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RESUMO:
Este artigo pretende estabelecer, com uma
breve explanação teórico-filosófica,
a importância dos estágios e
aplicativos da fotografia contemporânea
nas interrelações humanas. Aborda
a evolução da fotografia e analisa
as suas múltiplas atividades culturais,
sociais e econômicas, no atual complexo
informativo global. Apresenta as diversas
atividades do Núcleo de Fotografia
da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
da UFRGS, no ensino, pesquisa e extensão
e, mostra a atualidade da linguagem fotográfica
como área de excelência acadêmica,
enfatizando suas relações como
atividade de extensão universitária.
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Um
ensaio sobre o momento da Fotografia, suas relações
com a Comunicação globalizada e sua
atual configuração acadêmica
na UFRGS
Mario
Bitt-Monteiro
Consultor em Fotografia
da FABICO/UFRGS,
Coordenador do Núcleo de Fotografia
FABICO/UFRGS
01.jpg) |
copyright
1998
Mario Bitt-Monteiro. |
Publicado
na
Revista da Extensão - PROREXT - UFRGS, vol.
1, p.40-50, jan-jun, 1998. ISSN 1415-904x
A Ascensão da Fotografia Contemporânea
No
atual universo das relações humanas
de alta competitividade, não se permite o
descaso, e muito menos a desinformação,
com a utilização não adequada
de elementos que podem nos conduzir a estágios
superiores do conhecimento, concernentes aos micro
e macrocosmos ambientais, no qual estamos inseridos.
Além disso, o domínio de tecnologias
criativas aliado à qualidade, mais do que
nunca passaram a ser pressupostos preponderantes,
tanto nas atividades acadêmicas científicas
e artísticas, como nas complexidades inerentes
às interrelações profissionais
contemporâneas.
A
fotografia é um destes elementos, ao atuar
tanto como fonte de qualidade como de qualificação,
mas paradoxalmente é vista apenas como um
produto visual , um simples apoio. Considerada apenas
como suporte para o desenvolvimento de outras atividades(quer
sejam, profissionais, acadêmicas ou de lazer),
a fotografia ainda não foi devidamente encarada
como um parâmetro ímpar, que exigem
leituras e compreensões próprias.
De
acordo com Gomes (1996), a imagem fotográfica,
ao registrar a experiência, pode, provocar
novas percepções, produzir a subjetividade
inerente ao ato de olhar, e imortalizar o fato e
o espaço captados, contextualizando-os.
A
fotografia impõe-se também como uma
importante manifestação da poética
visual contemporânea. Ao invés de suporte,
se transforma, em si mesma, numa fonte de estudos
de sociologia da comunicação, através
de pesquisas experimentais.
Nessa perspectiva inclui abordagens
teóricas de caráter multidisciplinar,
desde a preocupação com o significado,
até com os aspectos físicos de imagens
analógicas, obtidas através de processos
fotoquímicos conjugados a sofisticados conteúdos
visuais, criados e processados em ambientes virtuais
pelo uso de imagens digitalizadas.
A
fotografia exerce um papel tão abrangente,
tão presente no nosso dia-a-dia que foge-nos
à percepção de sua real importância
na atualidade. Os diversos meios de comunicação
e informação jornalística,
publicitária ou cultural que nos envolve
e fascina, são essencialmente fotográficas,
quer sejam na forma de imagens estáticas
ou dinâmicas, que a utilizam. Letras , desenhos
,monocromias, grafismos policromáticos, entre
outros que possuem múltiplos padrões
tonais, são componentes das milhares de imagens
que inquestionavelmente fazem parte do universo
visual e ambiental do cidadão comum. Isso
acontece em toda e qualquer parte do mundo, de uma
forma ou de outra, em maior ou menor escala.
A
fotografia, impressa, exposta ou projetada, sempre
está presente. Sem dúvida, a fotografia
contemporânea integrou-se definitivamente
em várias áreas das atividades humanas,
proporcionando processos criativos na busca de novos
patamares do conhecimento, em todas suas formas
e níveis.
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Duas
imagens, a experiência e a resultante
Mário Bitt-Monteiro |
O
Desenvolvimento do Processo Fotográfico
A
fotografia, enquanto técnica, pode ser definida
como imagens graficamente expostas, decorrentes
da ação de determinadas radiações
ou freqüências, dos espectros que constituem
as ondas eletromagnéticas, sobre materiais
ou elementos físicos, químicos ou
tecnologicamente preparados, sensíveis ou
previamente sensibilizados. Essas ações
e reações podem ocorrer da forma ocasional
ou induzida.
O
processo fotográfico baseia-se fundamentalmente
nos estudos da oxidação de materiais
sob a ação da luz. E, dentre todos
o elemento químico Prata destaca-se sobremaneira.
As primeiras descobertas das propriedades dos sais
de prata se atribuem a Geber, célebre místico,
alquimista do século VIII (Fontcuberta, 1990).
O alemão Heinrich Schulze, em 1725, realizou
pesquisas laboratoriais na determinação
da sensibilidade dos sais de prata, constatando
suas diferentes ações e reações
sob exposições a variadas fontes de
luz e calor , separadamente. No ano de 1777, o químico
alemão Karl Wilhelm Scheele (Clerc,1950),
descobriu um importante fato, o escurecimento do
sal cloreto de prata sob a ação da
luz solar, nos espectros azul e violeta. Em 1802
Thomas Wedgwood, publicou um artigo no Journal
of the Royal Institution, que descrevia um método
de imprimir silhuetas sobre lâminas de vidro
emulsionadas, a partir da utilização
do nitrato de prata como sensibilizante da
emulsão, mas ainda sem um processo adequado
a fixação da imagem. O método
de fixagem da imagem fotográfica deve-se
a Sir John F.W. Herschel, que em 1819, descobriu
os sais hipossulfitos , e suas ações
de solubilização dos halogêneos
de prata.
Um
outro precursor da fotografia, Joseph-Nicéphore
Niépce, durante os anos de 1818 a 1826 confeccionou
as primeiras placas heliográficas sensibilizadas
com Betume da Judéia, mas devido as longas
exposições que a emulsão requeria,
tornou-se quase impraticável um maior desenvolvimento
da técnica.
A
fotografia começou a alcançar popularidade
com Louis-Jacques-Mandé Daguerre , que em
1839 apresentou na Académie des Ciencies
at Paris, detalhes de um processo de obtenção
de imagens, sendo mais tarde o texto apresentado,
traduzido pelo Dr. J. S. Memes, recebendo o título
"The History and Pratice of Photogenic Drawing",
publicado (1839) em Londres pela Smith, Elder &
Co.(Sowerby, 1956) .O processo ficou conhecido como
Daguerreótipo.
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Daguerreótipo
feito por volta de 1850, pertencente à
Sra. Severa Holzinger Rosen. Fotografia (reprodução)
Hans Gunter Flieg, 1981. |
Benjamin(1994) descreve os clichês de Daguerre
como placas de cobre, revestidas com prata, iodadas
e expostas numa câmera obscura, que precisavam
ser manipuladas, sob boas condições
de luz, e em vários sentidos, para o reconhecimento
da imagem impressa, que possuía uma cor de
cinza-pálido.
Mas
foi através da introdução do
filme em rolo, primeiro por George Eastmann, em
1884, com rolo de papel emulsionado e posteriormente
por S. N. Turner, em 1891, introduzindo como novidade
um rolo de filme fotográfico em celulóide,
que o processo de obtenções fotográficas
atingiu elevados índices de popularidade.
Desde
então a fotografia vem produzido notáveis
ramificações e linhas de estudos.
O cinema, a televisão, a radiografia e a
termografia, as artes gráficas, a ecografia,
a fotomicroscopia, a endoscopia, as fotografias
de espectros não visíveis, a astrofotografia,
as documentações aeroespaciais, a
computação gráfica e fotografia
digital ,são algumas das suas formas de atuação.
Fotografias
estáticas ou dinâmicas, analógicas
ou digitais, no registro de elementos artísticos,
científicos, jurídicos, ambientais,
interplanetários, intramoleculares, eletromagnéticos
e um sem número de outras linhas, constituem
parte do universo da fotografia contemporânea.
E, além desta considerável coleção
de títulos e aplicativos, há também
o ainda o controverso registro fotográfico
da aura, ou do halo, resultante do campo eletromagnético
de assuntos vivos, denominado Fotografia Kirlian.
O
casal russo Semyon e Valentina Kirlian, moradores
de um pequeno povoado na Ucrânia, iniciou
os primeiros estudos sobre a Fotografia Kirlian
por volta de 1939. Conforme registros, o técnico
Semyon quando operava equipamentos hospitalares,
certa vez, notou por acaso, que a interação
entre correntes elétricas e chapas fotográficas
imprimia um halo (ou aura) de energia invisível
em torno de organismos vivos. No final da década
de quarenta, cientistas russos iniciaram estudos
sobre os efeitos Kirlian sobre materiais fotossensíveis,
sendo que somente nos anos setenta os norte-americanos
começaram a pesquisar este fenômeno.
Atualmente
a técnica de produzir imagens fotográficas
através do efeito Kirlian, está em
franco processo de popularização,
tanto que já vem sendo produzidos e comercializados
diversos tipos de kits de processamentos
para obtenções fotográficas
do efeito Kirlian, ao alcance do todo e qualquer
interessado com acesso à Internet. No "site"
www.compusmart.ab.ca/kirlian.htm, pode se encontrar
métodos e equipamentos adequados para realizar
a fotografia Kirlian. Sem dúvida a fotografia
popularizou-se de tal forma, que restam poucos lugares
no mundo habitado onde não a conhecem. Provavelmente,
neste preciso instante, em alguma parte do planeta,
haja pelo menos um indivíduo com uma câmara
na mão, fotografando.
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Aura
virtual
Mario Bitt-Monteiro |
A
Fotografia como Fonte de Informação,
Idéias e Questionamentos
Fotografar
é o modo de questionar a imagem anteriormente
percebida. O assunto da imagem registrada fotograficamente
possibilita, sem dúvida alguma, uma qualidade
de análise e interpretação
visual mais acurada. Ao fornecer um sem número
de possibilidades plásticas e/ou gráficas,
a fotografia provoca dúvidas, gera questionamentos
e sugere soluções na busca de resultados,
tanto para artistas quanto para cientistas, também
como ao homem comum, em sua contemplação
desinteressada (ou não) do mundo que o cerca.A
fotografia, linguagem não-verbal, contribui
decisivamente na realização de pesquisas
teóricas, manifestações artístico-culturais
e como coadjuvante eficaz em inúmeras descobertas
científico-tecnológicas, como indica
Spencer(1974)"A contribuição da fotografia
na ciência, é a seqüência
qualificada de informação que não
pode ser obtida de nenhuma outra forma (...) A fotografia
nos dota de uma espécie de olho sintético
- uma retina imparcial e infalível - capaz
de converter em registros visíveis, fenômenos
cuja existência, de outra forma, não
haveríamos conhecido nem suspeitado"
A
fotografia é também um meio de simplificação
na busca e síntese de resultados. Além
de se definir como linguagem de criatividade visual
em diversas formas de expressão artística,
a fotografia e seus processamentos de imagens, são
uma maneira de ver, descobrir e questionar o passado,
ou de acordo com Gomes (1996) "Fotografar é
uma forma de expressão , o "congelamento"
de uma situação e seu espaço
físico inserido na subjetividade de um realismo
virtual".
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Copyright
1998 Mario Bitt-Monteiro. |
Barthes(1977), ao referir-se sobre o significado
de uma imagem fotográfica, mostra que a conotação
é histórica, decorrente e modificável
de acordo com o momento social. Referindo-se ao
valor da linguagem fotográfica em jornais,
onde se torna o centro da reportagem, sugere o título
e orienta a estrutura do lay-out, numa congruência,
mas não homogeneização com
o texto As imagens fotográficas contém,
potencialidades desestabilizadoras que podem ser
inseridas na processualidade de recriação
permanente do cotidiano já conhecido. Fotografar
e "ler" fotografias são como atos participantes
de um jogo de espelhos, pois, são múltiplas
as implicações entre quem fotografa
e o assunto fotografado e vice versa, gerando esquemas
interpretativos.
Conforme
Neiva(1986), trata-se de uma representação
e aparência, cuja configuração
pretende-se verdadeira. Partindo da imitação
da realidade, envolve intenções, representações
e significados.
A
fotografia é, em síntese, uma linguagem
universal, sem tradução específica,
constituída por uma leitura livre, sem normas
e formalismos. Ela é intrinsecamente uma
cópia virtual, constituída de lapsos
de tempos fragmentados em uma realidade ocasional
ou dirigida, obtida pelo fotógrafo-autor.
Poderíamos dizer que é uma verdade
com autoria, onde o autor tenta transmitir seu conceito
sobre aquele momento, do instante captado, mas depende
do espectador, quanto ao seus limiares de percepção
e concepção crítica visual.
A fotografia aciona tudo isso. Ela nos reporta a
algo que queremos ver ou não, tudo é
relativo às intenções do autor
e das concepções do espectador. A
importância maior reside no fato deste espectador
poder "ler" detalhes ou pequenos momentos fracionados
fotograficamente, à sua vontade, em condições
de livre interpretação, no tempo e
espaço que desejar.
Também,
podemos definir a fotografia, enquanto elemento
visual, como uma forma gráfica de impressões
e expressões artísticas, científicas
e tecnológicas, cuja a interação
desses segmentos resulta em um registro visual,
dotado de múltiplas formas de relações
informativas e interpretativas.
A
Fotografia como o Sentido da Visão no Conteúdo
da Informação
O
planeta está coberto e totalmente interligado
, por uma malha constituída de ondas eletromagnéticas,
constituintes das infovias, em que transitam milhões
de dados auditivos, textuais e principalmente visuais,
que "viajam" através de satélites,
cabos submarinos, fibras óticas, ondas de
rádio , etc. Através deles , o homem
exerce seu poder de comunicação global
de forma instantânea, situando-nos e remetendo-nos
a acontecimentos de toda ordem, no exato momento
da ocorrência dos fatos . Em lapsos de segundos,
um indivíduo morador de Port Moresby, na
Papua-Nova Guiné, sentado confortavelmente
em frente ao seu aparelho de televisão, recebe
imagens de um acontecimento ocorrido em Belém
do Pará, no Brasil.
Esta
possibilidade de acesso à informação
é comum, corriqueiro, nos dias atuais. O
indivíduo, esteja onde estiver, tem acesso,
através dos sistemas de telecomunicações
interligados, a qualquer parte do globo, com um
sem número de assuntos à sua disposição,
através da captação de imagens
e sons à distância, retransmitidos
por satélites orbitais.
Tais
informações são geradas e transmitidas
graças aos notáveis avanços
da microeletrônica e aos modernos aplicativos
da fotografia digital. Mais uma vez a fotografia
se faz presente, de forma imprescindível.
Vivemos
na era da Internet. Um complexo sistema de comunicação,
constituída por uma intrincada rede de computadores,
proporcionando um infinito conglomerado de trocas
informativas, constituintes da comunicação
globalizada que caracterizam o mundo atual. Nesse
amplo ambiente virtual, a fotografia reina soberana.
O mundo visual, ou o planeta da fotografia , não
somente a utiliza, como depende cada vez mais do
seu conteúdo e forma para atingir objetivos
e metas, sejam eles quais forem.
Seríamos,
certamente, menores sem o recurso e a utilização
dos atuais estágios da imagem transmitida.
Sem dúvida a linguagem universal denominada
Fotografia, atua como elemento propulsor à
descoberta de novos micro e macrocosmos necessários
ao estabelecimento de parâmetros quantitativos
e qualitativos de confronto com o nosso próprio
meio circundante conhecido.
No
atual momento das Ciências da Comunicação
e Informação, a Fotografia não
é apenas só uma personagem de apoio
, mas a protagonista em contínua evolução.
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1998 Mario Bitt-Monteiro. |
Um Núcleo que é
uma Escola de Fotografia
Com o objetivo de contar com um segmento de pesquisas
experimentais , apoio à graduação
em Comunicação Social da UFRGS e atividades
de extensão abertas à comunidade em
geral, na área da fotografia, implantou-se,
em 1992, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
(FABICO) da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, o Núcleo de Fotografia, com atividades
abrangentes às linhas analógicas e
digitais da Fotografia Aplicada. Desde então
o Núcleo atua, como uma verdadeira escola
de fotografia, ligando os segmentos de ensino,
pesquisa e extensão tanto experimental como
aplicada, com intuito de alcançar, não
somente, índices diferenciados na qualificação
de recursos humanos, bem como produzir conhecimentos
em comunicação visual , artística
e científica.
O
Núcleo de Fotografia-FABICO/UFRGS é,
em essência, um laboratório de idéias
que exercita a linguagem fotográfica como
centro ou pólo de estudos, ou seja, utiliza-a
como elemento propulsor de experimentações
teóricas e técnicas de imagens percebidas
e fotograficamente registradas, objetivando a implementação
dessas práticas, tanto na busca de metodologias
científicas, como no alcance de uma espécie
de "matéria prima", a ser aplicada na qualificação
de recursos humanos, com o exercício da criatividade
visual diretamente ligada a uma percepção
e composição do espaço, previamente
desenvolvidas. O Núcleo, em seis anos de
atividade, já é considerado como um
setor qualificado, com personalidade metodológica
própria, tendo como responsabilidade as disciplinas
de Fotografia, integrantes do currículo do
Curso de Comunicação Social/UFRGS,
um programa de pesquisa experimental, denominado
FOT.XPER.UFRGS e, dois programas de extensão:
o UFRGS DOCUMENTA e o de Cursos e Oficinas de Extensão
em Fotografia/UFRGS.
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A
Extensão em Fotografia como uma atividade
de ponta
Desde
1993, com a implantação do programa
cursos e oficinas de extensão fotografia/UFRGS,
o Núcleo de Fotografia tornou-se um, espaço
aberto onde transitam verdadeiras multidões
de alunos universitários, profissionais ligados
ao trato da imagem e aficionados em geral que, durante
o ano inteiro, inclusive no período de férias
estudantis, encontram sempre o acesso às
consultas e informações pretendidas.
Utilizando a fotografia na sua forma mais ampla,
ou seja , como área de excelência acadêmica
, são empregadas linhas de ação
com parâmetros definidos, no suporte do ensino
de graduação em comunicação
social, no desenvolvimento das pesquisas experimentais
e na produção das atividades de extensão
universitária que objetivam promover e adequar
: 1) a fotografia como um exercício teórico
e prático de criatividade gráfica
e visual; 2) a fotografia como instrumento de apoio
a questionamentos socio-culturais; 3) a fotografia
de autor como elemento de qualificação
artística e profissional; 4) a experimentação
fotográfica como elo de ligação
entre a percepção visual e os processos
criativos da imagem; 5) o estabelecimento de conceitos
visuais mais apurados , através da utilização
sistemática de processamentos e análises
fotográficas e 6) os conhecimentos resultantes
das pesquisas em fotografia, aplicados na demanda
dos diferenciados processos culturais científicos
e artísticos.
Em
1996 foram reformulados os currículos dos
cursos e oficinas de extensão em fotografia,
transformando-os em módulos, interligando-os,
para que pudessem ser desenvolvidos em diferentes
estágios. Os atuais estágios e subdivisões
são: nível 1: Cursos Básicos
I, II e III - para iniciantes e aficionados com
pouca prática; nível 2: Cursos Aplicados
I e II - para iniciados com bom conhecimento; nível
3: Oficinas de Laboratório - Fotografia Experimental-
para fotógrafos profissionais, graduandos,
pós-graduandos e aficionados em geral com
larga experiência em processamentos fotográficos
laboratoriais e, nível 4: Cursos Específicos:
para a qualificação e aperfeiçoamento
fotográfico de profissionais de várias
áreas, pesquisadores e acadêmicos pós-graduandos.
Além
dos Cursos e Oficinas, o Núcleo criou e implantou
em janeiro de 1994, o Programa de Extensão
UFRGS DOCUMENTA, constituído por dois projetos
de larga abrangência: o Projeto São
José dos Ausentes, Povo e Paisagem e o Projeto
BIOS: Imagens da Biosfera Meridional do Brasil(em
preparação). Este Programa tem o intuito
de documentar e arquivar informações
sobre ambientes de excelência geográfica,
em estágios de preservação
controlada ou não. Caracteriza-se pela realização
de atividades extensionistas de cunho multidisciplinar,
com interações institucionais, que
visam o registro visual, coleta de dados e a formação
adequada de bancos de imagens integrados (analógicos
e digitais), substanciados através das documentações
fotográficas realizadas em cursos , oficinas,
excursões e expedições. A composição
de uma equipe multidisciplinar regida por um cronograma
com metodologia científica, é a principal
característica deste Programa, que é
constituída por uma coordenação
científica, uma coordenação
de fotografia, uma coordenação de
produção, bolsistas de extensão,
graduandos de diversas áreas da UFRGS, fotógrafos
profissionais convidados e participantes extensionistas
da comunidade em geral. Os métodos e procedimentos
fotográficos são definidos pelo Programa
de Pesquisa em Fotografia Experimental e Aplicada
FOT.XPER.UFRGS.
A
intenção do Programa UFRGS DOCUMENTA
é fixar a imagem fotográfica como
elemento de informação e de comunicação,
em atividades de currículos educacionais
,como também possibilitar seu acesso aos
públicos de todos os níveis. Objetiva
também a reunião e a disponibização
de informações, visuais e textuais,
qualificadas sobre os diferentes micro e macrocosmos
ambientais, de diversos tipos de áreas geográficas.
As imagens são coletadas, processadas, organizadas,
arquivadas e, posteriormente divulgadas, tornando-se
instrumentos de excelência na conscientização
e apreensão de dados referente a assuntos
previamente objetivados.
Os
resultados obtidos pelas atividades de extensão
até agora são os mais variados. Desde
a implantação dos Cursos e Oficinas
e o Programa UFRGS DOCUMENTA, destacamos os seguintes
índices e objetivos alcançados: participação
em torno de 1100 alunos extensionistas , de 1993
a 1997, nos cursos e oficinas; a constituição
de um acervo de imagens fotográficas , com
um número estimativo de 3.800 fotografias
em cores (cópias e diapositivos) e 10.200
fotografias em preto e branco(cópias e negativos);
a produção e direção
de 28 mostras e exposições fotográficas
de médio e grande porte; mais de uma centena
de consultorias técnicas (fotografia científica
de campo e laboratorial e, fotografia geral) às
diversas Unidades da UFRGS, instituições
públicas estaduais , municipais e empresas
e profissionais da iniciativa privada; a qualificação
em Fotografia , através de projetos individuais
a 32 bolsistas de extensão(1993/97); coordenação
e direção de fotografia na realização
do ATLAS AMBIENTAL DE PORTO ALEGRE, através
de Convênio UFRGS e Prefeitura Municipal de
Porto Alegre, 1995,96 e 97; a implantação
de um projeto de turismo ecológico rural,
através da criação da programação
visual do Município de São José
dos Ausentes (em andamento); a implementação
de um banco de imagens digital, de alta performance
(em fase final de implantação) e o
estabelecimento do conceito que o Núcleo
de Fotografia - FABICO/UFRGS tornou-se um centro
de ensino, pesquisa e extensão em Fotografia,
aberto tanto à comunidade acadêmica
científica e artística ,estudantes
de níveis diferenciados, quanto a diversos
públicos.
Dentre
todos os projetos de extensão do Núcleo,
o que mais se destaca atualmente é o São
José dos Ausentes, Povo e Paisagem, criado
em fevereiro de 1995, quando da execução
de um trabalho de campo em São José
dos Ausentes. Nessa ocasião, a Prefeitura
do Município colaborava com a realização
do II Curso de Fotografia Ambiental, prestando apoio
na hospedagem e oferecendo guias nos deslocamentos
dos alunos extensionistas. Na época Prefeito
do Município, o Sr. Aldir Rovaris e seu Secretário
de Turismo, Sr, Aécio Boeira, em visita ao
grupo de 43 extensionistas em fotografia da FABICO/UFRGS,
que estavam hospedados na Fazenda Pousada São
José do Silveira, de Ernesto Boeira, convidaram
a coordenação da excursão para
uma reunião, a serem discutidos futuros empreendimentos,
entre a Prefeitura e o Núcleo de Fotografia-FABICO/UFRGS.
Os resultados da reunião foram mais que promissores.
Foi estabelecido em parceria um protótipo
de projeto para a constituição de
um banco de imagens com enfoque nas paisagens naturais,
rurais e, nos usos e costumes da população
de São José dos Ausentes, daí
surgindo o título do Projeto.
08.jpg) |
Fotoescrita
Daniel Quevedo
|
O
Município de São José dos Ausentes,
situa-se no extremo nordeste do Rio Grande do Sul
e guarda uma das mais belas paisagens naturais gaúchas.
São 1.153 Km2 constituídos
por inúmeros cursos de rios, imponentes quedas
d'água e graciosas coxilhas onduladas, que
as vezes apresentam-se pontilhadas pelo gado serrano,
noutras densamente pintadas de verde pelas frondosas
matas de Araucárias, que exibem-se, colocando-se
irresistíveis aos ávidos olhares dos
fotógrafos. Esta região do Campos
de Cima da Serra, tanto é pródiga
pela quantidade e limpidez da luz solar, quanto
pela densa e, quase instantânea, cerração
originada nos contrafortes dos Aparados da Serra
.São recantos com inestimável valor
pictórico, situados a mais de 1.200 metros
acima do nível do mar, que oferecem ao visitante
e, principalmente ao fotógrafo, verdadeiros
espetáculos da natureza.
De
lá para cá, o projeto São José
dos Ausentes, Povo e Paisagem firmou-se cada vez
mais, em janeiro de 1997 foi assinado um Convênio
entre a UFRGS e o Município, transformando-o
em um programa de pesquisa e extensão de
grande abrangência, com a inclusão
operacional de várias Unidades da UFRGS,
como o Biociências, Geociências, Faculdades
de Educação, Arquitetura, Odontologia
e Farmácia, o IFCH, a Escola Técnica,
entre outros. Hoje, o Programa que está em
pleno andamento, com a coordenação
geral da FABICO/UFRGS e o apoio institucional da
FAPERGS, já conta com alguns resultados expressivos,
como: a implantação do ensino de 2º
grau no Município; a criação
de uma biblioteca pública; a concretização
de um projeto de comunicação visual
para o desenvolvimento do turismo ecológico
rural, início dos estudos cartográficos
da região, um programa de prevenção
odontológica, a instalação
de uma estação de apoio da UFRGS no
Município, um planejamento rural e urbano
(plano piloto) adequado à região,
oficinas de teatro e um acervo com mais de 6.200
imagens fotográficas com qualidade para todo
tipo e impressão ou exposição.
Em
pouco mais de três anos de atividades o Programa
São José dos Ausentes, Povo e Paisagem,
já se constitui em um modelo de interação
e integração da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, com a comunidade de seu Estado.
Núcleo
de Fotografia pretende seguir demonstrando, através
de resultados e posturas acadêmicas, que a
fotografia e suas ramificações, se
encontram definitivamente inseridas nas diversas
atividades, tanto expressivas como laborais do homem
contemporâneo. As atividades em fotografia,
realizadas pelo Núcleo, vem constituindo-se
como fatores geradores de conhecimento, que se forem
conjugados a investimentos oportunos, certamente
proporcionarão uma formação
devidamente qualificada de recursos humanos, adequada
aos crescentes avanços das formas de expressão,
tanto artísticas , científicas, como
tecnológicas.
10.jpg) |
Fotografia, a extensão da visão
Mario Bitt-Monteiro |
Conclusões
A Fotografia é uma área
personalizada do conhecimento, estando em franca
evolução, expansão e importância,
devendo ser devidamente desenvolvida, desde suas
formas puras e filosóficas, até os
últimos redutos conhecidos de suas relações
experimentais e aplicadas. Esta linguagem informativa
de arte e técnica necessita da criação
de um programa único, com uma formação
acadêmica de ação multidisciplinar
integrada, tendo como base as áreas das Ciências
da Informação, Comunicação
e Artes Visuais, em nível de 3° grau, com
a finalidade de estabelecer linhas próprias
de ensino, pesquisa e extensão. A definitiva
colocação da fotografia como um segmento
de excelência, no nível acadêmico,
propiciará maiores avanços nas relações
artísticas, tecnológicas e científicas
em nosso atual estágio sócio-cultural,
além de constituir-se como item diferencial
nos processos de qualificação superior
de recursos humanos.
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