloto) adequado à região, oficinas de teatro e um acervo com mais de 6.200 imagens fotográficas com qualidade para todo tipo e impressão ou exposição.

Em pouco mais de três anos de atividades o Programa São José dos Ausentes, Povo e Paisagem, já se constitui em um modelo de interação e integração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a comunidade de seu Estado.

Núcleo de Fotografia pretende seguir demonstrando, através de resultados e posturas acadêmicas, que a fotografia e suas ramificações, se encontram definitivamente inseridas nas diversas atividades, tanto expressivas como laborais do homem contemporâneo. As atividades em fotografia, realizadas pelo Núcleo, vem constituindo-se como fatores geradores de conhecimento, que se forem conjugados a investimentos oportunos, certamente proporcionarão uma formação devidamente qualificada de recursos humanos, adequada aos crescentes avanços das formas de expressão, tanto artísticas , científicas, como tecnológicas.

Fotografia, a extensão da visão
Mario Bitt-Monteiro

Conclusões

A Fotografia é uma área personalizada do conhecimento, estando em franca evolução, expansão e importância, devendo ser devidamente desenvolvida, desde suas formas puras e filosóficas, até os últimos redutos conhecidos de suas relações experimentais e aplicadas. Esta linguagem informativa de arte e técnica necessita da criação de um programa único, com uma formação acadêmica de ação multidisciplinar integrada, tendo como base as áreas das Ciências da Informação, Comunicação e Artes Visuais, em nível de 3° grau, com a finalidade de estabelecer linhas próprias de ensino, pesquisa e extensão. A definitiva colocação da fotografia como um segmento de excelência, no nível acadêmico, propiciará maiores avanços nas relações artísticas, tecnológicas e científicas em nosso atual estágio sócio-cultural, além de constituir-se como item diferencial nos processos de qualificação superior de recursos humanos.

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