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Fotografia
Experimental em Astrofotografia
Mario Bitt-Monteiro
Consultor em Fotografia da FABICO/UFRGS,
Coordenador do Núcleo de Fotografia FABICO/UFRGS
Durante o evento do eclipse total
do sol ocorrido, na região sul do Brasil
em 3 de novembro de 1994, foram efetuadas uma série
de fotografias com metodologias experimentais, no
intuito de proporcionar um conjunto de resultados,
tanto de valor técnico-científico,
quanto artístico. Para isso, foi deslocada
uma equipe de alunos de Comunicação
Social/UFRGS e fotógrafos convidados, juntamente
com o orientador, a uma região da serra do
Estado do Rio Grande do Sul, no "Passo da Ilha",
situado no altiplano gaúcho, mais precisamente
no Município de São Francisco de Paula.
A região do Passo da Ilha nos ofereceu um
ambiente geomorfologicamente propício para
esse tipo de obtenção fotográfica,
com uma paisagem caracterizada por campos e coxilhias
de grande porte além de estar situado dentro
dos limites da projeção escura mais
densa do deslocamento deste eclipse. A opção
de equipamentos e métodos para a realização
deste trabalho experimental em astrofotografia,
foram:
Da obtenção
fotográfica
1.
Câmera: NIKON F3
Objetiva: Zoom-Nikkor, 100~300, f: 1: 5,6
Modo operacional: Automático
Prioridade: Diafragma (16,16/22 e 22)
Obturação: Automática
(variações entre 1/250,1/125......1/15....1/8,.1/2,1
e 2 segundos)
Distância focal utilizada: 300 mm
Seletor de sensibilidade em ISO 800
2.
Fotometragem & operacionalidade: Para melhor
visualização e enquadramento nas obtenções
fotográficas do eclipse, foi desconectado
o visor pentaprismático da câmera,
utilizando-se apenas o conjunto do espelho em 45º
retrátil com o visor de vidro despolido.
Procurou-se com isso, dar maior mobilidade para
centralizar o assunto, durante as tomadas, no circulo
telemétrico microprismado, já que
o sistema de medição automática
"lê" principalmente o centro da imagem.
3.
Tripé: médio porte, capacidade
máx. P/ 10 Kg.
4.
Filtragem: foi utilizado experimentalmente um
filtro para luz de segurança de laboratório,
o KODAK WRATTEN 1 A, de cor vermelho
escuro , conseguindo-se com sucesso, transmitir
os raios da coroa solar, sem "flare" e as altas
luzes com uma densidade moderada. Foram também
feitas algumas obtenções sem filtro.
5.
Filme : TRI-X PAN (KODAK), 135, obtido em ISO
800.
6.
Sequências das obtenções:
As tomadas fotográficas iniciaram após
a constatação visual que o potencial
de luz ambiental estava gradativamente diminuindo,
efetuando-se as obtenções em intervalos
de 8´´ a 10´´, reduzidos para 3´´ no decorrer do
maior escurecimento ambiental . Foram obtidos um
total de 52 fotogramas, sendo que a sequência
do 23º ao 34º fotograma, constituíram o ensaio
fotográfico esperado. Durante o estágio
de menor luminosidade ambiental e maior atividade
do fenômeno, o processo automático
da câmera desenvolveu exposições
até de 2 (dois) segundos, com o filtro, e
de 1/15 e 1/8 de segundo, sem o filtro Wratten 1
A (Kodak), em ambos os casos o diafragma 16/22
foi utilizado. Todas as obtenções
foram feitas com cabo disparador e cronômetro
de pulso.
7.
Condições ambientais da obtenção
fotográfica: altitude de 900 a 950 metros
acima do nível do mar, céu limpo,
entre 10h45m. Até 10h52m (AM), temperatura
antes do evento em torno de 24º Celsius e durante,
baixou a uma estimativa de 8º Celsius. No clímax
do eclipse a luminosidade ambiental adquiriu uma
configuração de luar médio.
Do processamento
A revelação do
filme foi realizada pelo sistema de "pushing", com
D-76 em pH 8.8 (mais lento), em solução
sem diluição, 12 minutos, sendo levemente
agitado por 5 segundos em intervalos de 1 minuto.
Após foi submetido a um banho de interrupção
gradual denominado "BANHO OTIMIZADOR DE BORATO DE
SÓDIO" em solução 10:1000 (Bitt-Monteiro,1994),
sem agitação durante 70% do tempo
de revelação, e em seguida fixado
em solução ácida à base
de tiossulfato de amônia e metabissulfito
de potássio, durante 8 minutos, com uma agitação
inicial de 15 segundos. Lavagem em água corrente
por 20 minutos e em seguida sob um banho detergente
de 5% de PHOTO FLO (Kodak), e após levado
à secagem. Todo o processamento foi realizado
em condições laboratoriais fotográficas,
na temperatura de 21º Celsius.
Resultados: Após
o processamento, o filme apresentou uma densidade
acentuada, levemente contrastada. Apesar de demonstrar
um leve "véu" químico, a ação
do banho otimizador foi fundamental para o alcance
de um bom acabamento granular da emulsão,
evidenciando uma imagem negativa com maior resolução
e definição, diminuindo sensivelmente
os valores discrepantes entre as gamas das altas,
médias e baixas luzes do assunto.
Imagens Positivas: Para
alcançarmos uma leitura mais fiel, as imagens
foram digitalizadads diretamente do negativo em
um equipamento NIKON COOLSCAN II, sob 2700 ppi (resolução
óptica máxima do aparelho).
Dos pós-processamentos
Pós-processamento 1
Ampliação dos negativos: foram
selecionadas dos negativos as imagens que realmente
definiram os estágios do eclipse total do
sol, ou seja do negativo 1, do 26º ao 36º fotograma.
Os negativos foram ampliados em uma área
de 20x20 cm., em papel MULTIGRADE IV (Ilford), 24x30,
textura pérola, com filtro Multigrade 3 ½,
revelados em DEKTOL (Kodak), diluição
1:1, interrompidos em solução ácida
de 20 ml. por litro de ácido acético
à 28% e fixadas, durante 5 minutos em F5
(Kodak). Lavadas em água corrente por 10
minutos.
Banhos de viragem: as
cópias foram submetidas em um primeiro estágio
em dois banhos de viragem. A técnica utilizada
foi a de conjugação do banho de viragem
azul com o sépia. O banho da viragem azul
utilizado foi : Solução A - Citrato
de Ferro Amoniacal, 12 g em 1000 ml de água;
Solução B - Ácido Oxálico,
12 g em 1000 ml. de água, e Solução
C - Ferricianeto de Potássio, 12 g em 1000
ml de água. A+B+C em parte iguais fazem a
solução trabalho (Bitt-Monteiro,1995).
O banho de viragem à sépia
foi o de: Banho "A"- branqueador: Ferricianeto de
Potássio, 25 g e Brometo de Potássio,
25 g, água para 1000 ml. Banho "B"- tonalizador,
Tiocarbamida (tiourea), 0,1 g. e Hidróxido
de Sódio, 7g, água para 1000 ml (Langford,1981).
A conjugação destes processamentos
resultou no ensaio ECLIPSAR.
Técnicas: Na combinação
das viragens foram utilizados materiais como pincéis,
"buchas" de algodão e jatos de água
com a mangueira da torneira, na interrupção
dos efeitos químicos das viragens durante
ao processo de conjugação. Convém
ressaltar que na combinação dos de
diferentes processos de viragem fotográfica,
o banho de sépia é preponderante,
portanto devendo ser utilizado sempre por último.
Pós-processamento 2:
O material depois de finalizado sob técnicas
de conjugação de viragens, foi submetido
a um processo de teor experimental denominado RECONVERSÃO
DA COLORIZAÇÃO AZUL, A PARTIR DA PARAFENILENDIAMINA(Bitt-Monteiro/UFRGS).
Este processo foi desenvolvido para cópias
fotográficas com viragens a base de Ferro
(viragem azul), onde a ação de uma
solução com o redutor Parafenilendiamina
em contato com uma imagem fotográfica "virada"
em azul, faz retornar esta imagem ao seu estágio
original (preto-e-branco). O processo tem uma característica
operacional dinâmica própria. Sendo
realizado com Parafenilendiamina, um redutor de
prata com ação lenta, a passagem do
estágio azul para o preto é relativamente
lenta, e portanto manipulável. Após
o contato da solução de reconversão
com a imagem virada, inicia-se um processo de diferentes
tonalizações na emulsão do
papel, indo desde o amarelo pálido, cinza,
amarelo escuro, carmim, até ao marrom avermelhado
, marrom e preto. Pode-se interromper o processo,
ao gosto do autor, com a utilização
de jatos de água. A fórmula da solução
de reconversão consiste em: Parafenilendiamina,
5g e Sulfito de Sódio anidro, 65 g; água
(destilada) para 1000 ml. Temperatura de trabalho:
em 20º Celsius. Este processo está em fase
experimental, sendo que as imagens originais utilizadas
foram do ensaio ECLIPSAR, denominando-as RE-ECLIPSAR.
Técnicas: As manipulações
fotoquímicas das imagens foram realizadas
por meio de pinceladas, vaporizações,
derrame da solução do redutor (distância
de +/- 50 cm. de altura), algodão umedecido
com a solução do redutor, piceis umedecidos
com fixador e esponjas para retirar o excesso de
líquido sobre a emulsão . Após
as manipulações as fotografias foram
secas sob condições normais de laboratório
fotografia (20º Celsius), com o ambiente escurecido,
pois as cópias fotográficas ainda
úmidas demontraram uma não interrupção
do processo de reconversão.
Conclusões
Preliminarmente fica demonstrado
que a utilização de um otimizador
a base de Borato de Sódio em revelação
de filmes com emulsão convencional, tipo
TRI-X PAN da Kodak, proporciona uma significativa
melhora, sob o aspecto fotográfico, no rendimento
granular e da resolução de emulsões
deste tipo, quando submetidas a processos de "pushing"
com revelador D-76. Além disso os processos
de viragens e de reconversão do azul a base
de Parafeniendiamina, estabelecem um vinculo entre
um assunto obtido fotograficamente de modo técnico,
científico, que é o eclipse total
do sol, e as diferentes plasticidades ou configurações
artísticas da imagem. A cada passo, a cada
momento vivenciamos e constatamos que a fotografia
é uma forma direta, de ampla leitura, de
demonstrarmos a arte e a ciência em um só
elemento.

Todos
os processos da pesquisa foram e estão sendo
realizados seguindo o cronograma do Programa de
Pesquisa FOT.XPER.UFRGS, nos laboratórios
de Fotoquímica Aplicada do LEXIS (Laboratório
Experimental da Imagem e do Som) do Núcleo
de Fotografia da Faculdade de Biblioteconomia e
Comunicação da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, em 1994 (fotoquímica)
e 1999 (digitalização). ©
Copyright 1999 Mario Bitt-Monteiro.
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