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Otimização de Filmes Fotográficos em Preto-e-Branco, com a utilização do Borato de Sódio

Mario Bitt-Monteiro, Consultor em Fotografia da FABICO/UFRGS, Coordenador do Núcleo de Fotografia – FABICO/UFRGS


Uma das características dos filmes fotográficos em preto-e-branco, depois de processados, é a sua tendência em evidenciar um maior nível de contraste, do que o desejado. Fala-se daquele contraste excessivo, com perda de detalhes nas sombras e nos tons mais claros da imagem fotografada. E isso se dá principalmente com filmes de emulsão convencional, como o Plus X, Tri-X (Kodak), HP5, FP4, Pan F (Ilford) e o Neopan 100, Neopan 400 (Fuji), entre outros. Esse contraste dos filmes em P&B fica mais evidenciado devido a uma grande diferença (maior contraste) entre as luzes baixas em relação às luzes altas do negativo é uma resultante que ocorre, geralmente, devido à maneira como revelamo-lo. Seja quanto à temperatura do banho da solução de revelação estar um pouco acima, utilização do revelador em estado puro e não diluído, como também na maneira que procedemos as agitações do filme nas soluções durante o processo de revelação. Para alcançarmos um negativo em preto-e-branco com um nível de contraste entre as luzes mais harmônico, com mais equilíbrio no “degradê” das escalas dos cinzas e o alcance de uma granulação mais fina, foi desenvolvido pelo Laboratório de Fotoquímica do Núcleo de Fotografia da FABICO/UFRGS um processo experimental para revelação de filmes fotográficos com emulsão convencional, denominado de: Processo de Otimização de Filmes em P&B, com emulsão convencional, à base de Borato de Sódio(BITT-MONTEIRO, 1993). Esse processo está sendo aplicado desde 1995, nas atividades laboratoriais desse Núcleo, alcançando resultados na qualidade final dos negativos processados, altamente satisfatórios. Tanto que, além de ser a maneira adotada no processamento de filmes em preto-e-branco do Núcleo, é também conhecido e utilizado por vários fotógrafos gaúchos na elaboração de seus trabalhos. Em síntese o processo é simples, basta colocar entre os banhos de revelador de filmes e interruptor, um banho constituído por uma solução de 5:1000 de Borato de Sódio (Bórax). Para a elaboração de uma solução 5:1000 desse banho otimizador, devemos diluir 5 (cinco) gramas de Borato de Sódio P.A. (Bórax) em 1 (um) litro de água destilada. Pode-se, também, fazer um estoque para armazenar, um galão com 10 (dez) litros dessa solução. A otimização de filmes em P&B com base no uso de Borato de Sódio teve sua origem ou derivou do sistema de revelação em dois banhos com uso do revelador D-76, descrito por Michael Langford, no livro The Darkroom Handbook(1981). A utilização deste Processo abrange várias áreas, como: fotografia arquitetônica, fotografia científica de laboratório e campo, portraits, fotografia de natureza, fotografia de documentação geográfica e étnica, fotografia de perícia geral, fotografia ambiental e fotografia autoral entre outras.

O PROCESSO

O processo de revelação de filmes preto-e-branco em ambiente de laboratório fotográfico fica assim:
Em vez do sistema convencional de Revelador de Filmes > Interruptor > Fixador > Lavagem em água corrente, substitui-se pelo processo: Lavagem em água destilada > Revelador de Filmes > Banho de Borato de Sódio > Interruptor > Fixador > Lavagem em água corrente.

O PROCESSAMENTO

• O revelador de filmes escolhido é o D – 76 (pH 9,8), em diluição 1:1;
• Temperatura de processamento (todos os banhos) em 20 graus Celsius;
• Colocar em um tanque o revelador D – 76 (1:1), e em outro a solução de Borato de Sódio(5:1000);
• Escolhe-se aleatoriamente como um filme a ser processado, o Tri-X Pan da Kodak, obtido em ISO 400.

Métodos e Procedimentos


1) Lavagem Inicial em água destilada:
Antes de colocar o filme para revelar, deve-se lavá-lo (dentro do tanque, agitando por +/- 1 minuto) para previamente umedecer a gelatina do filme sensibilizada ou já exposta;

Escorrer a água para colocar a solução do revelador de filmes;

2) Revelação do filme:
Para se processar o filme no sistema de otimização a base de Borato de Sódio, devemos reduzir (diminuir) o seu tempo de revelação em 20 % e, quando estiver revelando, efetuar suaves agitações durante 8 ~ 10 segundos a cada minuto desse processo. No caso de processar um filme Tri-X (tempo na tabela é de 11 minutos) em revelador D-76 (1:1), o tempo deverá ser de 9 minutos (tempo arredondado )

3) Banho de Borato de Sódio:
Imediatamente após o término do tempo de revelação (sob total escuridão) , deve-se passar, após escorrer bem, o filme do tanque de revelador, para o tanque do banho de Borato de Sódio. Colocar o filme nessa solução, de modo lento, sem agitar muito o líquido dentro do tanque. Quando o espiral com o filme atingir o fundo do tanque, deve-se tampar e depois bater, levemente, com o fundo desse tanque para levantar algumas possíveis bolhas de ar que porventura estejam entre a solução de Borato de Sódio e a gelatina do filme que está sendo processado. Deve-se deixar o filme em descanso, imerso (sem mexer o filme) durante 30% do tempo de revelação do filme. Tomando como exemplo o filme Tri-X, com 9 minutos de revelação, o tempo de imersão seria de 3 (três) minutos (tempo arredondado);


4) Os passos seguintes de interrupção do processo, fixagem em fixador ácido-endurecedor e lavagem final em água corrente, são em condições de laboratório fotográfico, com tempos e procedimentos normais de processamentos de filmes fotográficos em preto-e-branco.

ALGUNS CUIDADOS E PROPRIEDADES

A solução de Borato de Sódio deve ser usada somente uma vez e não é retornável, Após seu uso, como toda solução diluída, deve ir fora ou descartada;

Os banhos da bancada de processamento (lavagem inicial, revelador, solução de Borato de Sódio, interruptor e fixador), devem ser elaborados com água destilada, preferencialmente;

O Processo de Otimização a base de Borato de Sódio (Bórax) é excelente para ser aplicado nos trabalhos de “pushing” de filmes preto-e-branco com emulsão convencional. Tem os mesmos procedimentos (percentuais e tempos), só que com o revelador puro, não diluído;

Esse Processo é especialmente indicado nos trabalhos fotográficos em preto-e-branco que requeiram uma maior definição nos detalhes finos das imagens, principalmente quando se está utilizando filmes de alta sensibilidade, igual ou acima de ISO 400;

Não mudam os procedimentos de tempo e percentuais dos processos de Otimização de Filmes em P&B a base de Borato de Sódio, com a utilização de outras fórmulas de reveladores para filmes fotográficos, que não seja o D-76;

Devido a alguns problemas como o procedimento de agitações demasiadas nos processamentos ou diferenças que possam ocorrer entre as temperaturas das soluções e o ambiente, os filmes podem evidenciar um leve “véu” químico. Mas se isso ocorrer de forma leve, não afetará na qualidade final das imagens fotográficas.

Os filmes fotográficos com emulsão otimizada como a linha T-Max da Kodak, os da linha Delta da Ilford ou outros com emulsão cromógena, não se prestam para serem utilizados no Processo de Otimização à base de Borato de Sódio.


COMPARAÇÕES ENTRE OS RESULTADOS

Para fazer um teste comparativo, foi utilizado um filme Neopan ISO 400 da Fuji, em uma câmera Nikon FM 2, munida com uma objetiva Micro-Nikkor 105/2,8, velocidades de obturação 1/250 e 1/125 e diafragmas que variaram entre 8 e 8/11, tendo como assunto setores de uma copa de folhagens de um Xaxim dentro de uma mata, sob luz solar. As tomadas foram realizadas em contra-luz, sem nenhuma luz auxiliar(flash) ou qualquer tipo de rebatedor de luz. Após a obtenção o filme foi cortado em duas partes. Um segmento foi revelado em processo normal em D-76(1), e o outro no processo de Otimização à base de Borato de Sódio (2)

Modêlo 1 – Imagem sem a utilização do Borato de Sódio

 

Modêlo 2 – Imagem com Otimização à base de Borato de Sódio

 


 

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